José Paleta, CDU – Assembleia Municipal do BarreiroPuseram o cravo na lapela e foram para o PSD
- Bruno Vitorino PSD abandona a reunião
O deputado do PCP/CDU sublinhou que desses que oprimiam “alguns puseram o cravo na lapela e foram para o PSD”.
Bruno Vitorino, PSD exigiu um pedido de desculpas e, perante a resposta de José Paleta, e, as gargalhadas que escutou da bancada da CDU, decidiu abandonar os trabalhos.
A moção apresentada pelo PSD foi aprovada por unanimidade.

Por Jornal Rostos
José Paleta, CDU, no decorrer do ponto de antes da ordem do dia, na reunião da Assembleia Municipal do Barreiro, realizada ontem à noite no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro, no âmbito da discussão das moções, sublinhou que pela composição da Assembleia Municipal existem “opiniões diferentes”.
“Parece que há alguma dificuldade, de alguns dos senhores deputados, em perceber que há opiniões diferentes” - sublinhou.
Puseram o cravo na lapela e foram para o PSD
O deputado da CDU, salientou que nas moções apresentadas pelo Partido Socialista e Partido Social Democrata, nomeadamente sobre o 25 de Abril e o 1º de Maio, com as quais tinham discordâncias – “O nosso Grupo vai votar moções que não acompanhamos na totalidade” - sublinhando que a CDU tem outra visão do 25 de Abril – “no 25 de Abril o povo libertou-se de alguém que o oprimia”.
Referiu que “era gente que o oprimia e há pessoas destas” (daqueles que oprimiam), que no 25 de Abril, “alguns puseram o cravo na lapela e foram para o PSD. Nós sabemos isso”.
“Portanto a concepção que nós temos do 25 de Abril não igual ao PSD. Não é igual, e, nós vamos votar estas moções, que naturalmente não acompanhamos” – sublinhou José Paleta.
Não admito este tipo de linguagem
Bruno Vitorino, PSD, pediu a palavra em defesa da honra, referindo – “Era o que mais faltava era que passados 36 anos do 25 de Abril e ter a minha família muito lutado pelo 25 de Abril, vir aqui um deputado de uma força politica que é a CDU, que eu e alguns dos meus companheiros de bancada, ouvirmos dizer que «sabemos que puseram o cravo na lapela, mas sabemos bem de onde vieram». Era o que mais faltava. Eu exijo um pedido de desculpa formal, por insinuar que eu ou algum militante do meu partido defendemos um regime totalitário ou fascista. Era o que mais faltava”.
O deputado social democrata, sublinhou – “Não admito este tipo de linguagem”.
Recordou – “a minha mãe lutou pela Liberdade, foi deputada do Partido Socialista na Constituinte” e crescentou que no 25 de Novembro – “esteve no cerco” a lutar pela Liberdade.
Referiu, igualmente – “o meu avô foi preso era do Partido Comunista”.
“Era o que mais faltava era que eu, ou a minha família, ou muitos da minha família politica que também lutaram pelo 25 de Abril, fossem aqui postos em causa pelo senhor deputado” – salientou Bruno Vitorino.
O deputado do PSD exigiu um pedido de desculpas, escutando-se da bancada da CDU, do deputado Paulo de Deus, uma sonora gargalhada.
Não me referi a nenhum dos senhores
José Paleta, CDU, referiu que – “não há nada a pedir desculpa”, recordou que também teve um tio que veio de Angola que era fascista.
O deputado do PCP sublinhou – “não me referi a nenhum dos senhores”.
Não vou continuar nesta Assembleia
Bruno Vitorino, numa nova intervenção contestou, salientando que – “o que aqui foi dito é bastante grave”, e, disse, “ofende a minha dignidade pessoal e da minha bancada”.
Na opinião do deputado do PSD, José Paleta reiterou a mesma opinião e recusou pedir desculpa, comentando, igualmente as gargalhadas da bancada da CDU.
“Eu quero dizer senhor presidente que não vou continuar nesta Assembleia” – disse e de imediato abandonou os trabalhos da Assembleia Municipal.
25 de Abril não é um exclusivo de nenhuma força politica
Isidro Heitor, PS, sobre esta matéria, salientou que vive no Barreiro há muitos anos e que ao longo da sua vida, várias vezes lutou ao lado de militantes do PCP.
Sublinhou que escutou, nesta reunião da Assembleia, afirmações que – “não escutei quando era jovem” por militantes do PCP.
