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Assembleia Municipal do Barreiro assinalou Centenário da RepúblicaComemorar a vitória da Igualdade e da Liberdade

Frederico Pereira, presidente da Assembleia Municipal do Barreiro, sublinhou que a “decadência e o parasitismo do regime monárquico”, assim como “a ausência de politicas sociais”, foram as causas que geraram as lutas de trabalhadores contra o regime.

Rosário Vaz, do Bloco de Esquerda, referiu que - “foi da República que recebemos a herança democrática”.

“A classe política é actualmente encarada como uma família real” – sublinhou Hugo Cruz, do Partido Social Democrata.

Eduardo Cabrita, do Partido Socialista, sublinhou que, em 1910, Portugal eram um país com 70 % de analfabetos, por essa razão, a República consagrou o Ensino Universal obrigatório.
No Barreiro “existia uma Classe Operária que se revia no ideal republicano” – salientou Dulce Reis das CDU.

Carlos Humberto, sublinhou que hoje, comemorar os 100 anos da República é comemorar a vitória da participação popular pela Igualdade, Liberdade e Solidariedade.

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Assembleia Municipal do Barreiro assinalou Centenário da República Comemorar a vitória da Igualdade e da Liberdade

Por Jornal Rostos

No Auditório Municipal Augusto Cabrita realizou-se, ontem à noite, uma Sessão Evocativa do Centenário da República promovida pela Assembleia Municipal do Barreiro.
Frederico Pereira, presidente da Assembleia Municipal do Barreiro, recordou que a realização desta sessão foi aprovada por unanimidade por todas as forças politicas que integram aquele órgão autárquico – CDU, PS, PSD e BE.

Decadência e o parasitismo do regime monárquico

O autarca salientou que a implantação da República foi o “protesto popular” contra o regime monárquico marcado de “vícios e insuficiências” com posições “anacrónicas” que “não respondia às necessidades das populações”.
Recordou que a Monarquia era dominada por “grupos políticos” onde “grassava a corrupção”, para além de Portugal ser “um país dependente do domínio estrangeiro”.
Frederico Pereira sublinhou que a “decadência e o parasitismo do regime monárquico”, assim como “a ausência de políticas sociais”, foram as causas que geraram as lutas de trabalhadores contra o regime.
“A monarquia respondia com a repressão à luta dos trabalhadores” – sublinhou.
O presidente da Assembleia Municipal do Barreiro recordou que no Barreiro a República foi proclamada a 4 de Outubro, num contexto social onde – “os trabalhadores corticeiros estavam em greve há um mês”.

Politicamente a República foi um fracasso

Rosário Vaz, do Bloco de Esquerda, sublinhou que a implantação da República foi “um passo politico que marcou uma viragem”, abrindo as portas à esperança, inspirada na Revolução Francesa.
A deputada do BE, referiu as expectativas que foram criadas pela República e a importância do Partido Republicano que definiu como “o primeiro partido moderno em Portugal”, cuja modelo de organização começava na paróquia, no município e ao nível regional.
Sublinhou que a trilogia da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, era uma “trilogia de esperança progressista” que se opunha à “decadência da monarquia”.
A autarca salientou a aposta da República na promoção da Instrução e Educação.
“Foi da República que recebemos a herança democrática” – sublinhou.
Rosário Vaz referiu que neste período da República também Portugal viveu o “despotismo salazarista” que marcou a “mentalidade nacional”.
“Ontem como hoje, não são as ideais que falham, são aqueles que os implementam” – referiu, acrescentando que – “politicamente a República foi um fracasso”.

A classe política é actualmente encarada como uma família real

Hugo Cruz, PSD, recordou que Portugal é um país com 900 anos de história, que descobriu novos mundos para o mundo.
Salientou que no mundo de hoje existem diversas Monarquias, onde a família real é um factor de coesão social.
“A Monarquia é o melhor de todos os regimes políticos, quando se é Rei” – sublinhou.
O autarca salientou os valores da República, onde os governantes são eleitos por todos os eleitores e também por ser um regime marcado pela laicidade do estado.
Hugo Cruz, referiu que a República foi marcada pela existência de partidos que entre si geravam a alternância, sublinhando – “parece que a história se repete”.
Neste contexto, sublinhou que hoje – “existem novas formas de famílias reais”, e, também “um Estado que se serve dos cidadãos em vez de os servir”.
“A classe politica é actualmente encarada como uma família real” – sublinhou.
O autarca social democrata salientou que – “A República não é um fim em si mesmo” e referiu a necessidade de aprofundar a democracia, a Liberdade e a pluralidade de opinião.
“A nossa República está doente, mas não está morta” – sublinhou.

