Control Line Portugal – Aeromodelismo em Setúbal«O aeromodelismo é uma actividade excelente para desenvolver a criatividade»
O Rostos esteve à conversa com Amilcar Contente e Jorge Espírito Santo, que nos falaram do Control Line Portugal, o clube de aeromodelismo sediado em Setúbal que junta os amantes do voo circular.
O aeromodelismo é conhecido no meio como um desporto-ciência. Desporto porque tem uma vertente de competição e ciência porque alia à construção dos modelos um conjunto de conhecimentos e ciências tão vastas que passam, por exemplo, pela mecânica dos motores que trabalham a combustível e que podem ser de 2 ou 4 tempos ou recentemente eléctricos, que vem acrescentar a componente eléctrica e electrónica.
O aeromodelismo é conhecido no meio como um desporto-ciência. Desporto porque tem uma vertente de competição e ciência porque alia à construção dos modelos um conjunto de conhecimentos e ciências tão vastas que passam, por exemplo, pela mecânica dos motores que trabalham a combustível e que podem ser de 2 ou 4 tempos ou recentemente eléctricos, que vem acrescentar a componente eléctrica e electrónica.

Por Jornal Rostos
Control Line Portugal - Dar mais força ao voo Circular
«Esta ideia surgiu, acerca de um ano, porque as pessoas que praticavam o voo circular estavam dispersas em vários clubes em Portugal de tal forma que tínhamos pessoas em Braga, tínhamos pessoas no Cartaxo ou em Setúbal e Lisboa e sentimos a necessidade de juntar todos os praticantes do voo circular» sublinhou Amílcar Contente.
Inseridos em clubes onde a grande maioria dos elementos são praticantes do rádio controle, a dispersão fazia com que os apaixonados do voo circular tivessem pouco peso enquanto grupo e assim surgiu a ideia de criar o Control Line Portugal, «pensámos, porque é que não nos tornamos mais fortes e desta forma, fazermos aquilo que mais gostamos da forma que queremos e tendo o grupo num clube só, todas as nossas actividades seriam feitas em simultâneo e seriamos bem mais fortes, até junto da Federação Portuguesa de Aeromodelismo onde teríamos uma representatividade mais robusta» explicou.
Control Line é a designação inglesa de voo circular e a escolha do nome prende-se com o facto do Clube ter maior visibilidade no estrangeiro, do que em Portugal «o nome do nosso clube é muito respeitado lá fora, na França, Inglaterra, Espanha… Nós temos no nosso clube, digamos, as pessoas mais válidas do voo circulara a nível nacional. Temos uma equipa que é medalha de prata no campeonato do mundo no ano passado, e outras equipas andaram sempre no top 10».
Levar a modalidade aos mais jovens.
Para além da vertente da alta competição, que pretendem continuar a alimentar, o clube abriu recentemente uma outra frente de trabalho virada para as camadas mais jovens «não se justifica estarmos a pensar só na alta competição quando não alimentamos o futuro» referiu Amilcar Contente, acrescentando «a vida é um ciclo e desse ciclo faz parte uma evolução que começa pela aprendizagem e é isso que estamos neste momento apostados em fazer». Jorge Espírito Santo defende que o aeromodelismo seria uma ferramenta que deveria ser explorada pelos estabelecimentos de ensino e explica porquê «eu sinto que as escolas têm algumas lacunas e uma delas é a de não puxar pela criatividade das crianças. Por outro lado vejo com uma tristeza que temos hoje resultados tão negativos a matemática, e porquê? Porque é uma disciplina trabalhosa. No meu tempo não havia este sindroma. O aeromodelismo poderia prestar um serviço às escolas neste sentido, introduzindo uma actividade lúdico-desportiva para desenvolver competências em diversas áreas, para manter as crianças activas, puxar pelo seu desenvolvimento intelectual e pela sua criatividade. O aeromodelismo é uma actividade excelente para desenvolver isso e nós estamos disponíveis para colaborar» sublinhou. Amílcar Contente referiu ainda que «um grande problema, hoje em dia, é que há muita informação mas é muito abstracta e associando a teoria à prática o aeromodelismo seria uma escola fantástica nesse sentido».
