Júlio Freire, Provedor da Santa Casa da Misericórdia do BarreiroMisericórdia vive um momento de grande dinamismo
Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro sublinhou que é necessário – “repensar toda a lógica com que se faz o trabalho social”, referindo que é essencial “ir às causas, ir ao desemprego”.

Por Jornal Rostos
Alves Pereira, Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Santa Casa da Misericórdia do Barreiro, abriu a Sessão Solene, começando por salientar o contributo do Governo na implementação do projecto da instituição, que está em curso, a Unidade dos Cuidados Continuados, igualmente referenciou a inauguração da Creche em Palhais, sublinhando o contributo da Câmara Municipal do Barreiro que fez a doação do terreno.
O Presidente da Mesa da Assembleia Geral, agradeceu a presença de Helena André, Ministra do Trabalho e da Solidariedade Social, referenciando que o Governo dá contributos significativos à Santa Casa da Misericórdia do Barreiro, por outro lado, saudou Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, classificando-o como “um amigo da Santa Casa”, cuja acção na autarquia caracterizou como sendo de “empenho e preocupação pela Santa Casa”.
Misericórdia do Barreiro vive um momento de grande dinamismo
Júlio Freire, Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Barreiro, sublinhou que o aniversário da instituição é uma “festa de grande significado para todos nós e para a população do Barreiro”.
Referiu que a Santa Casa da Misericórdia do Barreiro vive “um momento de grande dinamismo”, tendo inaugurado, hoje mesmo, a Creche Rainha D. Leonor, em Palhais, um investimento superior a um milhão de euros, comparticipado em 50% pelo Governo, construída em terreno cedido pela Câmara Municipal do Barreiro.
Salientou a construção da Unidade de Cuidados Continuados, um projecto que “vai marcar a cidade”, um investimento que ronda os 3 milhões e 500 mil euros; a implementação da Unidade de Inserção, um investimento de 300 mil euros.
Crise está a atingir famílias que não era hábito
Júlio Freire, salientou que “no Barreiro há pouco problema de fome”, acrescentando que “raramente vejo pessoas à roda de contentores”.
“Isso deve-se à acção da Santa Casa da Misericórdia do Barreiro” – sublinhou, referindo que diariamente são dadas refeições a 150 pessoas.
O Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Barreiro salientou que a “crise vai ser forte” e já está a “atingir famílias que não era hábito”.
Neste contexto lançou um apelo às empresas e à comunidade barreirense para que ajudem a Santa Casa da Misericórdia – “a ajudar que um nosso irmão tenha pelo menos uma refeição”.
Júlio Freire, chorou, e, de lágrimas nos olhos, salientou – “Choro, porque me habituei a ver pessoas chorar à minha frente, que não têm nada e vêm pedir”.
A encerrar a sua intervenção, Júlio Freire, sublinhou – “Eu sou muito feliz por ser Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Barreiro”.
Uma nova perspectiva de solidariedade social
Carlos Humberto, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, salientou que são poucas as instituições que no país podem orgulhar-se de contar com 450 anos de vida – “de tão longa história”, que passou “múltiplos quadros políticos e culturais”, desde o reinado de D. Sebastião.
O autarca salientou que o 25 de Abril de 1974 mudou politicamente e introduziu uma nova perspectiva de solidariedade social.
Recordou que as Misericórdias perduram, na história, “perante as insuficiências” de encontrar respostas para as causas que geram os problemas sociais, as situações de “fragilidades sociais”.
O autarca salientou que “não se pode falar do papel das Misericórdias” sem “falar do papel do Estado na área social”.
Recordou que são as causas que geram os efeitos e que se “confundem as causas com os efeitos”.
Repensar toda a lógica com que se faz o trabalho social
O presidente da Câmara Municipal do Barreiro, lançou um desafio, visando a “integração de vontades”, para em conjunto a autarquia, as IPSS’s, a Santa Casa, todos “trabalharmos em conjunto para irmos mais longe”, porque, sublinhou são muitas as carências.
Carlos Humberto sublinhou que é necessário – “repensar toda a lógica com que se faz o trabalho social”, referindo que é essencial “ir às causas, ir ao desemprego” e, neste contexto, sublinhou que tem que existir maior relevo da Administração Central.
“O esforço que se desenvolve não responde com soluções” – sublinhou, porque “são uma gota de água num Oceano”.
Santa Casa com a sua acção é um exemplo
O presidente da Câmara Municipal do Barreiro sublinhou que nestes dias foram dadas passos importantes, com a inauguração de novos equipamentos sociais no concelho do Barreiro, referindo, igualmente, os empreendimentos da Santa Casa da Misericórdia do Barreiro.
