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Perspectivas

Carlos Humberto, Presidente da Câmara Municipal do BarreiroAssociar o IMI a questões de ordem social parece-me desajustado

Rui Ferrugem, CDU,sublinhou que – “retirar receitas é criar dificuldades acrescidas para manter a qualidade global dos serviços municipais”.

“Somos realistas, podendo este ano, existir um corte de verbas do Estado para as autarquias”, referiu Isidro Heitor, PS, por essa razão, considerou que são correctas as propostas de Taxa apresentadas pela Câmara Municipal do Barreiro.

Bruno Vitorino, PSD, sublinhou que – “a Câmara Municipal do Barreiro cobra demasiado aos barreirenses”.
“O IMI é um instrumento de estratégia politica, já percebi que não existe na politica da CDU” – referiu.

“Não podem ser os munícipes a colmatar as dificuldades do Executivo” – referiu Humberto Candeias, do Bloco de Esquerda.

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Carlos Humberto, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro Associar o IMI a questões de ordem social parece-me desajustado

Por Jornal Rostos

O Vereador Carlos Moreira, informou a Assembleia Municipal do Barreiro sobre a proposta da Câmara Municipal relativa à Taxa de Imposto Municipal sobre Imóveis – IMI – para 2011.
Referiu que era de 0,4% nos prédios urbanos avaliados nos termos do CIMI, de 0,7 % nos restantes prédios urbanos que ainda não foram avaliados, de 0,8 % nos prédios rústicos.
O autarca sublinhou ainda que em relação a estes valores existem minorações e majorações, algumas que já tinham sido concretizadas o ano passado, outras que foram criadas de novo.
Em termos de majorações, existem três, uma de 30%, para prédios urbanos degradados; de 100% para prédios urbanos devolutos; de 200% para prédios urbanos em ruínas.
As minorações vão desde 30% até à isenção, contemplam prédios reabilitados, no Barreiro Antigo, contemplam prédios arrendados e é alargada a área das minorações a zonas até aqui não abrangidas, nomeadamente: Coina, Palhais, Santo António da Charneca e do Lavradio.

Propostas do BE e PSD

O Bloco de Esquerda apresentou uma proposta para que o IMI a aplicar a prédios urbanos avaliados fosse de 0,3%, prédios urbanos não avaliados 0,6%.
O PSD apresentou a proposta de 0,8% para prédios rústicos, 0,675% para prédios urbanos e 0,35% para prédios urbanos avaliados nos termos do CIMI.
Noutra proposta o PSD, apontava a eliminação da majoração do IMI nas zonas do Barreiro Antigo.

Câmara Municipal do Barreiro cobra demasiado aos barreirenses

Bruno Vitorino, PSD, defendeu a proposta dos sociais democratas sublinhando que – “a Câmara Municipal do Barreiro cobra demasiado aos barreirenses”. e sublinhou que a aplicação do IMI dever ser inserida numa estratégia global.
“O IMI é um instrumento de estratégia politica, já percebi que não existe na politica da CDU” – sublinhou.
Referiu que hoje no Barreiro – “há pobres envergonhados” e sublinhou que – “a classe média está bastante penalizada com impostos”.
“Aqui não temos preocupações sociais, mas exigimos aos outros” – salientou o deputado social democrata, acrescentando – “a nossa proposta tem essa preocupação social”.

Não podem ser os munícipes a colmatar as dificuldades do Executivo

Humberto candeias, BE, salientou que tem sido posição do seu partido exigir que a aplicação destes impostos não seja apenas para arrecadar receitas – “deve inserir-se numa estratégia de reabilitação urbana”.
Recordou que o BE tem vindo a colocar a necessidade de – “existir um aprofundamento das minorações e das majorações”, vendo com agrado o facto de a proposta da Câmara caminhar nesse sentido, quando, ao longo do tempo, disse – “fomos apelidados de alguma ingenuidade e voluntarismo”.
O autarca salientou que tem existido um constante aumento de receitas do IMI, IMT e Derrama, dando como exemplo que em 2003 as receitas foram de 3800 milhões de euros, atingindo os 10 milhões em 2009.
“Num momento de crise é importante acautelar, devido a situações de empobrecimento” – sublinhou.
Humberto Candeias reconheceu as dificuldades de obtenção de receitas pela Câmara que - “vão sofrer no próximo ano um corte de 1 milhão de euros” – disse.
“Não podem ser os munícipes a colmatar as dificuldades do Executivo” – referiu o deputado do Bloco de Esquerda, acrescentando que a proposta que o BE apresentou era idêntica àquela que a CDU apresentou em Lisboa.

