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Perspectivas

Associação Naval Sarilhense da MoitaUma das associações navais mais credíveis do país

. Lei da Água preocupa associações ribeirinhas do Tejo

Mário Pinto, Presidente da Direcção da Associação Naval Sarilhense, no decorrer da Sessão Solene evocativa do 24º aniversário, referiu a existência de um diálogo positivo com a APL que poderá contribuir para atenuar os efeitos negativos da Lei da Água.

André Fernandes, presidente da Mesa da Assembleia Geral da ANS, sublinhou que a Lei da Água é uma ameaça que pode pôr em causa um património construído com a dedicação de diversas gerações.

4 min de leitura
Associação Naval Sarilhense da Moita Uma das associações navais mais credíveis do país

Por Jornal Rostos

O presidente da Mesa da Assembleia Geral da ANS salientou que a associação vive “um momento difícil”, com a ameaça de abertura de um Concurso Público de concessão do espaço onde estão localizadas as instalações, a sede social do clube – “construída a pulso pelos antepassados” – e, disse, neste contexto, a ANS terá que concorrer com outras entidades.
André Fernandes agradeceu o facto da Câmara Municipal da Moita e a Junta de Freguesia de Sarilhos Pequenos, ao longo dos anos, estarem sempre ao lado da ANS e prestarem-lhe todo o apoio e colaboração.

Somos sarilhenses de corpo e alma ribeirinhos

Mário Pinto, Presidente da Direcção da Associação Naval Sarilhense, no decorrer da Sessão Solene evocativa do 24º aniversário, recordou que a vida da associação foi marcada por “uma história de relação com o rio, ao longo de 24 anos de dedicação de corpo e alma à nossa cultura ribeirinha e preservação das embarcações tradicionais de Sarilhos Pequenos”.
“Somos sarilhenses de corpo e alma ribeirinhos” – sublinhou.
Mário Pinto salientou que a ANS é das associações navais – “mais credíveis do país”, e, deu vários exemplos demonstrativos dessa realidade, nomeadamente a realização de um protocolo com a Universidade Nova de Lisboa.

Diálogo com APL está no bom caminho

Mário Pinto, a propósito da Lei da Água, referiu que há aspectos negativos, mas, também, há aspectos positivos, porque, do ponto de vista estratégico pode contribuir para valorizar o estuário do Tejo.
Recordou que a ANS mantém a sua actividade no terreno há muitos anos, e, neste contexto, mantém um diálogo pela positiva com a APL – “que está no bom caminho”.
O presidente da ANS sublinhou que, através do diálogo com a APL, o qual, disse, “está bem orientado”, pretende-se potenciar os aspectos positivos da Lei da Água, sensibilizando os técnicos da APL para que “a Lei não seja aplicada”, e, sim, apontando para que seja estabelecido um protocolo de cedência do espaço da associação por um período de dez anos, assim, pondo-se fim, à actual situação de atribuição anual de licenças, que é uma situação geradora de alguma instabilidade.

Lei da Água é “míope” e “uma vergonha”

No decorrer da sessão solene, Rui Garcia, Vice presidente da Câmara Municipal da Moita, referiu que a Lei da Água é “filha de uma ideologia dominante” que visa a “mercantilização de tudo”, no que diz respeito à exploração do património do domínio hídrico.
O autarca salientou que a Lei da Água, proposta pelo Poder Central, foi além do que é exigido pela União Europeia.
Rui Garcia classificou a Lei de “míope”, e considera que “é uma vergonha”, pois esquece a realidade das associações ribeirinhas.

Há milhares de pessoas envolvidas

Rui Garcia recordou que a realidade das zonas ribeirinhas nos dias de hoje, graças à acção das associações, é muito diferente do que era há vinte anos atrás, hoje, disse, “há um património activo e vivo”.
“Há 25 anos atrás o que se via era o abandono de barcos nas margens. Hoje temos dezenas de embarcações tradicionais a navegar, e, há milhares de pessoas envolvidas, que geram uma actividade económica, e, há potencialidades turísticas que ainda não estão suficientemente aproveitadas” – sublinhou.

A continuidade está assegurada

José Costa, presidente da Junta de Freguesia de Sarilhos Pequenos, referiu que a Lei da Água – “é uma preocupação”, acrescentando, “não consigo perceber como querem tirar algo a quem o construiu com o seu suor”.
O autarca recordou o importante papel desenvolvido pela ANS na preservação do património da terra, das embarcações e das riquezas ribeirinhas.
José Costa, referiu que a participação de jovens na vida da associação é um sinal que – “a continuidade está assegurada”

Sustentabilidade patrimonial das embarcações

Nesta sessão participou, Bastos Saldanha, da Associação Marinha do Tejo, que sublinhou o importante contributo das associações na preservação do estuário do Tejo, evitando a perda desta riqueza que, nos anos 70, esteve “quase em vias de extinção”.
Bastos Saldanha lançou o repto de ser debatido e aprovado o «Código de Conduta dos Tripulantes do Estuário do Tejo”, assim como, a criação do «Regulamento das Embarcações Típicas do Tejo».
Sublinhou que, tal, é essencial, para – “garantir a sustentabilidade patrimonial das embarcações tradicionais do Tejo».

S.P.

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