O município está no pensamento ideológico Republicano

Eduardo Cabrita, PS, começou por referir que no 5 de Outubro, como no 25 de Abril – “o povo tomou o destino da pátria nas suas mãos”.
“O povo muda o curso da história” – sublinhou.
Recordou a importância do Poder Local, salientando a importância da conquista da Câmara Municipal de Lisboa, em 1908, pelos Republicanos, que foi um meio para – “afirmar a capacidade de governação dos Republicanos”.
O autarca socialista referiu que no Barreiro, em 4 de Outubro, os barreirenses – “afirmaram a vontade de mudança”.
Recordou que o regime salazarista tudo fez para criticar a República, no entanto, alertou para a necessidade de actualmente ser importante “compreender os sucessos da República” e também “os seus fracassos”.
Recordou que quando foi implantada a República, em 1910, apenas existiam duas Repúblicas na Europa – França e Suíça.
Eduardo Cabrita salientou o legado da República: primeiro o principio democrático, que todos os homens nascem iguais em direitos; segundo o principio da participação; terceiro o principio da autonomia - “o município está no pensamento ideológico Republicano”.
Referiu que a República legislou sobre o direito à greve e direito da família – “eram leis progressistas”.
O autarca socialista recordou os “insucessos da República”, nomeadamente a instabilidade política; a situação crónica de desequilíbrios financeiros; as limitações na afirmação dos direitos políticos, assim como anticlericalismo.
Sublinhou que Portugal eram um país com 70 % de analfabetos, por essa razão, a República consagrou o Ensino Universal obrigatório.
Eduardo Cabrita, a finalizar, sublinhou o facto de o Barreiro, actualmente, ultrapassar os níveis europeus na capacidade de resposta em creche, e, relevou o facto de no dia 5 de Outubro, em todo o país serem inauguradas 10 escolas, salientando que estes são exemplos que podem ser enquadrados no “legado ideológico republicano”.

Existia uma Classe Operária que se revia no ideal republicano

Dulce Reis, CDU, referiu que o regime Monárquico prepotente que contribuía para que o povo português vivesse –“em condições sub-humanas”, foi substituído pela República que trouxe – “um ideal de Liberdade”.
Recordou que os Republicanos prometeram às mulheres igualdade de direitos mas não cumpriram.
Dulce Reis, salientou que o Barreiro em 1910 estava na linha da frente na luta pela implantação da República, existindo diversos Centros Republicanos e Centros Socialistas, onde era “desenvolvida uma intensa actividade politica”.
“Existia uma Classe Operária que se revia no ideal republicano” – sublinhou.
“Vivemos hoje tempos difíceis, tal como há 100 anos” – referiu Dulce Reis, acrescentando que hoje é preciso continuar – “a lutar por melhores condições de vida”.
A autarca da CDU salientou que actualmente – “o povo português enfrenta a mais profunda ofensiva” contra os seus direitos.

Sem este povo não teria havido estas mudanças em Portugal

Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, referiu a importância de nos tempos de hoje, mais que comemorar um facto histórico, ou até os valores e princípios republicanos, o fundamental, será viver as comemorações do centenário da República como parte de – “um processo de aspirações”.
O autarca salientou que é essencial comemorar com um sentido de futuro, visando a – “continuação e aprofundamento de tal facto histórico e saber prosseguir”.
Carlos Humberto referiu que a Revolução Republicana – “não é um processo acabado”, é necessário continuar a avançar e continuar no futuro.
O presidente da Câmara Municipal do Barreiro estabeleceu um paralelo entre a Revolução de 1910 e a Revolução do 25 de Abril, porque ambas envolveram os militares e o povo.
Salientou que, quer numa revolução, quer noutra, o povo foi decisivo, ao sair para as ruas, ao gerar amplos movimentos de massas, que transformaram o que podia ser apenas num golpe de estado, numa revolução.
Carlos Humberto, sublinhou que hoje, comemorar os 100 anos da República é comemorar a vitória da participação popular pela Igualdade, Liberdade e Solidariedade.
Sublinhou, ainda, que o 25 de Abril recuperou estes valores da Revolução Republicana.
“Sem este povo não teria havido estas mudanças em Portugal” – salientou
O autarca referiu a importância de comemorar, hoje, “o 5 de Outubro das pessoas”, para “dar um conteúdo real para a República” – “a nossa República de Abril” – da Liberdade, Igualdade, Fraternidade, Participação e Progresso.

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