Dificuldades Financeiras da Câmara do BarreiroVereadores Socialistas sugerem reunião informal para análise da situação
No decorrer da última reunião pública da Câmara Municipal do Barreiro, nas instalações do Sporting Clube Lavradiense, a situação da autarquia perante a actual situação financeira, foi um tema que animou o ponto antes da ordem do dia.
“Temos que ponderar todas as candidaturas, com empréstimo ou sem empréstimo. Temos que ponderar se fazemos ou não as candidaturas apresentadas” – sublinhou Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro.

Por Jornal Rostos
No decorrer da última reunião pública da Câmara Municipal do Barreiro, nas instalações do Sporting Clube Lavradiense, a situação da autarquia perante a actual situação financeira, devido à quebra de receitas, foi um tema que animou os trabalhos.
Os vereadores do Partido Socialista, no ponto antes da ordem do dia, colocaram diversas perguntas sobre equipamentos que não funcionam e obras que não arrancam relativas a candidaturas.
Autarcas socialistas questionam sobre obras e candidaturas
Amílcar Romano, questionou sobre o tratamento dos espaços públicos e a existência de equipamentos que estão parados, a limpeza da via pública, o inicio das obras na Escola nº 2 do Lavradio, as obras na Comissão de Moradores da Cidade Sol, e, também sobre a não utilização de floreiras existentes que podiam contribuir para embelezar a cidade.
Zélia Silva, interrogou sobre a candidatura da Escola dos Fidalguinhos, e, também sobre a situação da Escola Conde Ferreira, solicitando informações sobre o avanço das actuais e lançamento de novas candidaturas.
Temos que repensar toda a actividade autárquica
Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, antes de responder às questões colocadas, referiu que pretendia abordar um ponto prévio, alertando que considerava importante que fosse tomada “consciência da situação que o país atravessa”, e, como tal situação afecta o Poder Local e a Câmara Municipal do Barreiro.
“Tudo o que foi dito há um ano atrás, hoje terá que ser repensado, tudo o que foi dito há três meses atrás terá que ser repensado, e, tudo o que se disse ontem terá que ser repensado. Temos que repensar toda a actividade autárquica.” – referiu o edil.
“Tudo o que está em causa hoje é se o Poder Local tal como o conhecemos é possível. Hoje, o que se trata é de repensar o Poder Local, um Poder Local diferente, porque o Poder Local hoje não responde às necessidades do povo português ” – sublinhou.
O autarca salientou que o Poder Central promove “políticas de restrição generalizadas”, acrescentando, que com as medidas que estão sendo anunciadas - “O que eu prevejo é de angústias maiores”.
Temos que ponderar todas as candidaturas
“Temos que ponderar todas as candidaturas, com empréstimo ou sem empréstimo. Temos que ponderar se fazemos ou não as candidaturas apresentadas” – sublinhou o autarca.
O edil recordou que a redução do IMT é significativa, a redução do Orçamento de Estado é significativa, as receitas de urbanização - “praticamente desapareceram”.
Nós temos de deixar de ter o que temos
“Nós temos de deixar de ter o que temos” – disse Carlos Humberto, respondendo directamente a Amílcar Romano, que defendia a colocação de floreiras nas ruas da cidade, sublinhando – “Nós, não temos que por mais floreiras, temos é que reduzir o que temos”.
Sobre as questões colocadas por Zélia Silva, sobre as candidaturas, o autarca referiu – “Temos que navegar à vista, e, pode ser termos que deixar cair algumas”.
“Este ano não vamos lançar nenhuma obra nova” – referiu o autarca.
“A Câmara Municipal do Barreiro está como está o país” – salientou.
Dúvidas sobre o avanço de obras e candidaturas
Sobre as questões colocadas das obras a realizar na Escola nº 2 do Lavradio e Fidalguinhos, Carlos Humberto referiu que existem as candidaturas, a processos prontos a avançar, mas tudo está em aberto sobre a possibilidade de o processo avançar, ou não – “não sei, não sei”.
Repensar todo o trabalho autárquico
Amílcar Romano, expressou a sua concordância que é necessário “repensar todo o trabalho autárquico realizado” dado que estamos perante um “alteração de paradigma” que “aumenta as dificuldades do Poder Local”.
O autarca sugeriu a realização de uma reunião informal para que fossem analisadas todas estas matérias.
“Temos que ter conhecimento das dificuldades de gestão dos recursos” – referiu.
Amílcar Romano sublinhou que é necessário saber em que medida os serviços da Câmara são capazes de dar respostas, pois, disse, é preciso aumentar a “eficácia e resultados” dos serviços.
O autarca referiu que nesta situação não há “nós” e “vós”, é preciso debater a situação, e, acrescentou – “podem contar com o nosso apoio”.
Tem que existir coerência entre o discurso e votações
Rui Lopo, num comentário, salientou que tem que existir “coerência entre o discurso” porque, tal, disse, “vê-se nas votações”.
E, neste contexto, o autarca criticou as posições assumidas pelos autarcas socialistas, nomeadamente, sobre as posições que tomaram sobre os Transportes Colectivos do Barreiro.
Carlos Humberto, sobre esta matéria referiu, também, que sentiu alguma “mágoa” pelo conteúdo da Declaração de Voto dos vereadores socialistas sobre os TCB’s – “mas isso é acessório” - acrescentou.
O essencial, disse, é sabermos a disponibilidade expressa pelos vereadores do Partido Socialista de «apoio» na procura de soluções perante o actual diagnóstico da situação.
O autarca acrescentou que perante as dificuldades actuais, não se trata de fazer reuniões, porque a situação exige que de hora a hora, sejam tomadas decisões – “todos os dias aparecem factos novos que exigem mediadas novas”.
“A situação é muito complexa” – referiu o presidente da Câmara Municipal do Barreiro.
Não vale a pena enterrar a cabeça na areia
Amílcar Romano, em nova intervenção sublinhou que a situação “obriga ao debate e à avaliação”, por essa razão voltou a defender a necessidade de ser prestada informação.
Referiu, “se querem o nosso apoio”, temos que obter informação sistemática e regular.
“Hoje é o dia em que não vale a pena enterrar a cabeça na areia” – sublinhou o autarca socialista.













