PS Barreiro acusa CDU de fazer uma «gestão sem horizonte»Decisões do Executivo para 2011 não agradam ao Partido Socialista do Barreiro

Por Jornal Rostos
A líder do PS Barreiro, Madalena Alves Pereira, recordou o facto do partido que representa ter revelado, em Novembro passado, a intenção de aplicar no município um “orçamento participativo” em detrimento do que considera ser praticado pelo partido comunista.
Neste sentido, a responsável partidária reforçou que “é pública a posição da CDU Barreiro” quanto à “rejeição” do modelo de participação proposto. Para além disso, Madalena Alves Pereira lamenta que “nenhuma proposta de trabalho” tenha sido atempadamente disponibilizada aos membros do partido socialista. “O documento chegou cinco dias antes da Reunião de Câmara, prazo normal de entrega de qualquer proposta, ou seja, não nos pudemos pronunciar sobre o mesmo”, disse.
Aos jornalistas, a representante do partido socialista recordou ainda que, à semelhança de outras câmaras municipais e tendo em conta o contexto de crise económica, seria necessária a aplicação de um plano de contenção de despesas camarárias. Esta proposta, recordou a representante, “já tinha sido apresentada em 2010 e agora, em 2011, voltou a ser referida”. “No entanto, isso não aconteceu e este orçamento continua a não ter nenhuma nota relativamente a um plano de contenção de despesa. Não há uma explicação do que foi ponderado ser cortado, excluído, reduzido e adaptado em função de uma nova realidade de gestão”, disse.
Orçamento Municipal aprovado com votos contra do PS
A representante do partido socialista lembrou que o Orçamento Municipal, aprovado com votos contra do PS, representa “um aumento da despesa corrente de 0,08 por cento”. “Todas as dúvidas que tínhamos relativamente à falta de contenção de despesas ficaram espelhados nestes números”, acrescentou.
Já no que diz respeito ao investimento, Madalena Alves Pereira, afirmou que o mesmo é “praticamente inexistente” e feito “sem qualquer perspectiva de futuro”. “Com efeito, o Plano de Investimento, que há muito vê contemplada a lei da plurianualidade, não tem qualquer continuidade nos três anos subsequentes ao presente”, explicou.
A presidente da Comissão Concelhia do PS Barreiro lamentou ainda a “indiferença” da CDU relativamente à reabilitação urbana. “Os bairros históricos e os núcleos mais antigos da cidade vão definhando até que a ruína os alcance”, disse.
Neste sentido a responsável partidária referiu, a título de exemplo, a verba de 100 euros para o RECRIA que, considera ser, uma “manobra financeira sem qualquer objectivo real”. “Esta verba é única para o objectivo do Plano denominado ‘Barreiro Antigo e Bairro das Palmeiras’”, explicitou.
Madalena Alves Pereira garantiu que, quer as Grandes Opções de Plano para 2011, quer o próprio Orçamento Municipal, “desprezam o desenvolvimento económico do concelho”. “Não há identificação de acções específicas para apoio aos agentes económicos”, justificou.
“O PCP continua a defender o centralismo democrático como forma de gestão”
Amílcar Romano, vereador socialista na Câmara Municipal do Barreiro (CMB), revelou a sua preocupação relativamente “à forma como o Executivo persiste em gerir os recursos financeiros e humanos da parte da CMB”. O autarca acredita que o PCP “continua a defender o centralismo democrático” como forma de gestão, facto que, é incompatível “com os problemas de hoje”. “Não há mudanças, alterações de comportamento mediante as dificuldades e os problemas com que nos confrontamos”, disse.
Amílcar Romano acredita também que compete à CMB ressalvar estratégias de intervenção nas áreas sociais. No entanto, salienta, “este Orçamento reflecte o contraste, a contradição com a defesa destes valores”. “Os departamentos da educação, intervenção social, desporto, associativismo e da cultura, são aqueles que reflectem o maior corte objectivo neste orçamento”, apontou.
O autarca vai mais longe e garante que o corte nestes departamentos é “superior a 1 milhão e 200 mil euros”. “Quando o presidente, Carlos Humberto, insiste que nenhuma rubrica de intervenção social teve qualquer corte, é o contrário. Ou seja, poucas são as que não tiveram cortes”, afirmou.
“Assumimos que somos oposição”
Também presente neste encontro esteve Eduardo Cabrita, deputado socialista, que salientou ter consciência das “dificuldades que os barreirenses enfrentam este ano”. “O PS Barreiro aposta na transparência na sua forma de afirmação e relação com os barreirenses. Assumimos que somos oposição, mas assumimos também uma estratégia construtiva na criação de soluções”, disse.
Eduardo Cabrita salienta que, em matéria de despesa, a CMB “não tem um plano sustentado até ao final do mandato” que reflicta “a redução das despesas”. No entanto, recorda que, “o Executivo tem uma prática de maximização das suas receitas em que há sacrifícios” os quais “o PS votou favoravelmente”.
“Assumimos que somos oposição, não somos como o PSD que diz que é oposição mas está a tempo inteiro na CMB. Nós estamos disponíveis para compartilhar a responsabilidade política de votar favoravelmente medidas deste tipo”, acrescentou.
No campo do investimento público, o deputado socialista sublinha que o maior investimento feito no Barreiro em 2010, foi a requalificação da Escola Secundária de Santo André (ESSA). Projecto que, recorda, contou com “cerca de 10 milhões de investimento público”. “O que há de positivo no Barreiro deve-se, essencialmente, à acção do Governo”, sublinhou.
O deputado socialista garantiu que, no que diz respeito à relação com o Governo, “o PS tudo fará para que a aposta nas estratégias sociais e na educação tenha continuidade” no concelho. O mesmo no que se refere à defesa dos interesses da região do Barreiro, nomeadamente “em torno de grandes projectos como a Terceira Travessia do Tejo”.
Vanessa Sardinha













