Carvalho da Silva no BarreiroEstratégias em curso para a moeda única europeia são inimigas do Estado Social
Carvalho da Silva, secretário geral da CGTP-IN esteve, hoje, no Barreiro, participando num encontro com sindicatos, numa iniciativa promovida pela Câmara Municipal do Barreiro.
O líder da Intersindical sublinhou que – “nós vivemos uma operação que é o maior roubo organizado da história da humanidade.”
Referiu que as estratégias que estão em curso para a moeda única europeia – “são inimigas do Estado Social, como nós o concebemos e para o qual trabalham os sindicatos”.
Carvalho da Silva salientou que “continuam a apoderar-se do dinheiro do Estado”, afirmando, com “cinismo” que “querem retirar a gordura ao Estado”.

Por Jornal Rostos
Carvalho da Silva esteve, hoje, no Barreiro, participando num encontro com sindicatos, uma iniciativa integrada no programa «Percursos de trabalho, caminhos para o desenvolvimento», promovido pela Câmara Municipal do Barreiro.
O dirigente da CGTP- IN sublinhou que esta actividade, realizada no Barreiro, precedida de uma visita e abordagem de problemas e projectos em desenvolvimento local no concelho - «é um exemplo que pode ser dinamizado, com iniciativas idênticas, noutros pontos do país, como perspectiva de desenvolvimento do trabalho sindical».
Sublinhou que este modelo de iniciativas permite, observar, conhecer ideias e “construir convergências de acção para dar respostas aos problemas com que nos debatemos”.
Recordou que no concelho do Barreiro desde sempre “o trabalho é uma referência forte, existindo uma identidade muito grande entre a afirmação dos direitos do trabalho, a afirmação da cidadania e a participação dos cidadãos”.
Poder Local foi decisivo para a melhoria do bem estar
O Secretário Geral da CGTP salientou que vivemos “um período muito sensível”, quer do ponto de vista “temporal”, quer do ponto de vista de “conteúdos”.
Recordou que os índices de bem estar, que marcam a qualidade de vida da pessoas, nomeadamente a valorização do trabalho e a riqueza produzida pelo trabalho desenvolvido nas últimas décadas pelo concelho do Barreiro, nas suas actividades industriais – “foi um contributo excepcional para o nível de vida dos portugueses”.
Referiu igualmente, o contributo das autarquias na melhoria dos índices de qualidade de vida, nomeadamente na área da saúde, através dos investimentos realizados nas áreas de saneamento básico, abastecimento de água e construção de escolas.
Carvalho da Silva, salientou que o Poder Local democrático foi decisivo para a melhoria do bem estar dos portugueses, que contou com a participação das pessoas.
“É tempo dos Sindicatos e as Autarquias, fazerem um exercício de memória histórica, na sua experiência, na identificação dos seus contributos e afirmá-los na sociedade” – sublinhou Carvalho da Silva.
Criar condições para os jovens se afirmarem
O Secretário Geral da CGTP-IN salientou que estamos a viver um período de “grandes mudanças”, de “grandes rupturas” e perspectivou a importância de mobilizar as gerações mais jovens de forma a motivar a juventude.
“A juventude vai emergir. As gerações mais velhas podem ajudar e criar condições para os jovens se afirmarem” – sublinhou.
Recordou que o neo-liberalismo – “trabalhou profundamente na ruptura da solidariedade entre gerações”.
Maior roubo organizado da história da humanidade
«Estes bloqueios em que estamos, a que se chama crise merecem alguma reflexão.
Nós vivemos uma operação que é o maior roubo organizado da história da humanidade.
Durante décadas, os privados que acumularam riqueza de forma desmedida, também acumularam dívidas. Muitas delas resultantes de roubos autênticos, como se viu no sector financeiro» - sublinhou Carvalho da Silva.
«Aquilo que se expressou de há dois anos para trás foi uma identificação dessas dívidas, e, para colmatar as dívidas privadas foi mobilizado o dinheiro de nós todos. Foram gastos milhões de euros e milhões de dólares no mundo inteiro, para tapar os buracos das dividas privadas” – salientou.
Transferiram as dividas para o nosso encargo
“A segunda fase da operação foi transferir essas dívidas, que eram privadas, para os orçamentos do Estado. Os privados que fizeram roubos, que deviam, deixaram de ter essas responsabilidades, pagando alguma coisa como aqueles quatro mil milhões do BCP e do BPN. Poderá ser que paguem qualquer coisa, mas se não pagarem, também não há problema», acrescentou.
“Transferiram as dividas para o nosso encargo e agora estamos convocados para as pagar. Eles ficaram com as contas saldadas.” – referiu Carvalho da Silva.
Carvalho da Silva, sublinhou como as coisas estão – “eles acham que podem fazer tudo e mais alguma coisa”, acrescentando, que – “se puderem desviar o dinheiro que estava destinada às grandes infraestruturas para os cofres deles. Eles ficam com ele”.
“É aqui que está o ataque ao Estado Social” – sublinhou.
Não há governação para aquilo que é o interesse público
Referiu que as estratégias que estão em curso para a moeda única europeia – “são inimigas do Estado Social, como nós o concebemos e para o qual trabalham os sindicatos”.
Carvalho da Silva sublinhou que “não há governação para aquilo que é o interesse público a sério”, porque, disse, “anda tudo ao sabor da especulação financeira que continua a dominar a economia”.
Salientou, que o “valor de circulação financeira”, na 1ª semana de Junho, no mundo, foi “83 vezes superior à circulação de mercadorias”.
Despem as pessoas de direitos
Carvalho da Silva salientou que “continuam a apoderar-se do dinheiro do Estado”, afirmando, com “cinismo” que “querem retirar a gordura ao Estado”.
“Roubam, saqueiam, milhões e milhões e depois, o Estado está gordo” – sublinhou.
Neste momento, salientou Carvalho da Silva, as propostas são – “reduzir a retribuição do trabalho, tornar tudo provisório, não se responsabilizarem na criação de emprego”.
“Despem as pessoas de direitos e depois dizem é melhor ter qualquer coisinha, do que não ter nada” – referiu.
Salientou que o governo quer «eliminar o direito de subsídio de desemprego, o direito de protecção social» para depois «apresentar propostas precárias e dizerem que é melhor do que não ter nada».
Colocar o emprego no centro
Carvalho da Silva, sublinhou que com todas estas politicas o objectivo é atingir «a esperança das pessoas”.
“O objectivo é gerar nas pessoas a ideia que não há espaço, não vai haver condições para um futuro melhor. Estão a incutir nas pessoas a ideia que nós somos todos uma camada de privilegiados e que temos a ambição de ter uma casita com o mínimo de dignidade, ou um carrito, porque isso é um anseio desmedido” – sublinhou o secretário geral da CGTP-IN.
Carvalho da Silva defendeu a necessidade de implementação de politicas que contribuam para “mais crescimento económico” e “colocar o emprego no centro”.
“Isto tem que ser visto local a local, concelho a concelho” e “apostar na reestruturação urbana onde há grandes potencialidades de criação de emprego” – sublinhou.
“A CGTP é uma força aliada das autarquias em muitos dos seus combates” – referiu Carvalho da Silva.













