Projéctor – Companhia de Teatro do Barreiro«Raivar Que Este É Outro Jogo» - construir e desconstruir Gil Vicente
O espectáculo volta de novo a cena, hoje, dia 6 de Novembro, pelas 17 horas, na SIRB «Os Penicheiros», no âmbito da 1ª Festa do Teatro do Barreiro.

Por Jornal Rostos
A 1ª Festa do Teatro do Barreiro, promovida pela Associação Projéctor – Companhia de Teatro do Barreiro, arrancou ontem, dia 5 de Novembro, com a estreia da 17ª produção da Companhia, que, este ano, assinala o seu 15 º aniversário.
«Raivar Que Este É Outro Jogo», com encenação de Abilio Apolinário, textos de Gil Vicente “Auto da Índia” e de Carlos Alberto Correia, subiu ao palco e deu o pontapé de saída à Festa do Teatro.
O espectáculo volta de novo a cena, hoje, dia 6 de Novembro, pelas 17 horas, na SIRB «Os Penicheiros», e, também, no mesmo espaço, no próximo dia 27 de Novembro, pelas 17 horas, a encerrar a 1ª Festa do Teatro do Barreiro.
Uma «viagem» por dentro do texto de Gil Vicente
Um espectáculo que pretende, acima de tudo, ser uma «viagem» por dentro do texto de Gil Vicente – Auto da Índia.
Um espectáculo que mergulha no «texto», e, faz dele o «pretexto» para o transportar ao «contexto» dos nossos dias.
Um trabalho, para ser observado num «ambiente escolar», de pesquisa de texto, de reflexão sobre a obra de Gil Vicente.
Um trabalho, para ser sentido num contexto de «laboratório teatral», pois, como escreveu Stanislavski - "se se não vive a própria personagem não pode haver verdadeira arte: e isso não começa senão quando os sentimentos intervêem", porque, acrescenta Stanislavski - "até para representar mecanicamente é necessário técnica".
Um prólogo, uma peça e um epílogo
Ponto um – O Prólogo, onde o apresentador, transporta para a actualidade o texto de Gil Vicente, como que, previamente dando a conhecer ao público aquilo que vai ser o espectáculo – um «pretexto» para dar a conhecer o «texto».
O apresentador convida o público a sair, porque, pelo que acabou de demonstrar o «espectáculo», sublinha, nada vai acrescentar. O público resiste e não quer sair.
Ponto 2 - A Peça, marcada por um cenário cheio de simplicidade, onde, afinal, a «cama» é o centro de todas as intrigas, ali, através do diálogo entre as personagens, é conhecido o texto de Gil Vicente.
Terminada a peça, «tout court», temos o regresso do apresentador, para fazer a «ponte» com o «contexto»,que conduz ao acto final – o epílogo.
Ponto 3 – O Epílogo que tem por objectivo «desconstruir» o texto de Gil Vicente, explorar o contraditório das personagens, abrir o outro lado da intriga, desbravar o mundo da hipocrisia mundana, dar a dimensão psicológica das personagens e a dimensão sócio cultural do contexto epocal.
Um trabalho que, de certa forma, foi desenvolvido com uma «visão pedagógica», que procura lançar o repto sobre a actualidade de Gil Vicente, e, que, afinal, é uma forma interessante de fazer a hermenêutica do Auto da Índia.
S.P.
SINOPSE
Peça de intriga com principio e fim mostra ao público o adultério da Ama, na ausência do marido. Fáceis de identificar são as três partes em que o Auto se divide.
Na primeira a mulher (Ama, Constança) espera com ansiedade que o marido parta.
A segunda fase é a fase do adultério. A terceira corresponde à chegada do marido desaparecido.
FICHA TÉCNICA
Associação Projéctor – Companhia de Teatro do Barreiro
«Raivar Que Este É Outro Jogo»
Textos de Gil Vicente “Auto da Índia” e de Carlos Alberto Correia
Ana Matos –Moça
Carlos Alberto Correia – Marido
Ricardo Gião – Apresentador
Tiago Soares – Lemos
Catarina Viegas – Ama
André Antunes – Castelhano
Encenação e Direcção – Abílio Apolinário
Técnica e Assistência Geral – Abílio Apolinário, Luciano Barata, João Capitão Mor e José Marques
Produção – Maria João Quaresma e João Martonho
Agradecimento – Francisco Grosso













