Mário Soares em SetúbalCom a 3ª via começou a colonização pela ideologia neo-liberal americana nos Partidos Socialistas Europeus
O fundador do PS referiu que o Tratado de Lisboa tem a marca do neo-liberalismo.
Mário Soares, referiu que o Governo obteve uma vitória com a aprovação do orçamento e, no entanto, disse, “há coisas no PEC que não me agradam”.
“Não me agradam as privatizações”, do CTT ou da TAP” – salientou.

Por Jornal Rostos
No decorrer de um debate sobre o tema: «A Crise e as respostas do Socialismo Democrático», promovido hoje, em Setúbal, pela Federação Distrital de Setúbal do Partido Socialista, Mário Soares alertou para os “perigos da desagregação europeia”.
O fundador do Partido Socialista, sublinhou que a partir dos anos 80, com a 3ª via, promovida por Tony Blair, nos Partidos Socialistas Europeus – “começou a colonização pela ideologia neo-liberal americana”.
Segundo Mário Soares, este fenómeno onde “não se é peixe, nem carne”, foi seguido pelos Partido Socialista de toda a Europa, incluindo Portugal.
O histórico do Partido Socialista, considerou que o Partido Socialista Europeu – “entrou em verdadeira decadência”.
Como exemplo, referiu o facto de Durão Barroso – “ultra liberal” – foi eleito com os votos dos socialistas europeus – “isto é possível porque houve colonização do Partido Socialista Europeu”.
Uma crise do próprio socialismo democrático
Mário Soares, na sua intervenção referiu que a crise actual – “não é só uma crise económica”, recordou que começou por ser uma crise financeira, e, hoje, “é uma crise social, uma crise politica, uma crise de valores, uma crise ambiental”.
“Estamos numa encruzilhada muito séria na União Europeia e no mundo” – sublinhou Mário Soares, salientando, que também “é uma crise do próprio socialismo democrático”.
O fundador do PS salientou que esta crise tem rostos e tem responsáveis são “os grandes especuladores”.
“Os responsáveis são os bancos” – disse.
Recordou que eram estes que falavam em querer menos estado, e, agora, foi preciso o estado os ajudar e pedem ajuda ao Estado.
Mário Soares salientou que quando do inicio da crise, em 2007, quando o défice atingia os 3%, conversou com o Primeiro Ministro, José Sócrates, que estava muito contente com esses valores, alertando para o facto de esse valor ter um aumento substancial – “na altura ficou muito zangado comigo”.
Socialistas - má colheita ao nível de liderança na Europa
Mario Soares, a propósito do papel do socialismo democrático na Europa, referiu que nos anos 70, existiam líderes, foram eles que contribuíram para a construção europeia com os democratas cristãos.
Hoje, nos socialistas, “na Europa não há nenhum líder com capacidade”,dos anos 70, acrescentando que – “neste momento estamos numa má colheita” ao nível de liderança na Europa.
O fundador do PS referiu que o Tratado de Lisboa tem a marca do neo-liberalismo.
Recordou, igualmente, que a Europa tem sido incapaz de acompanhar a América de Obama.
PS precisa de ser um partido vivo e independente
Mario Soares, referiu que o Partido Socialista “tem estado fechado sobre si próprio”, e no seu seio “não tem tido debate”.
O fundador do PS considera necessário que exista – “entusiasmo com a ideologia”.
“Há raras reflexões sobre os grandes problemas e grandes ideias” – disse.
“O PS precisa de ser um partido vivo e independente em relação ao Governo”.
“Não me agradam as privatizações”
Mário Soares, referiu que o Governo obteve uma vitória com a aprovação do orçamento e, referiu que “há coisas no PEC que não me agradam”.
“Não me agradam as privatizações”, do CTT ou da TAP” – disse.
“Quando não há coesão social, há revolta”
O fundador do Partido Socialista apontou três linhas de intervenção, que reconhece como essenciais, para afirmação do socialismo democrático – luta contra o desemprego; luta contra a pobreza e luta contra as desigualdades sociais.
“O principal esforço de equilíbrio do sistema está nestes três pilares” – referiu, sublinhando que só depois deve vir o deficit, defendendo que Portugal não pode limitar-se a aceitar as regras que são impostas pela Europa sobre o deficit.
“É preciso que haja justiça social” – salientou Mário Soares, alertando que “quando não há coesão social, há revolta”.