“O 25 de Abril não é um exclusivo de nenhuma força politica, de nenhuma força partidária. O 25 de Abril foi a luta pela liberdade e todos os portugueses ganharam com ele, todos sem excepção ” – salientou o deputado do PS.
Recordou que hoje vivemos num regime democrático onde os portugueses escolhem o que querem para o país.
“É assim, a Liberdade é assim” – referiu, acrescentando – “não podemos na Assembleia Municipal vir dizer que o 25 de Abril é de uns e não é de outros”.
Não esperava uma clivagem em torno do 25 de Abril
Eduardo Cabrita, PS, salientou que a Assembleia Municipal é a expressão das forças democráticas.
O deputado do PS referiu que – “a última coisa que seu esperava era que a divergência, o ponto de clivagem nesta Assembleia Municipal fosse em torno do 25 de Abril”.
“Uma clivagem em torno do 25 de Abril, ao fim de duas décadas” – referiu Eduardo Cabrita ser algo que não esperava.
Divulgamos o texto integral da moção apresentada pelo deputado Hugo Cruz, do Partido Social Democrata.
A moção foi aprovada por unanimidade.
MOÇÃO DO PSD
Saudação ao 25 Abril e ao 1º Maio
Comemorar o 25 de Abril é comemorar a liberdade, o progresso e as mudanças, ainda que imperfeitas e incompletas, que o novo regime trouxe para Portugal e para os portugueses. A liberdade e a democracia deram a Portugal e ao seu povo, novas perspectivas de crescimento e desenvolvimento, onde o poder local democrático foi e é, expoente máximo. Quando a queda do nosso muro teve lugar, Portugal avançou e começou a modernizar-se. Esta data, que não é património de ninguém em particular, mas sim uma conquista de todo um povo, é sinónimo de progresso social. Se bem que a transformação de um país não se dê somente pelo seu regime político, sem dúvida que nos regimes democráticos esta é uma realidade diferente dos países com regimes totalitários.
Da mesma forma, comemorar o 1º de Maio, para além de assinalar a luta de significativo número de trabalhadores americanos em 1886, é comemorar a luta diária de milhares de trabalhadores portugueses por justos salários, por melhores condições e pela valorização do seu trabalho, ou e tão simplesmente pela manutenção – difícil em alturas como as que vivemos – do seu posto de trabalho, ou seja, contra o desemprego.
A Assembleia Municipal do Barreiro, reunida a 8 de Abril de 2010, saúda:
1. O 36º aniversário do 25 de Abril esperando que as novas gerações entendam a sua importância para Portugal, e fazendo votos que os regimes totalitários ainda existentes possam dar lugar a sistemas verdadeiramente democráticos, onde o povo seja, como nós, LIVRE!
2. Todos os trabalhadores portugueses, manifestando-lhes toda a solidariedade, na sua luta por uma política nova, mais justa e que combata o flagelo do desemprego.
Barreiro, 08 de Abril de 2010
Os Deputados Municipais do Grupo Municipal do PSD
Divulgamos o texto integral da moção, apresentada por Isidro Heitor, deputado do Partido Socialista.
A moção foi aprovada por unanimidade.
GRUPO MUNICIPAL DO PS BARREIRO
MOÇÃO
EVOCAÇÃO DO 25 DE ABRIL: DIA DA LIBERDADE
Comemora-se no próximo dia 25 de Abri ( o 36° aniversário da Revolução dos Cravos, data maior da história contemporânea portuguesa e símbolo máximo da luta de um povo pela liberdade, pela democracia e pela construção de uma sociedade mais justa e solidária.
Afirmar o 25 de Abril e o significado que esse dia teve, e sempre terá, para Portugal e para os portugueses, é um dever que assiste a todos nós cidadãos.
Todos aqueles que viveram e sofreram décadas de repressão e isolamento, de perseguições e de guerras sem sentido sabem e sentem que o 25 de Abril de 1 974 foi o momento em que às mulheres e homens do nosso País foram restituídos os seus direitos enquanto cidadãos, que até então lhes eram negados, por um poder cego e autoritário, que não olhava a meios para atingir os seus fins. A partir desse dia Portugal tornou-se um País livre, onde cada um assegurou o direito de ser diferente e de pensar diferente.
Aos portugueses que nasceram depois daquele dia histórico, às gerações mais novas, importa recordar que foi graças ao 25 de Abril que adquiriram o pleno direito de crescer e viver em Liberdade e Democracia.
