Paulo Rangel em Bruxelas – Parlamento Europeu«Os centros de decisão internacionais são míopes em relação às realidades locais»

Por Jornal Rostos
Paulo Rangel, num encontro com os órgãos de comunicação social, em Bruxelas, defendeu a necessidade de existir uma cada vez maior articulação entre regiões ao nível europeu, porque o “maior aliado da União Europeia são as entidades locais e as regiões, e o maior aliados das entidades locais é a União Europeia”.
“O adversário comum são os Estados nacionais” – sublinhou.
“Muita gente julga que estamos numa época de globalização e que isso significa a perda de importância dos centros locais, a perda de importância das entidades locais, mas é exactamente o contrário” – referiu Paulo Rangel.
Na opinião do eurodeputado – “quanto mais aumentar o poder de concentração ao nível mundial, de globalização, mais importantes são as unidades locais e as unidades regionais”.
Governo em Bruxelas não resolve os problemas locais das pessoas
Referiu que, por razões de economia de escala, ou, por razões de harmonização, quer mesmo, pela importância da cultura europeia, e da economia europeia - “precisamos de concentrar competências em Bruxelas, portanto precisamos de um nível Federal”.
Acrescentou que, até, já aceitamos hoje, que – “muitas questões têm que ser resolvidas na região Europeia, ou no G20, havendo quem defenda a existência de uma estrutura de Governo, mesmo que incipiente ao nível global e ao nível mundial, para determinadas agendas, quanto mais o poder se desloca para esses centros, mais importância ganham as entidades locais e regionais”.
Paulo Rangel, salientou – “se o Governo estiver em Bruxelas já não tem capacidade para ir aos confins da Lituânia, aos confins de Itália, aos confins da Irlanda ou aos confins de Portugal, para resolver os problemas das pessoas”.
“Quanto mais nós aumentamos a escala do Poder, no sentido de criarmos uma governação europeia, e, no sentido de criarmos uma governação global, mais relevância vão ter as entidades locais.” – sublinhou o eurodeputado.
Quem perde poder neste equilibrio é o Estado Nacional
Recordou Paulo Rangel que quando surgiu a globalização, quando esta era uma moda, surgiu uma palavra que era «glocalização» que traduzia a expressão do fenómeno – “quanto mais reforçamos os poderes fora do país, mais importantes são as unidades locais internas”
Paulo Rangel referiu que – “quem perde poder neste equilíbrio é, sem dúvida alguma, o Estado Nacional”, porque vai ter que devolver competências ao nível internacional ou supra nacionais, e, por outro lado, vai ter que devolver competências às entidades locais.
“Os Estados Nacionais com o seu aparelho tradicional já não estão a ser capazes de dar respostas às realidades dos seus países, porque têm devolvido poder para instâncias internacionais” – sublinhou o eurodeputado.
Europa teve sempre uma politica de desenvolvimento regional muito forte
“Os centros de decisão internacionais são míopes em relação às realidades locais” – referiu Paulo Rangel.
“A Europa teve sempre uma politica de desenvolvimento regional muito forte, teve sempre uma politica de grande incentivo às regiões, procurou até criar euroregiões, com uma lógica de perverter as lógicas nacionais.” – salientou.
Deu o exemplo da Euroegião Galiza- Norte de Portugal, com o objectivo de “criar espaços de cumplicidade”, e, “tornear as fronteiras estabelecidas”.
Rita Pereira
Foto - Rui Neves