Aeromodelismo – Um Desporto-Ciência
O aeromodelismo é conhecido no meio como um desporto-ciência. Desporto porque tem uma vertente de competição e ciência porque alia à construção dos modelos um conjunto de conhecimentos e ciências tão vastas que passam, por exemplo, pela mecânica dos motores que trabalham a combustível e que podem ser de 2 ou 4 tempos ou recentemente eléctricos, que vem acrescentar a componente eléctrica e electrónica. Ainda na fase da construção há uma variedade enorme de tecnologias desde as coisas mais complexas, como por exemplo, a utilização de materiais compósitos como o carbono, o kevlar ou as resinas ou a utilização de matérias primas mais comuns como as madeiras, onde temos desde as madeiras nobres, madeiras de densidades muito altas ou muito, muito baixas ou ainda os metais que vão desde os alumínios aos aços. Depois na parte do voo propriamente dito, é necessário saber porque é que o avião voa, como voa como é que se sustenta e não cai. «Há aqui um conjunto de técnicas que são extremamente giras e que fazem parte de um processo de aprendizagem em que a pessoa evolui à sua medida, consoante sente mais vocação para esta ou aquela área e vai assim crescendo dentro do Aeromodelismo. Hoje em dia as crianças e os jovens pensam muito no já feito, no pronto a voar e aqui temos a filosofia de fazermos tudo nós próprios e fazemos ao nosso ritmo à medida das nossas disponibilidades» sublinhou Amílcar Contente.
A paixão pelos aviões
Amílcar Contente teve o primeiro contacto com o aeromodelismo aos 15 anos, «eu fui ver um jogo de futebol, pois o meu irmão jogava nessa equipa, entretanto no meio do jogo comecei a ouvir um barulho estranho. Deixei o futebol e de repente vejo um avião de aeromodelismo a voar e achei muito giro. Eu já tinha visto algumas revistas, sabia da existência do aeromodelismo em Portugal mas nunca tinha conseguido entrar em contacto com ninguém e quando vi aquilo pensei: se está alguém a praticar eventualmente pertence a algum clube e tenho que entrar».
Assim em 1979 entrou para o clube de aeromodelismo da cidade de Setúbal, que ainda existe, onde começou a construir os modelos mais básicos, mas quando aprendeu a voar, sentiu logo o “bichinho” da competição «no voo circular há um pouco esta mística da competição, pois o resultado do nosso trabalho acaba por ser medido sob a forma de competição» Sublinhou.
Foi várias vezes campeão nacional, nas diferentes categorias em que foi participando «comecei primeiro pelas classes de aprendizagem, depois passei para uma classe de acrobacia, depois passei para uma classe de corridas onde fiz um grande percurso e actualmente voltei à acrobacia» referiu.
Com um percurso um pouco diferente, Jorge Espírito Santo começou a sua actividade aeromodelistica na Escola Industrial em Setúbal, no Ciclo preparatório com 11 anos de idade «naquele tempo as escolas tinham diversas actividades desportivas organizadas e fomentadas pela antiga mocidade portuguesa e o aeromodelismo era uma dessas actividades» disse. «Eu, ainda hoje, tenho um espírito criativo e um grande gosto por aprender e por isso apaixonei-me pelos aviões. Comecei a fazer planadores e fui o único campeão nacional de aeromodelismo que aquela escola teve. Depois comecei a ver os motores e comecei a interessar-me pela velocidade e pela adrenalina que é diferente. Fiz corridas de equipas até 1971 e interrompi nesse ano a minha actividade aeromodelistica com a representação de Portugal num campeonato Ibérico. Depois veio o serviço militar, o ultramar, casar, e não havia grande tempo nem dinheiro para continuar». Emigrou várias vezes e quando regressou queria fazer alguma actividade que fosse adequada às suas capacidades físicas voltando a renascer assim o tal “bichinho”, mas desta vez «comecei então a aprender uma coisa nova que é a acrobacia por ser mais pausado e menos exigente em termos físicos». Mas acima de tudo Jorge Espírito Santo sente um enorme prazer em construir «construo os meus próprios modelos e vou procurando aprender e evoluir cada vez mais, e penso que as pessoas apreciam o meu trabalho».