IMI nunca tivemos a taxa máxima

Rui Ferrugem, CDU, referiu que o IMI em todas as Câmaras é a principal receita, exceptuando as transferências do Estado – “obedece ao que foi aprovados com os votos do PS e PSD”.
“A oposição do Barreiro parece que considera uma coisa incómoda, mas este município não faz mais que os outros fazem” – disse.
Recordou que nos últimos oito anos o Executivo manteve sempre a mesma taxa de IMI – “nunca tivemos a taxa máxima”.
O autarca salientou que não é correcto estar a baixar 0.1%, que, na prática isso significa 50 a 80 euros.
O deputado da CDU sublinhou que – “retirar receitas é criar dificuldades acrescidas para manter a qualidade global dos serviços municipais”.

Em oito anos o IMI subiu mais do dobro

Isidro Heitor, PS, referiu que o IMI é o mais importante imposto municipal com “significativo impacto nas famílias barreirenses”.
Na sua opinião a discussão desta matéria pressupõe – “ponderação, realismo e algum bom senso político”.
Referiu a necessidade de receitas municipais para sustentar as obras, mas, sublinhou também está em causa a situação dos contribuintes.
“Está-se a pedir sacrifícios aos barreirenses sem as devidas contrapartidas” – sublinhou, apelando ao investimento em áreas que promovam a qualidade de vida.
Isidro Heitor, recordou o aumento das receitas do IMI que tem tido um aumento sustentado – “em oito anos o IMI subiu mais do dobro”.
“Em 2009 subiu mais 347 mil euros em relação ao que estava Orçamentado” – disse.
Segundo Isidro Heitor existem razões que justificam uma redução da proposta do IMI no concelho do Barreiro, salientando a descida da taxa de juros da divida e referindo que grande parte das obras realizadas no concelho foram suportadas por promotores privados.
Recordou que o concelho continua a perder população e que é necessário estimular o Mercado da Habitação, que está paralisado no concelho.
“O PS é um partido responsável e um partido com opção de poder, pretende ter um papel positivo e construtivo, quer seja Governo, quer seja na oposição” – disse.
Isidro Heitor, salientou que a proposta da Câmara tem aspectos positivos, nomeadamente, nas isenções, minorações e majorações.
“Somos realistas, podendo este ano, existir um corte de verbas do Estado para as autarquias”, por essa razão, o autarca socialista considerou que são correctas as propostas de Taxa apresentadas pela Câmara Municipal do Barreiro.

IMI é uma matéria onde fomos evoluindo

Carlos Humberto, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, começou por referir que a autarquia tem evoluído nas suas propostas com o contributo da Assembleia Municipal do Barreiro.
“O IMI é uma matéria onde fomos evoluindo, tendo em conta os conjuntos de sugestões que nos foram dadas. Reconheço esse papel da Assembleia”- referiu.
O autarca sublinhou que não teve preocupações com a origem das sugestões, porque o mais importante, disse – “é tomar decisões ajustadas ao desenvolvimento do concelho”.
Referiu que as majorações são para aplicar em todo o concelho do Barreiro, perspectivando que a aplicação irá incidir, em primeiro lugar, aos prédios com obras intimadas, cerca de 70 no concelho.
Sobre as minorações, recordou que em 2009 e 2010 foram aplicadas em 8 prédios.
O presidente da Câmara Municipal do Barreiro referiu que a proposta do PSD iria dar origem a uma perda de receita na ordem dos 530 mil euros – o PSD referiu que correspondia a 250 mil euros - quanto à proposta do BE significava a perda de 1 milhão e 304 mil euros.
Carlos Humberto referiu que associar o IMI a questões de ordem social – “parece-me desajustado”.

As duas propostas apresentadas pelo PSD foram reprovada com os votos contra da CDU, PS e BE.
A proposta do BE foi reprovada com os votos contra da CDU, PS e PSD.
A proposta da Câmara foi aprovada com os votos da CDU e PS, tendo os votos contra do PSD e BE.

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