A cultura saiu à rua em Alhos Vedros na MoitaNum encontro onde foi sublinhado ser essencial mudar de atitude
“Uma obra que demonstra um profundo amor à nossa cultura” – referiu Fernanda Gaspar, presidente da Junta de Freguesia de Alhos Vedros.

Por Jornal Rostos
Num ambiente agradável, no espaço exterior do Pólo de Alhos Vedros da Biblioteca Municipal da Moita, decorreu a apresentação do livro “Dez contos de réis e de gente”, de José Luís Ferreira, deputado de “Os Verdes”.
Uma noite amena. Um espaço decorado com sensibilidade, proporcionou um clima familiar e um ponto de encontro com a cultura e com animação musical.
Após um agradável apontamento musical com músicos locais, seguiu-se a apresentação do livro de contos, numa sessão coordenada por Jorge Taylor.
Fernanda Gaspar, Presidente da Junta de Freguesia de Alhos Vedros, apresentou a obra de José Luís Ferreira.
“Esta é uma obra com um conteúdo profundo, onde cada um de nós, ao ler, poderá identificar-se com diversos aspectos do texto e dos personagens, pois é possível revivermos memórias das nossas terras” – sublinhou Fernanda Gaspar.
“Sátira”, “humor” e “paixão”
A autarca sublinhou que a obra de José Luís Ferreira, tem “sátira”, “humor” e “paixão”.
“Uma obra que demonstra um profundo amor à nossa cultura” – referiu, acrescentando que – “o livro identifica-se com o espírito das comemorações do 25 de Abril”.
Fernanda Gaspar salientou que esta obra de José Luís Ferreira, demonstra – “uma opção de defesa dos mais desfavorecidos”.
A autarca referiu que – “um livro desde que deixa de estar na gaveta, passa a conter a visão de cada um de nós, cada um dos leitores que interpreta e tem uma visão sobre o seu conteúdo”.
É essencial nos mundo de hoje mudar de atitude
Carlos Santos, Vereador da Câmara Municipal da Moita, expressou a sua satisfação pelo local e a forma como foi dinamizada a apresentação do livro, porque, sublinhou – “a apresentação de um livro não tem que ser uma coisa chata”.
O autarca sublinhou que o facto do autor ser um homem da politica, é, pois, positivo a sua dedicação à escrita, referindo que - “não é normal que um politico ter tempo e paciência para ler e escrever”.
Carlos Santos comentou o facto de, no mundo actual, sermos excessivamente “formatados” pelos órgãos de comunicação social, que nos retira o sentido critico das coisas e da vida.
Na sua intervenção, citando Mia Couto, deixou sete mensagens que são uma proposta para todos construirmos um “projecto de modernidade”, entre outros aspectos, sublinhou que é essencial que retiremos o “sapato sujo” que nos leva a pensar e agir como se “os culpados são sempre os outros”, e, também, sermos capazes de sentir que o sucesso nasce do trabalho.
Carlos Santos salientou que é essencial nos mundo de hoje “mudar de atitude” e sermos todos “construtores de futuro”.
Referiu estas palavras, como sendo os sentimentos que encontrou na obra de José Luís Ferreira – “aquilo que pensei quando estava a ler”.
O difícil não é escrever
José Luís Ferreira, licenciado em Direito, homem de Trás-os Montes, recordou que desde jovem teve o hábito de escrever prosa e poesia.
Referiu que quando cumpria o Serviço Militar tinha o costume de escrever texto que afixava num mural, e, muitos os seus companheiros de tropa utilizavam-nos para “enviar para as namoradas, era uma forma de partilhar a poesia”.
“O difícil não é escrever. O difícil é ganhar coragem de partilhar com os outros aquilo que escrevemos” – sublinhou.
José Luís Ferreira recordou que foi a motivação de um grupo de amigos e Modesto Navarro, assim como uma conversa com Mia Couto, que colocaram de escrever – “escrever contso, textos curtos, que podia acabar antes de me chatear com eles”.
Expressão das relações entre as pessoas
“Os contos são ficção” – referiu, acrescentando que – “há passagens reais”, sendo através do “contos que procuro retratar as minhas vivências, umas tristes, outras com humor”.
“São texto que podiam ser vividos nos dias de hoje” –salientou.
José Luís Ferreira, recordou que os seus contos são a expressão “das relações entre as pessoas”, que dão “a sua dimensão humana”.
“Não é um livro politico, mas a politica está presente, nessa dimensão humana” – sublinhou.
Após a apresentação da obra seguiu-se um animado convívio, como referiu Jorge Taylor, vivido, ali, na noite de Alhos Vedros – “num espaço de encontro de sons, de leitura e de troca de palavras”.
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