Como está organizado o aeromodelismo?
A Fédération Aéronautique Internationale (FAI) é a organização que regulamenta o desporto aeronáutico mundial. O aeromodelismo encontra-se reconhecido como tal e, portanto, é também abrangido por esta organização através da Comissão Internacional de Aeromodelismo (CIAM) que organizou o Aeromodelismo, dividindo-o em diversas Categorias, das quais se destacam três grupos principais: o voo livre (F1), o voo circular (F2) e o rádio controlo (F3).
No rádio controlo, os modelos evoluem no ar comandados por um rádio. O Voo livre tem várias categorias mas basicamente o modelo voa livremente. No voo circular o modelo descreve círculos, voando numa semi-esfera e depois, de acordo com as categorias tem várias distâncias, pode ser 16 ou 21 metros. O modelo está ligado a um punho. Esse punho tem dois cabos: um de subida e outro de descida; esses cabos vão para o avião onde existe um dispositivo ligado a um leme de profundidade e a um flap. O regime do motor é constante, ou seja escolhe-se o regime ideal e depois quando se liga fica a trabalhar até acabar o combustível. Quando o combustível acaba ele plana.
Dentro do voo circular os praticantes podem ainda escolher uma das classes de acordo com a sua preferência pela Velocidade (F2A), pela Acrobacia (F2B), pelas Corridas de Equipas (F2C), ou pelo Combate (F2D).
Na Acrobacia é necessário um piloto e alguém que segura no avião no momento da descolagem, o ajuda, e de um piloto. O que se pretende é que o modelo faça um conjunto de figuras acrobáticas e o piloto é avaliado pela perfeição dessas figuras. Nas Corridas de Equipas as equipas são compostas por dois elementos, um piloto e um mecânico. O mecânico faz o abastecimento do avião e coloca-o a trabalhar e o piloto voa. O objectivo é completar 100 voltas, se estivermos a falar de eliminatórias, ou 200 voltas se estivermos a falar em finais. Nas 100 voltas dá-se a partida o mecânico coloca o modelo a trabalhar e ele sai, o piloto voa durante 33 voltas sendo obrigatório fazer-se 2 reabastecimentos, ao fim das 33 voltas o modelo vai ao mecânico que o segura na mão, e vai a uma velocidade de 50, 60 Km/h e lá em cima voa a cerca de 2010 Km/h num raio de 16 mts, as ultrapassagens só podem ser realizadas por cima para evitar os acidentes. Há um sistema de injecção de alta pressão que está colocado no braço do mecânico que injecta o combustível para dentro do tanque, coloca-o de novo a trabalhar tudo num espaço de tempo de aproximadamente 2 segundos combinado com a perícia do piloto para desacelerar para a mão do piloto.
Outra categoria é a Velocidade com modelos feitos com regras especiais mas o objectivo principal é a velocidade pura, onde durante um determinado número de voltas os modelos procuram atingir a maior velocidade no menor tempo cronometrado.
No Combate dois aviões combatem um contra o outro. Em cada um encontra-se uma fita na cauda e, numa luta de perícia por parte dos pilotos, tentam cortar a fita do adversário o maior número de vezes possível sendo pontuados de acordo com isso.
O aeromodelismo é uma actividade cara?
