Projéctor do Barreiro apresenta «Quem matou Amélie de Port-Salut?»Viver por dentro do texto e por fora do texto...a sorrir!
Uma peça que, certamente vai ser um sucesso e que, desde já, fica um desafio para a autarquia, programar com o Projéctor uma ronda, por todo o concelho, com este espectáculo, para criar público, para proporcionar uma reflexão sobre o teatro e a vida.

Por Jornal Rostos
A peça «Quem matou Amélie de Port-Salut?», encenada por Abílio Apolinário, foi, na verdade, a melhor homenagem que se podia prestar ao teatro no dia que se assinalava o Dia Mundial do Teatro, porque ela colocou o espectador a vivenciar, por dentro, a construção e desconstrução da vida em arte e da arte em vida.
Onde começa o mundo real e recomeça o teatro
Uma peça que nos coloca perante um permanente desafio de descobrirmos e sentirmos – onde começa o mundo real e recomeça o teatro, ou, vice versa, onde começa o teatro e recomeça o mundo real. A fantasia e a ilusão. A realidade e a criatividade.
A passagem de uma situação para outra, no mesmo espaço cénico, numa permanente desdobragem dos actores que fazem e refazem as personagens, com um ritmo intenso, vibrante e hilariante.
Uma peça que decorre em dois tempos, que obriga os actores a permanentes mudanças gestuais, de linguagem e de interpretação.
Manuel Gonçalves e Filipa Domingos foram sublimes no domínio das personagens, conseguem recriar as situações com vitalidade e nunca perdendo a oralidade, nem o dopminio dos personagens. Eles são a força do espectáculo.
O cenário está bem concebido de forma permitir as transformações plásticas, cena a cena, contribuindo para o ritmo do espectáculo e enriquecendo a sua plasticidade.
Umas sonoras gargalhadas
Os diálogos sucedem-se com equilíbrio, divertidos, e, nem a linguagem mais acutilante, que pode chocar os mais puritanos, vai para além da dimensão necessária para dar força à comédia e proporcionar umas sonoras gargalhadas.
Uma peça que nos ajuda a viver por dentro do texto e por fora do texto.
O teatro na sua essência – linguagem, expressividade, dinâmica no espaço.
Foi muito divertida. Uma peça que, certamente vai ser um sucesso e que, desde já, fica um desafio para a autarquia, programar com o Projéctor uma ronda, por todo o concelho, com este espectáculo, para criar público, para proporcionar uma reflexão sobre o teatro e a vida.
A Filipa Domingos apaixona pela sua firmeza e erotismo.
O Manuel Gonçalves diverte pela sua pujança e graciosidade.
O Abilio Apolinário engrandece todo o espectáculo pelo enquadramento estético, que obriga o público a sentir que também tem que agir – desdobrando-se, no olhar e sentir, com a própria desdobragem dos personagens.
Houve teatro no Dia Mundial do Teatro.
O Projéctor arriscou encenar dois espectaculos neste dia, e, o mais que pode dizer-se é que está de Parabéns. Venceu o desafio.
Foram dois belos espectáculos, naturalmente, a comédia mais divertida, e, o drama mais reflexivo, mas, sem dúvida, ambos de bom nível, e, dois exemplos, que permitem afirmar – há teatro no Barreiro!
António Sousa Pereira
Ficha Técnica
«Quem matou Amélie de Port-Salut?»
Autores - Jandira Martini e Marcos Caruso
Encenação - Abílio Apolinário
Actores
Filipa Domingos – Marta, Amélie, Claudette
Manuel Gonçalves – Wlater, Gerard, Chevalier
Tiago Soares - Distribuidor de Pizzas
SINOPSE
«Quem matou Amélie de Port-Salut?», funciona como uma apaixonada declaração de Amor ao Teatro. O jogo teatral está no centro dessa trama atrapalhada e confusa, que não se sustenta com firmeza. Acima da necessidade dos protagonismos de se safarem da armadilha em que estão presos está a deliciosa estrutura cénica que se abre para a troca de identidades, de personagens, de figurinos, de cenários.
A cenografia que vamos ver neste espectáculo é vivida como se estivéssemos no próprio escritório deles, a participar nesta trama vivida pelos actores.
A peça de Martini e Caruso, é também um desafio aos intérpretes Manuel Gonçalves e Filipa Domingos para o constante trabalho de criação teatral, estimulando-lhes a agilidade, o domínio técnico e facilidade de composição de vários tipos.
Como Grupo de teatro que somos vale a pena ver estes dois actores e esta trama bem divertida. Poucas peças do teatro brasileiro têm personagens que apresentam desafios de tal dimensão aos actores.
«Quem matou Amélie de Port-Salut?», é, pois, uma farsa, de uma brincadeira com os géneros teatrais.
Uma comédia bem dinâmica onde um excesso de ritmo parece não ter fim.
«Quem matou Amélie de Port-Salut?», uma comédia de Jandira Martini e Marcus Caruso, com encenação de Abílio Apolinário, pode ser visto nas SIRB «Os Penicheiros», nos dias 9, 16, 23 e 30 de Abril, às 21,30 horas.
No domingo, dia 3 de Abril, será pelas 16 horas.
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