DEPUTADAS ELEITAS PELO CÍRCULO ELEITORAL DE SETÚBAL – PS/PSD/BEQuando as causas são justas é possível encontrar na diferença pontos comuns
. As mulheres têm que vir para a politica como participação cívica
. Politica é masculina e dificulta a participação da mulher
Ontem em conferência de imprensa três deputadas, eleitas para a Assembleia da República pelo Círculo Eleitoral de Setúbal, que integram a Comissão de Trabalho, Segurança Social e Administração Pública, tomaram posição conjunta sobre a situação da mulher e a defesa dos direitos das mulheres.
Catarina Marcelino,PS; Maria das Mercês Borges, PSD e Mariana Aiveca, BE, foram unânimes, de alguma forma, em reconhecer o sentido positivo dos “sistema das quotas” como valorizador da representatividade das mulheres na vida politica.

Por Jornal Rostos
Catarina Marcelino, PS, referiu que em Portugal – “as mulheres ganham menos que os homens” e apesar do “aumento de mulheres com mais escolaridade, tal não resolveu o problema das diferenças salariais”.
Recordou que as mulheres para além do trabalho que desenvolvem ao nível empresarias ainda acumulam diariamente mais 3 horas diárias de trabalho doméstico.
A deputada sublinhou que no distrito de Setúbal – “as mulheres sempre trabalharam muito” e são vitimas dos movimentos pendulares que lhes dificulta “a conciliação da vida própria com a vida profissional”.
Catarina Marcelino lamentou que as mulheres sejam apenas olhadas como “reprodutoras e não como produtoras”, como são os homens.
“È importante avaliar a questão da conciliação, para que as mulheres exerçam o seu papel de mãe” – sublinhou.
Neste contexto defendeu a importância de ser criada uma boa rede de equipamentos sociais que possam dar respostas e que – “sejam adaptados às necessidades das pessoas”.
Politica é masculina e dificulta a participação da mulher
A deputada do Partido Socialista sublinhou que há dificuldades para a mulher intervir na vida politica.
“A vida politica não está feita para se adequar à vida familiar. A politica é masculina e dificulta a participação da mulher ” – sublinhou.
Catarina Marcelino referiu que, por estas razões, é favorável ao sistema de quotas porque – “permite criar espaço para que as mulheres tenham espaço nas listas” e “dar lugar ás mulheres na politica”.
Apesar das diferenças, há sentimentos comuns
Mariana Aiveca, BE, referiu que esta acção conjunta visa dar um sinal às mulheres do país e do distrito de Setúbal, que apesar das diferenças, “há sentimentos comuns” e “é possível fazer iniciativas conjuntas”.
A deputada referiu que é fundamental que as mulheres participem na vida politica e na vida cívica.
“Houve um avanço significativo nas politicas de igualdade de género” – referiu, acrescentando que – “estamos longe do que é possível para uma sociedade verdadeiramente democrática e verdadeiramente livre”.
O sistema de quotas não como um fim
Mariana Aiveca referiu que “perfilho o sistema de quotas não como um fim” mas, disse, “como um mecanismo transitório que obriga a desconstruir a ideia perversa que as mulheres terão que provar que valem muito mais”.
Na sua opinião é positivo que a legislação dê sinais que salvaguarde a participação da mulher.
Recordou que num Governo com 55 membros, 10 são mulheres e que em 308 Câmaras Municipais do país, só existem 221 presidentes de Câmara mulheres.
Violência doméstica não tem classe social
A deputada do Bloco de Esquerda, sublinhou que a “violência doméstica” não é um problema que apenas afecta as pessoas que vivem em condições difíceis.
“A violência doméstica não tem classe social, não tem ideologia, atravessa todas as classes sociais” – sublinhou.
A deputada referiu que a luta pela “igualdade das mulheres não é pertença de membros de partidos políticos, é de todos”.
Recordou que 201 mulheres morreram, nos últimos seis anos, nas mãos dos seus maridos.
“A violência doméstica deve despertar-nos a todos”- sublinhou.
Mariana Aiveca referiu, também, a temática da discriminação salarial, salientando que – “não é verdade que tal só ocorra nos sectores operários”, tal acontece, disse, em cargos de gestão, nos estágios – “encontramos mais jovens licenciadas no desemprego”.
Mulheres continuam a ser penalizadas
Maria das Mercês Borges, PSD, sublinhou que – “quando as causas são justas é possível encontrar nas diferenças pontos comuns”.
A deputada social democrata, sublinhou que defende “uma sociedade que se completa nas diferenças”.
Referiu que apesar das mulheres terem “conquistado muito”, continuam a existir “imensas barreiras culturais que dificultam a participação da mulher”.
“Esta é uma sociedade onde é difícil a mulher afirmar-se” – disse
Sublinhou que – “no mundo do trabalho as mulheres continuam a ser penalizadas”.
Neste contexto defendeu a necessidade de “uma ruptura de mentalidades de quem é empregador”, nomeadamente porque – “a mulher não pode ser penalizada porque é mãe”.
“Já chega de termos que provar que somos melhores que os homens” – sublinhou.
As mulheres têm que vir para a politica como participação cívica
Maria das Mercês Borges, sobre a participação das mulheres na politica, referiu que – “não concordo com algumas formas como as quotas estão instaladas”, no entanto, reconheceu que o sistema de quotas – “pode ser um contributo para abrir algum espaço”.
Mas, sublinhou, que o sistema de quotas não deve servir para dar ás mulheres – “espaço pelo espaço”.
“As mulheres têm que vir para a politica como participação cívica” – salientou.
Assinalar o Dia Internacional da Mulher
No diálogo com os jornalistas foi esclarecido que esta iniciativa, conjunta de deputadas eleitas pelo circulo eleitoral de Setúbal, para assinalar o Dia Internacional da Mulher, partiu das três deputadas que integram a Comissão de Trabalho, Segurança Social e Administração Pública.
No entanto, foi referido, que foi convidada a deputada Paula Santos, do PCP, que não marcou presença por motivos de agenda. Quanto à deputada do PEV, Heloisa Apolónia, não foi contactada. O CDS/PP não tem mulheres eleitas por Setúbal.













