Maria Barroso no Barreiro«A casa é um dos lugares mais perigosos da sociedade moderna»
“A violência na família é uma doença endémica” – salientou, acrescentando que esta é uma herança de “um passado obscuro”.
Na actual crise social, referiu a Presidente da Fundação Pro Dignitate – “o problema da violência toma aspectos preocupantes”, registando-se um “aumento da exploração do trabalho”, e, “a prostituição cresce assustadoramente”.

Por Jornal Rostos
O Centro Hospitalar Barreiro Montijo promoveu, hoje, para assinalar o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres uma Conferência que contou com a presença de Maria Barroso, Presidente da Fundação Pro Dignitate.
Todos temos o dever de amar a democracia
Maria Barroso, na sua intervenção começou por recordar os tempos que visitou o Barreiro, acompanhando o Coro Lopes Graça, e, as suas participações, declamando poesia, que era a forma de – “expressarmos indignação” contra um regime “não democrático”.
Sublinhou que hoje vivemos em “liberdade e democracia” mas, alertou, “todos temos o dever de amar a democracia, porque não podemos voltar para trás”.
Neste tempo de crise, referiu – “temos que dar as mãos para vencer as dificuldades”.
Há muitas mulheres mal tratadas
Maria Barroso, entrando no tema da conferência salientou que, nos tempos actuais, “a violência doméstica ganhou visibilidade”, referindo – “quer há muitas mulheres mal tratadas e muitas que são vitimas de maus tratos”.
A casa é um dos lugares mais perigosos da sociedade moderna
Recordou que, ao longo de décadas, movimentos de mulheres, têm desenvolvido muitas acções com o objectivo de valorizar os direitos das mulheres.
Lembrando que, não muito longe, mas no ano 1970, ainda um em cada quatro homens, considerava que – “podia bater na mulher”.
Maria Barroso, sublinhou, que “a casa é um dos lugares mais perigosos da sociedade moderna”, - afirmou.
Violência na família é uma doença endémica
Maria Barroso, referiu que a “violência especifica contra as mulheres tem que ser vista como uma desigualdade de poder e de estatuto da mulher na sociedade”.
Porque, sublinhou – “a violência exerce-se contra os mais fracos”.
“A violência na família é uma doença endémica” – salientou, acrescentando que esta é uma herança de “um passado obscuro”.
“Nega-se atribuir a ambos os sexos os mesmos direitos e dignidade” – afirmou.
Maria Barroso recordou que existem aprovadas Resoluções e foram realizadas muitas Convenções sobre os direitos das mulheres – “que os políticos não respeitam”.
Cumprimento de direitos de todas as mulheres e crianças
“A violência todos os dias continua a exercer-se contra as mulheres e contra as crianças, no domínio privado” – referiu Maria Barroso.
“Erradicar a violência não é apenas para ajudar a secar as lágrimas, é reclamarmos o cumprimento de direitos de todas as mulheres e crianças” – salientou.
Problema da violência toma aspectos preocupantes
Segundo Maria Barroso, ao nível penal, a sociedade portuguesa, “ainda não chegou a um sentimento ajustado da avaliação da violência”, apesar de desde 1993, existir uma Declaração Internacional que define violência como – “qualquer acto que cause danos ou sofrimentos físicos, sexuais ou psicológicos”.
Na actual crise social, referiu a Presidente da Fundação Pro Dignitate – “o problema da violência toma aspectos preocupantes”, registando-se um “aumento da exploração do trabalho”, e, “a prostituição cresce assustadoramente”.
A finalizar, parafraseando Paulo VI, lançou o apelo para que todos contribuam - "para a resolução destas práticas tão graves que afectam a nossa socieddae" e, que, no futuro, sejamos capazes de edificar "uma civlização do amor, uma sociedade do amor".