«É uma pergunta que toda a gente faz «eu diria que não: é barato» responde Amílcar Contente. «É mais barato do que uma Playstation, custa menos que um telemóvel de gama média. Para terem uma ideia conseguimos comprar, para iniciar, um motor novo a custar cerca entre 40 a 60 euros e consegue-se fazer um avião com 20 €, por isso o preço não é a questão pois existe uma grande diversidade de materiais a preços. Por outro lado como no voo circular os modelos somos nós que os construímos este é também um processo lento e a forma como vamos despendendo o dinheiro é também muito espaçada» sublinhou.
De acordo com este responsável, um avião de complexidade média para uma pessoa que está agora a começar demorará uns 6 meses a construir e por isso «se pensarmos nestes valores repartidos por 6 meses acaba por não ter quase nenhuma expressão. É claro que existem os modelos de topo que podem ir aos 3.000 Euros mas depende sempre daquilo que se quer» refere.
Falta de reconhecimento e apoio à modalidade
Tal como em tantas outras modalidades o aeromodelismo não tem o apoio necessário por parte das entidades oficiais e que começa logo pelos locais para a sua prática «não existe em Portugal espaços com infra-estruturas apropriadas para a prática da modalidade».
Os membros do clube treinam num espaço cedido pela Câmara Municipal de Setúbal no recinto da Feira de Sant´Iago, contudo continuam a insistir na necessidade de instalações próprias adequadas «a questão da pista é importante para dar visibilidade e um maior acesso à modalidade».
Também não existe apoio para as representações das cores nacionais no estrangeiro que fazem com muito brilhantismo, como frisou Amílcar Contente «as pessoas não sabem mas Portugal tem, em aeromodelismo, um vice-campeão do mundo. Tem um record do mundo obtido em 2004. Portugal tem equipas que durante 10 anos consecutivos estiveram sempre no top5 mundial e que, desta forma, conseguimos, para o país, melhores resultados que o futebol ou outras modalidades de grande expansão, com um factor adicional, que é o de corremos por amor à camisola».
A próxima representação será no Campeonato da Europa que se realizará na Polónia na cidade de Czestochowa entre os dias 23 e 30 de Julho de 2011 onde «o objectivo é fazer tocar o hino».
Aos interessados em aderir ao Control Line Portugal, ou apenas conhecer mais sobre, a modalidade, Amílcar Contente deixa as seguintes recomendações «podem aceder ao site http://f2clp.eu5.org/ ou vir ter connosco ao Domingo de manhã no espaço da feira (na zona dos concertos), entre as 9h30 e as 12h. Coloquem as vossas dúvidas, pois estaremos sempre disponíveis para ajudar os que querem agora começar ou os que já praticaram e que querem voltar a praticar. Podem contar connosco» terminou dizendo.
Rui Nobre
«Esta ideia surgiu, acerca de um ano, porque as pessoas que praticavam o voo circular estavam dispersas em vários clubes em Portugal de tal forma que tínhamos pessoas em Braga, tínhamos pessoas no Cartaxo ou em Setúbal e Lisboa e sentimos a necessidade de juntar todos os praticantes do voo circular» sublinhou Amílcar Contente.
Inseridos em clubes onde a grande maioria dos elementos são praticantes do rádio controle, a dispersão fazia com que os apaixonados do voo circular tivessem pouco peso enquanto grupo e assim surgiu a ideia de criar o Control Line Portugal, «pensámos, porque é que não nos tornamos mais fortes e desta forma, fazermos aquilo que mais gostamos da forma que queremos e tendo o grupo num clube só, todas as nossas actividades seriam feitas em simultâneo e seriamos bem mais fortes, até junto da Federação Portuguesa de Aeromodelismo onde teríamos uma representatividade mais robusta» explicou.
Control Line é a designação inglesa de voo circular e a escolha do nome prende-se com o facto do Clube ter maior visibilidade no estrangeiro, do que em Portugal «o nome do nosso clube é muito respeitado lá fora, na França, Inglaterra, Espanha… Nós temos no nosso clube, digamos, as pessoas mais válidas do voo circulara a nível nacional. Temos uma equipa que é medalha de prata no campeonato do mundo no ano passado, e outras equipas andaram sempre no top 10».
