Tomar o café com…Rui Lopo - Barreiro«A Terceira Travessia do Tejo não é o messias para este Plano de Urbanização»

Por Jornal Rostos
Em conversa com o ‘Rostos’, Rui Lopo lamentou o facto de o Barreiro ser um concelho que perde população “de dia para dia”. O PU surge assim numa tentativa de acabar com a crescente perca de população e de levar a que cada vez mais jovens se fixem no concelho e procurem no mesmo os seus postos de trabalho. “O espaço da antiga CUF poderá trazer dinâmicas socioeconómicas para a população. O PU é um espaço que pela sua dimensão comporta uma massa crítica muito grande, são cerca de 600 hectares, ou seja, 20 por cento da massa do concelho”, recorda.
Neste sentido, o autarca considera que a importância deste plano ultrapassa o crescimento e desenvolvimento espacial e económico do concelho, e que oferece também uma “dimensão europeia” necessária à cidade de Lisboa. “Lisboa tem que crescer para Sul dada a importância portuária que aqui temos”, justificou.
Fazer a TTT noutro eixo que não seja Chelas-Barreiro, “era dar outro tiro ao lado”
Relativamente à TTT, Rui Lopo defende que a mesma se localize no eixo Chelas-Barreiro, uma vez que considera ser esta a decisão “mais coerente”. “É onde faz sentido, é onde se apontam os eixos estratégicos. Caso contrário, estaríamos a repetir o mesmo erro do passado e isso era dar outro tiro ao lado”.
“Este é o caminho para se fazer tão depressa quanto possível porque poderemos ter repercussões irreversíveis no tecido social”, acrescentou o autarca.
No entanto, e apesar de reconhecer que a vinda da TTT é imprescindível para o desenvolvimento perspectivado para o concelho e que “o plano está muito agarrado a isso”, o vereador responsável pelo pelouro garante que o PU tem “capacidade endógena para se gerar sem a ponte”. “Será menos atractivo, mas faz-se na mesma. A ponte é muito importante mas não é um factor decisivo”, reforça.
“A ferrovia é o caminho, sendo mais pesada ou mais ligeira”
Para o autarca é necessário apostar no meio de transporte mais económico. “A ferrovia é o caminho. A procura e a pressão sobre os combustíveis fósseis vai aumentar para o dobro em cinco anos e os preços vão subir”, justificou.
Rui Lopo recorda que a alta velocidade surge “não tanto numa lógica de complementaridade” mas sim de “competitividade em termos de transporte”. “Se não aderirmos à alta velocidade comparamo-nos com quem? Portugal irá ficar novamente isolado”, garante.
“É exequível que a ponte Barreiro-Seixal seja feita antes da TTT”
Em conversa com o ‘Rostos’, Rui Lopo afirmou que a ponte Barreiro-Seixal não consta em “nenhuma área do plano”. No entanto, a autarquia reconhece a sua importância para o concelho e, neste sentido, assegurou que “têm sido solicitadas várias reuniões” para que seja feito um ponto de situação da mesma. “É exequível que ela seja feita antes da TTT”, acrescentou.
Já relativamente ao Metro Sul do Tejo, o autarca garante que é um projecto que “está agarrado ao concelho”. “E, ao contrário do que se pensa, os Transportes Colectivos do Barreiro (TCB) só têm a ganhar com a vinda do metro porque potencia o uso dos transportes públicos”, esclareceu.
PU prevê cerca de 15 mil habitantes
A conclusão deste projecto que promete, não só enriquecer e desenvolver o nosso concelho como também trazer Lisboa até ao outro lado da margem, prevê estar concluído “em 18 anos”.
É esperado que o plano comporte uma capacidade habitacional para cerca de “15 mil habitantes” sendo que, “pode ainda responder a mais actividades empresariais e habitacionais” se as mesmas surgirem.
No próximo dia 7 de Março terminam as discussões públicas nas freguesias e no dia 17 do mesmo mês será promovido um debate no Politécnico para discussão do mesmo tema.
Vanessa Sardinha













