Barreiro uma terra que sabe criar ofícios, arte e saberLiberdade é uma marca do Barreiro

Por Jornal Rostos
Hoje promovemos a primeira de muitas conversas que iremos realizar subordinadas a esta ideia «Conversas Abertas…ao sabor de um café».
Serão conversas abertas, sem convidados especiais, apenas destinadas a quem quiser aparecer, beber um café e conversar.
Na conversa que decorreu, hoje, pela manhã no Café –Bar da SFAL, o tema que esteve em debate foi - «Porque gostamos do Barreiro?».
E, é de referir que, esta conversa, intencionalmente foi realizada na SFAL pelo facto de esta ser a colectividade mais antiga do concelho do Barreiro, e, estes serem espaços de referência de uma cultura que marca a nossa história.
Liberdade é uma marca do Barreiro
José Caro Proença, expressou a sua discordância com a palavra «gostar», porque esta faz lembrar o gostar de paladar, de sabor.
“Prefiro amar o Barreiro, porque só se ama aquilo que se conhece e para amar o Barreiro é preciso conhecê-lo” – sublinhou.
Recordou que o Barreiro contemporâneo nasceu há 150 anos e, desde essa época, a Liberdade é uma marca do Barreiro que aqui – “entrou com a Revolução Francesa”.
“O Barreiro foi sempre uma terra de fraternidade” – afirmou, marcada pela cultura dos corticeiros e dos ferroviários.
Recordou que foram os ferroviários que criaram as primeiras Bibliotecas, e, desta forma deram um importante contributo para a “transformação de mentalidades”.
Primeira comunidade de nativos do Barreiro
José Caro Proença, referiu que a primeira comunidade de nativos do Barreiro remonta ao ano 1870, ano que foi marcado pelo surgimento de acontecimentos que forjaram “o Barreiro Democrático”.
A abertura da Escola Conde Ferreira, uma escola frequentada por todos os filhos do Barreiro, das mais diversas classes sociais, do filho do pescador ao salineiro, e, também das classes abastadas da terra.
Depois, recordou que nesse ano, a criação da SDUB «Os Franceses» e a SIRB «Os Penicheiros», foi um factor decisivo para o desenvolvimento da vida democrática.
José Caro Proença sublinhou que é nesta época que estão as raízes dos valores da Liberdade, da Fraternidade e da Igualdade que marcam a história do Barreiro.
Barreiro é o meu orgulho
Manuela Fonseca, salientou – “sou uma cidadã da Europa”, e, acrescentou que sente isso “na terra onde nasci”, que sempre lhe transmitiu – “o sentimento de Liberdade”.
Recordou o seu tio prisioneiro do Tarrafal, que lhe ensinou, como em relação ao fascismo era – “preciso aguentar e ter ódio para sobreviver”.
“Eu odeio o Nazismo, o Fascismo, o Stalinismo e todas as ditaduras” – sublinhou.
“O Barreiro foi a minha educação, o Barreiro é o meu orgulho. Se o orgulho é pecado, eu tenho orgulho de pecar pelo Barreiro” – referiu.
Barreiro continua a ser “uma terra de ofícios”
Manuela Fonseca, referiu que uma das maiores potencialidades do Barreiro “são os seus recursos humanos”, e, recordou aquilo de muito bom que se tem feito ao longo de muitos anos, por exemplo, ao nível da criação teatral - "vi dos melhores espectáculos de teatro".
Por outro lado, salientou o facto de o Barreiro ter sido sempre “uma terra de ofícios”, e, afirmou que actualmente, a existência da Escola Superior de Tecnologia do Barreiro é uma das referências que o Barreiro continua a ser “uma terra de ofícios”, pois daquela escola estão a sair quadros qualificados de alta engenharia, com projecção internacional.
Manuela Fonseca, recordou que o seu amor pelo Barreiro, reside no facto de esta sua terra, ter sido sempre e continuar a ser “uma terra que sabe criar ofícios, arte e saber”.
Barreiro é importante pelo lado humano
Manuel Alpalhão, referiu que aquilo que o atrai no Barreiro é sentir que esta é uma terra com “muita gente de fora, gente de muitos lados, aqui há gente de todo o lado do país, conhecemos gente do Porto, de Coimbra, do Algarve”.
“O Barreiro podia ser o coração do país” – sublinhou, acrescentando que – “o Barreiro é importante pelo lado humano”.
Barreiro tem um lado pessimista em relação a si próprio
Luís Ramos, começou por referir – “Gosto do Barreiro porque é a minha terra”, e, acrescentou que – “é o capital humano que me faz gostar do Barreiro e da sua história”.
Recordou que nasceu em 1974, e, pelas histórias que contam da vida do Barreiro e das actividades que marcavam a vida do Barreiro - “em muitos momentos sinto que gostava de ter vivido antes do 25 de Abril”.
“Nesse tempo o Barreiro era um marco em termos nacionais e internacionais, que não é hoje”, por essa razão, sublinhou que – “o Barreiro tem um lado pessimista em relação a si próprio”.
Barreiro tem que dar um salto
“Será que o Barreiro por ter sido uma terra que teve uma grande importância industrial, e, por ter sido um marco de luta pela liberdade, sendo durante anos uma referência nacional e internacional, não vive, hoje, à procura de si próprio?» - interrogou Luis Ramos.
Recordou que viveu uns anos no Brasil onde encontrou referências ao Barreiro, e, até Gil Vicente nas suas obras fala do Barreiro.
“Há muito valor humano ao longo da história de Portugal ligado ao Barreiro” – salientou.
Defendeu que o Barreiro devia dar mais valor ao que tem n a sua história, e, também às muitas coisas que cá se fazem, e, são essas coisas disse – “que me fazem gostar do Barreiro”.
“O Barreiro tem que dar um salto, porque aqui se fazem coisas boas” – referiu.
Barreiro tem tido um desenvolvimento saudável
Lurdes Sales, recordou que esta foi a terra que abraçou como sua, desde os 9 anos, quando partiu do Alentejo.
“Aqui estão a minhas raízes, por isso sinto o gostar do Barreiro, porque é um gostar de afectos, da família, da escola, do teatro. Esta foi a terra onde cresci, aprendi, trabalhei, e, onde, agora estou aposentada e tenho os meus hobbies. Aqui tenho os meus amigos, aqui vivi momentos bons e momentos menos bons, pelo Barreiro se atravessa toda a minha vida” – referiu.
Salientou o facto de, ao longo de todos estes anos, sentir o Barreiro transformar-se – “tenho sentido o desabrochar do Barreiro” – ver os espaços ficarem diferentes e mais bonitos – “sinto que o Barreiro tem tido um desenvolvimento saudável”.
“A Avenida da Praia era bonita, agora ainda está mais bonita” – sublinhou como exemplo.
Recordou histórias de estagiários, que vindos de outros pontos do país, para leccionar no Barreiro, traziam ideias terríveis sobre o modo de vida que iriam encontrar e, depois, quando partiam sentiam que nada da imagem que lhes tinha sido dada correspondia à verdade.
Porque gostamos do Barreiro?
Uma conversa animada que decorreu durante quase duas horas, evocando histórias e memórias, relações de famílias e de grupos, personalidades que marcaram a vida local, homens de grande estatuto moral, com opções políticas de esquerda e direita, que se respeitavam.
Afinal, em conclusão, fica a pergunta - Porque gostamos do Barreiro?
Cada um certamente, encontrará, dentro de si, as razões do gostar ou amar, porque, afinal, só se “ama” ou “gosta” aquilo que se conhece …e sente!