Levar a modalidade aos mais jovens.
Para além da vertente da alta competição, que pretendem continuar a alimentar, o clube abriu recentemente uma outra frente de trabalho virada para as camadas mais jovens «não se justifica estarmos a pensar só na alta competição quando não alimentamos o futuro» referiu Amilcar Contente, acrescentando «a vida é um ciclo e desse ciclo faz parte uma evolução que começa pela aprendizagem e é isso que estamos neste momento apostados em fazer». Jorge Espírito Santo defende que o aeromodelismo seria uma ferramenta que deveria ser explorada pelos estabelecimentos de ensino e explica porquê «eu sinto que as escolas têm algumas lacunas e uma delas é a de não puxar pela criatividade das crianças. Por outro lado vejo com uma tristeza que temos hoje resultados tão negativos a matemática, e porquê? Porque é uma disciplina trabalhosa. No meu tempo não havia este sindroma. O aeromodelismo poderia prestar um serviço às escolas neste sentido, introduzindo uma actividade lúdico-desportiva para desenvolver competências em diversas áreas, para manter as crianças activas, puxar pelo seu desenvolvimento intelectual e pela sua criatividade. O aeromodelismo é uma actividade excelente para desenvolver isso e nós estamos disponíveis para colaborar» sublinhou. Amílcar Contente referiu ainda que «um grande problema, hoje em dia, é que há muita informação mas é muito abstracta e associando a teoria à prática o aeromodelismo seria uma escola fantástica nesse sentido».
Aeromodelismo – Um Desporto-Ciência
O aeromodelismo é conhecido no meio como um desporto-ciência. Desporto porque tem uma vertente de competição e ciência porque alia à construção dos modelos um conjunto de conhecimentos e ciências tão vastas que passam, por exemplo, pela mecânica dos motores que trabalham a combustível e que podem ser de 2 ou 4 tempos ou recentemente eléctricos, que vem acrescentar a componente eléctrica e electrónica. Ainda na fase da construção há uma variedade enorme de tecnologias desde as coisas mais complexas, como por exemplo, a utilização de materiais compósitos como o carbono, o kevlar ou as resinas ou a utilização de matérias primas mais comuns como as madeiras, onde temos desde as madeiras nobres, madeiras de densidades muito altas ou muito, muito baixas ou ainda os metais que vão desde os alumínios aos aços. Depois na parte do voo propriamente dito, é necessário saber porque é que o avião voa, como voa como é que se sustenta e não cai. «Há aqui um conjunto de técnicas que são extremamente giras e que fazem parte de um processo de aprendizagem em que a pessoa evolui à sua medida, consoante sente mais vocação para esta ou aquela área e vai assim crescendo dentro do Aeromodelismo. Hoje em dia as crianças e os jovens pensam muito no já feito, no pronto a voar e aqui temos a filosofia de fazermos tudo nós próprios e fazemos ao nosso ritmo à medida das nossas disponibilidades» sublinhou Amílcar Contente.
A paixão pelos aviões
Amílcar Contente teve o primeiro contacto com o aeromodelismo aos 15 anos, «eu fui ver um jogo de futebol, pois o meu irmão jogava nessa equipa, entretanto no meio do jogo comecei a ouvir um barulho estranho. Deixei o futebol e de repente vejo um avião de aeromodelismo a voar e achei muito giro. Eu já tinha visto algumas revistas, sabia da existência do aeromodelismo em Portugal mas nunca tinha conseguido entrar em contacto com ninguém e quando vi aquilo pensei: se está alguém a praticar eventualmente pertence a algum clube e tenho que entrar».
Assim em 1979 entrou para o clube de aeromodelismo da cidade de Setúbal, que ainda existe, onde começou a construir os modelos mais básicos, mas quando aprendeu a voar, sentiu logo o “bichinho” da competição «no voo circular há um pouco esta mística da competição, pois o resultado do nosso trabalho acaba por ser medido sob a forma de competição» Sublinhou.
