«Violência Doméstica» no Barreiro e Moita«Se não fossem eles já não existia neste mundo»
Laura Pinheiro, Psicóloga Clínica, defendeu a necessidade de serem melhoradas as relações dos projectos de intervenção na violência doméstica com os serviços de Saúde Mental – “devia existir uma linha verde”.
Claudia Moisão, Jurista, sublinhou que os Magistrados que julgam as situações de violência doméstica “deviam ter contacto com o terreno”, porque, disse, “não estão sensíveis para esta problemática”.
Rita Guerreiro, Técnica de Serviço Social, sublinhou que a actual crise social agravou as situações de violência doméstica.

Por Jornal Rostos
O Gabinete de Apoio a Vitimas de Violência Doméstica - Projecto GAV.RUMO (QREN/POPH), realizou no dia 21 de Janeiro, no Moinho de Maré de Alhos Vedros – Moita, o Seminário de encerramento do projecto subordinado ao tema: “Intervenção na Violência doméstica «Que rumo(s)?».
Um evento marcado por momentos de fortes emoções, principalmente quando os membros que constituem a equipa do GAV.RUMO falaram da experiência e do contributo deste projecto nas suas próprias vidas e aprendizagens.
Saúde Mental – “devia existir uma linha verde”.
Laura Pinheiro, Psicóloga Clínica, recordou as situações de “medo” e “incapacidade” para as pessoas vitimas de violência doméstica de “construção do seu próprio projecto de vida” e com “dificuldades em desenvolverem processos de autonomia”.
Referiu que são pessoas que vivem com “um sentimento de culpa”, por pensarem que as situações de violência são fruto das suas incapacidades.
Laura Pinheiro sublinhou o significado desta sua experiência no enriquecimento de sua vida pessoal, e, defendeu a necessidade de serem melhoradas as relações destes projectos de intervenção social com os serviços de Saúde Mental – “devia existir uma linha verde”.
Na sua intervenção sublinhou a importância de serem dinamizadas acções preventivas sobre “violência doméstica” junto dos jovens.
Magistrados deviam ter contacto com o terreno
Claudia Moisão, Jurista, numa intervenção emocionada, ao ponto de sentir as lágrimas a inundar o seu olhar, referiu que a sua acção junto das vitimas de violência doméstica foi direccionada para o aconselhamento jurídico, nomeadamente em situações de divórcio, dividas, e legalidade sobre os filhos, que foram as situações recorrentes.
“Quem não tem intervenção com as vitimas não tem consciência sobre o que é violência doméstica” – sublinhou.
Na sua opinião os Magistrados que julgam estas situações “deviam ter contacto com o terreno”, porque, sublinhou “não estão sensíveis para esta problemática”.
Claudia Moisão, salientou que esta realidade dá origem que existam poucas condenações devido a situações de violência doméstica.
A finalizar referiu a importância do trabalho de equipa do GAV.RUMO, cuja acção foi marcada por uma vontade de “ajudar os outros”.
Crise Social agravou situações de violência doméstica
Rita Guerreiro, Técnica de Serviço Social, sublinhou que nas situações de violência doméstica as questões sociais influenciam, nomeadamente o desemprego e a habitação.
Na sua opinião a actual crise social agravou as situações de violência doméstica.
Rita Guerreiro salientou que a inexistência de vagas em creches dificulta resolução de situações que permitiam a autonomia de vitimas com a integração num projecto de trabalho.
“Se não fossem elas eu já não existia hoje no mundo”
Uma vitima de violência doméstica, após as intervenções das técnicas da equipa, de forma espontânea pediu a palavra para agradecer o apoio que lhe tem sido prestado.
“Fui acolhida por uns dias e agora, são anos de apoio que tenho que agradecer. Devo-vos muito” – referiu.
“Se não fossem elas eu já não existia hoje no mundo” – acrescentou e lançou um apelo – “que o nosso Estado dê apoio a elas para que este projecto não acabe por aqui”.
Não podemos deixar morrer este trabalho
Vivina Nunes, Vereadora da Câmara Municipal da Moita, sublinhou a importância do trabalho desenvolvido pelo GAV.RUMO em cooperação com a autarquia, e, afirmou – “Não podemos deixar morrer este trabalho”.
112 casos de violência doméstica
Recorde-se que no decorrer do Seminário de encerramento do Projecto GAV. RUMO - Gabinete de Apoio a Vitimas de Violência Doméstica, Telmo Torrinha, Coordenador do Gabinete, referiu que no ano 2009 sinalizou 112 situações de violência doméstica, e, no ano 2010 foram registados 88 casos.