“Mas são passos insuficientes” – salientou.
Carlos Humberto, referiu que “há muito ainda por fazer”, e, que a Santa Casa com a sua acção é um exemplo, do muito que tem sido feito em colaboração com a autarquia – “o muito que vamos continuar a fazer”.
O autarca ofereceu para assinalar o aniversário, uma Muleta em prata, que entregou ao Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Barreiro.
Misericórdias são parceiros incontornáveis do Poder Central
Helena André, Ministra do Trabalho e da Solidariedade Social, sublinhou que a Santa Casa da Misericórdia do Barreiro ao longo dos seus 450 anos de vida “acompanhou os mais fracos e os mais necessitados”, sendo um exemplo de “práticas de solidariedade social”.
Referiu que a Santa Casa do Barreiro tem no terreno o desenvolvimento de projectos “ambiciosos” e que dão respostas em muitas vertentes – Creches, Lar de Idosos, Cuidados Continuados, Apoio Domiciliário.
A Ministra do Trabalho, salientou que “as Misericórdias são parceiros incontornáveis do Poder Central” na aplicação de políticas sociais.
Misericórdia do Barreiro recebe 2 milhões de euros anuais
“A Santa Casa da Misericórdia do Barreiro conta com o Governo como parceiro” – referiu Helena André, salientando que existe um “Acordo de Cooperação” para apoiar mais de 400 pessoas da comunidade, recebendo anualmente a instituição do Barreiro 2 milhões de euros.
“O Estado é um parceiro interventivo” – sublinhou.
Poder Local no Barreiro é um exemplo
A Ministra do Trabalho e da Solidariedade Social, referiu que a Santa Casa da Misericórdia do Barreiro também conta com “o apoio do Poder Local”.
Helena André referiu que o Barreiro é um exemplo, uma terra onde a Câmara demonstra como pode ser efectuada a “participação do Poder Local” na resolução de problemas de solidariedade social.
A ministra referiu que no Barreiro há “formas efectivas e reais” de acção, existem “parcerias que põem as partes a cooperar”.
Integrar o Poder Local na rede de solidariedade social
Helena André salientou a importância do Programa PARES e do Programa Operacional de Potencial Humano, que contribuíram para dar respostas que são de qualidade, com reflexos na economia local, gerando 10 mil postos de trabalho no país.
A Ministra do Trabalho e da Solidariedade Social sublinhou que na actual situação – “vamos ser chamados a fazer sacrifícios”, por essa razão, referiu que é necessário uma “distribuição mais criteriosa e rigorosa dos recursos disponíveis para a solidariedade social”.
Helena André, salientou a necessidade de ser efectuada uma avaliação de tudo o que existe no terreno – “temos cada vez mais de qualificar a nossa cooperação e não perder de vista a sustentabilidade”.
A Ministra do Trabalho e da Solidariedade Social defendeu a necessidade de integrar o Poder Local na rede de solidariedade social.
Helena Andre, a encerrar sublinhou a obra realizada pela Santa Casa da Misericórdia do Barreiro de “grande orgulho” para o Barreiro e que “ultrapassa o Barreiro” tendo a sua acção “dimensão nacional”.
Uma jarra pintada à mão por Emilia Engrossa
Antes de encerrar a sessão, Alves Pereira, Presidente da Mesa da Assembleia Geral, saudou a presença de Manuel de Melo Champalimaud, neto de Manuel de Melo, um benemérito da Santa Casa que deu um contributo essencial para a construção do antigo Hospital do Barreiro, onde actualmente funciona a Santa Casa da Misericórdia do Barreiro.
O Provedor Júlio Freire ofereceu aos membros da Mesa Manuel Malheiros, Governador Civil de Setúbal; Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro; Jorge Morais, investigador, e, Helena André, Ministra do Trabalho e da Solidariedade Social, uma jarra pintada à mão por Emilia Engrossa.
Não há diferenças de há 400 anos
De referir que, no decorrer da sessão Jorge Morais, escritor e investigador, fez uma palestra sobre as raízes históricas e ideológicas das Misericórdias, no mundo, na Europa, em Portugal, e, sobre o percurso da Misericórdia do Barreiro.
Na sua intervenção sublinhou que nos tempos de hoje, marcados pela “socialização da miséria”, onde “os novos pobres são originários do mundo dos “novos ricos”, este é um tempo marcado pela “pobreza envergonhada, onde “não há diferenças de há 400 anos”, por essa razão, salientou, as Misericórdias, que substituem o papel do Estado, continuam a ser “um património que não pode ser ignorado”.
BREVE REGISTO DA ACTUAÇÃO DO GRUPO ANIMAE VOX