Foi várias vezes campeão nacional, nas diferentes categorias em que foi participando «comecei primeiro pelas classes de aprendizagem, depois passei para uma classe de acrobacia, depois passei para uma classe de corridas onde fiz um grande percurso e actualmente voltei à acrobacia» referiu.
Com um percurso um pouco diferente, Jorge Espírito Santo começou a sua actividade aeromodelistica na Escola Industrial em Setúbal, no Ciclo preparatório com 11 anos de idade «naquele tempo as escolas tinham diversas actividades desportivas organizadas e fomentadas pela antiga mocidade portuguesa e o aeromodelismo era uma dessas actividades» disse. «Eu, ainda hoje, tenho um espírito criativo e um grande gosto por aprender e por isso apaixonei-me pelos aviões. Comecei a fazer planadores e fui o único campeão nacional de aeromodelismo que aquela escola teve. Depois comecei a ver os motores e comecei a interessar-me pela velocidade e pela adrenalina que é diferente. Fiz corridas de equipas até 1971 e interrompi nesse ano a minha actividade aeromodelistica com a representação de Portugal num campeonato Ibérico. Depois veio o serviço militar, o ultramar, casar, e não havia grande tempo nem dinheiro para continuar». Emigrou várias vezes e quando regressou queria fazer alguma actividade que fosse adequada às suas capacidades físicas voltando a renascer assim o tal “bichinho”, mas desta vez «comecei então a aprender uma coisa nova que é a acrobacia por ser mais pausado e menos exigente em termos físicos». Mas acima de tudo Jorge Espírito Santo sente um enorme prazer em construir «construo os meus próprios modelos e vou procurando aprender e evoluir cada vez mais, e penso que as pessoas apreciam o meu trabalho».
Como está organizado o aeromodelismo?
A Fédération Aéronautique Internationale (FAI) é a organização que regulamenta o desporto aeronáutico mundial. O aeromodelismo encontra-se reconhecido como tal e, portanto, é também abrangido por esta organização através da Comissão Internacional de Aeromodelismo (CIAM) que organizou o Aeromodelismo, dividindo-o em diversas Categorias, das quais se destacam três grupos principais: o voo livre (F1), o voo circular (F2) e o rádio controlo (F3).
No rádio controlo, os modelos evoluem no ar comandados por um rádio. O Voo livre tem várias categorias mas basicamente o modelo voa livremente. No voo circular o modelo descreve círculos, voando numa semi-esfera e depois, de acordo com as categorias tem várias distâncias, pode ser 16 ou 21 metros. O modelo está ligado a um punho. Esse punho tem dois cabos: um de subida e outro de descida; esses cabos vão para o avião onde existe um dispositivo ligado a um leme de profundidade e a um flap. O regime do motor é constante, ou seja escolhe-se o regime ideal e depois quando se liga fica a trabalhar até acabar o combustível. Quando o combustível acaba ele plana.
Dentro do voo circular os praticantes podem ainda escolher uma das classes de acordo com a sua preferência pela Velocidade (F2A), pela Acrobacia (F2B), pelas Corridas de Equipas (F2C), ou pelo Combate (F2D).
Na Acrobacia é necessário um piloto e alguém que segura no avião no momento da descolagem, o ajuda, e de um piloto. O que se pretende é que o modelo faça um conjunto de figuras acrobáticas e o piloto é avaliado pela perfeição dessas figuras. Nas Corridas de Equipas as equipas são compostas por dois elementos, um piloto e um mecânico. O mecânico faz o abastecimento do avião e coloca-o a trabalhar e o piloto voa. O objectivo é completar 100 voltas, se estivermos a falar de eliminatórias, ou 200 voltas se estivermos a falar em finais. Nas 100 voltas dá-se a partida o mecânico coloca o modelo a trabalhar e ele sai, o piloto voa durante 33 voltas sendo obrigatório fazer-se 2 reabastecimentos, ao fim das 33 voltas o modelo vai ao mecânico que o segura na mão, e vai a uma velocidade de 50, 60 Km/h e lá em cima voa a cerca de 2010 Km/h num raio de 16 mts, as ultrapassagens só podem ser realizadas por cima para evitar os acidentes. Há um sistema de injecção de alta pressão que está colocado no braço do mecânico que injecta o combustível para dentro do tanque, coloca-o de novo a trabalhar tudo num espaço de tempo de aproximadamente 2 segundos combinado com a perícia do piloto para desacelerar para a mão do piloto.