Passados 36 anos, dúvidas não existem quanto às profundas mudanças ocorridas em Portugal, destacando-se o aumento dos índices de escolarização e de qualificação da população, o sistema de segurança social universal, o sistema nacional de saúde, as eleições livres, o poder autárquico democrático.
Continuam, é certo, a existir muitas questões por resolver e dificuldades não ultrapassadas, que não podemos esquecer nem negligenciar, mas o resultado é claramente positivo e devemos ter orgulho nas alterações estruturais ocorridas no Portugal de Abril, no Portugal da Liberdade e da Democracia.
Será no confronto das ideias, na apresentação de propostas alternativas e na consequente escolha livre dos portugueses que se encontrarão as melhores soluções para os problemas que continuam a existir na sociedade portuguesa. Assim se continuará a cumprir Abril!
Face ao exposto e porque há que recordar e manter bem vivo o espírito de Abril, a Assembleia Municipal do Barreiro, reunida em 8 de Abril de 2010, delibera:
• Evocar, na passagem de mais um Aniversário do 25 de Abril, todos aqueles que lutaram contra o regime fascista e pela implantação do regime democrático, assim como o papel dos “Capitães de Abril” que, com coragem e determinação, devolveram a liberdade e a dignidade aos portugueses;
• Saudar todas as mulheres e homens de ontem, de hoje e de amanhã, reafirmando a inabalável vontade de, com todos eles, celebrar o 25 de Abril: o Dia da Liberdade.
Barreiro, 8 de Abril de 2010
O CRUPO MUNICIPAL DO PARTIDO SOCIALISTA
Divulgamos o texto integral da moção, apresentada por Sara Ferreira, deputada do Partido Socialista.
A moção foi aprovada por unanimidade.
GRUPO MUNICIPAL DO PS BARREIRO
MOÇÃO
SAUDAÇÃO AO 1° ÐE MAIO
No dia 1 de Maio de 1886, há 124 anos, em Chicago, duas centenas de milhares de operários recusaram-se a trabalhar e exigiram o estabelecimento da jornada de oito horas de trabalho, sendo impiedosamente reprimidos pelas entidades policiais e patronais.
Festejar o 1º de Maio em 2010 será não só recordar o significado da luta dos operários de Chicago, mas também a de todos os trabalhadores em geral e, essencialmente, a dos trabalhadores portugueses e das suas Organizações Sindicais por um trabalho com condições de Higiene e Segurança dignas e um salário justo.
Festejar o 1° de Maio em 2010 será não só uma jornada de solidariedade para com os trabalhadores de todo o mundo que lutam pelo trabalho, por melhores condições de vida, mas também um forte apoio aos que, em pleno Século XXI, lamentavelmente, ainda lutam pelos mais elementares direitos sociais, políticos e sindicais em Países e em Regiões onde eles continuam a não ser reconhecidos ou garantidos.
Em Portugal, festejar o 1° de Maio de 2010, será reafirmar Abri ( e as conquistas conseguidas pelos trabalhadores portugueses. Será lutar por salários justos e pensões dignas, contra o desemprego, pelo emprego com qualidade, pela valorização do trabalho, pela qualificação dos trabalhadores, pela justiça social e fiscal, pela paz e solidariedade internacional.
Celebrar o 1° de Maio será, assim, lutar pelo desenvolvimento económico, pelo progresso social e por uma sociedade mais justa e fraterna.
Porque celebrar o 1° de Maio é, e será tudo isto, a Assembleia Municipal do Barreiro, reunida no dia 8 de Abril de 2010, delibera aprovar o seguinte:
> Uma saudação a todos os trabalhadores portugueses, nomeadamente aos trabalhadores Barreirenses, e às respectivas Organizações Sindicais na passagem de mais um 1º de Maio, manifestando-lhes a sua solidariedade na luta desenvolvida por melhores condições de vida e por uma sociedade mais justa, fraterna e solidária;
> Uma saudação aos milhões de trabalhadores que por esse mundo fora, nomeadamente em Países onde não são reconhecidos os seus mais elementares direitos, continuam com persistência, esforço e determinação, sacrificando muitas vezes a própria vida, a lutar pela liberdade, pela democracia, pela paz e pelos seus direitos políticos, sociais e sindicais.
Barreiro, 8 de Abril de 2010
O GRUPO MUNICIPAL DO PARTIDO SOCIALISTA