Outra categoria é a Velocidade com modelos feitos com regras especiais mas o objectivo principal é a velocidade pura, onde durante um determinado número de voltas os modelos procuram atingir a maior velocidade no menor tempo cronometrado.
No Combate dois aviões combatem um contra o outro. Em cada um encontra-se uma fita na cauda e, numa luta de perícia por parte dos pilotos, tentam cortar a fita do adversário o maior número de vezes possível sendo pontuados de acordo com isso.
O aeromodelismo é uma actividade cara?
«É uma pergunta que toda a gente faz «eu diria que não: é barato» responde Amílcar Contente. «É mais barato do que uma Playstation, custa menos que um telemóvel de gama média. Para terem uma ideia conseguimos comprar, para iniciar, um motor novo a custar cerca entre 40 a 60 euros e consegue-se fazer um avião com 20 €, por isso o preço não é a questão pois existe uma grande diversidade de materiais a preços. Por outro lado como no voo circular os modelos somos nós que os construímos este é também um processo lento e a forma como vamos despendendo o dinheiro é também muito espaçada» sublinhou.
De acordo com este responsável, um avião de complexidade média para uma pessoa que está agora a começar demorará uns 6 meses a construir e por isso «se pensarmos nestes valores repartidos por 6 meses acaba por não ter quase nenhuma expressão. É claro que existem os modelos de topo que podem ir aos 3.000 Euros mas depende sempre daquilo que se quer» refere.
Falta de reconhecimento e apoio à modalidade
Tal como em tantas outras modalidades o aeromodelismo não tem o apoio necessário por parte das entidades oficiais e que começa logo pelos locais para a sua prática «não existe em Portugal espaços com infra-estruturas apropriadas para a prática da modalidade».
Os membros do clube treinam num espaço cedido pela Câmara Municipal de Setúbal no recinto da Feira de Sant´Iago, contudo continuam a insistir na necessidade de instalações próprias adequadas «a questão da pista é importante para dar visibilidade e um maior acesso à modalidade».
Também não existe apoio para as representações das cores nacionais no estrangeiro que fazem com muito brilhantismo, como frisou Amílcar Contente «as pessoas não sabem mas Portugal tem, em aeromodelismo, um vice-campeão do mundo. Tem um record do mundo obtido em 2004. Portugal tem equipas que durante 10 anos consecutivos estiveram sempre no top5 mundial e que, desta forma, conseguimos, para o país, melhores resultados que o futebol ou outras modalidades de grande expansão, com um factor adicional, que é o de corremos por amor à camisola».
A próxima representação será no Campeonato da Europa que se realizará na Polónia na cidade de Czestochowa entre os dias 23 e 30 de Julho de 2011 onde «o objectivo é fazer tocar o hino».
Aos interessados em aderir ao Control Line Portugal, ou apenas conhecer mais sobre, a modalidade, Amílcar Contente deixa as seguintes recomendações «podem aceder ao site http://f2clp.eu5.org/ ou vir ter connosco ao Domingo de manhã no espaço da feira (na zona dos concertos), entre as 9h30 e as 12h. Coloquem as vossas dúvidas, pois estaremos sempre disponíveis para ajudar os que querem agora começar ou os que já praticaram e que querem voltar a praticar. Podem contar connosco» terminou dizendo.
Rui Nobre

















