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«Manuel Cabanas foi um produto do Barreiro»afirma Almeida Santos na abertura da exposição de Kira

Almeida Santos, ontem no decorrer da sessão que marcou a abertura da Exposição «Kira in memoriam Manuel Cabanas», sublinhou que Manuel Cabanas esteve “em todos os actos de rebeldia contra o regime da ditadura do Estado Novo», e, lamentou que no período do PREC tivesse sido rotulado de fascista.

Manuel Cabanas foi socialista toda a vida, um socialista de esquerda, um socialista combatente, um socialista de combate solidário” – sublinhou.

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«Manuel Cabanas foi um produto do Barreiro» afirma Almeida Santos na abertura da exposição de Kira

Por Jornal Rostos

Almeida Santos, foi convidado pela Comissão Organizadora para participar na sessão de abertura da exposição de Kira, iniciativa realizada com o objectivo de evocar o 110º aniversário do nascimento de Manuel Cabanas, Cidadão Honorário do Barreiro, e, «Barreiro Reconhecido» na área da Cultura.

Um homem que sempre esteve na oposição

Almeida Santos, sublinhou que Manuel Cabanas – “foi um amigo que não perdi, porque ele continua vivo”, acrescentando que, “quase todos os meus amigos foram amigos de Manuel Cabanas”.
Recordou que o Mestre Manuel Cabanas - “esteve envolvido em todos os actos de rebeldia contra o regime da ditadura do Estado Novo”.
“Ele foi um artista, um homem de grande sensibilidade, um homem que sempre esteve na oposição e foi preso sete vezes” – sublinhou.
Referiu que ouviu falar de Manuel Cabanas na Academia de Coimbra, onde, disse – “era elogiado, como revolucionário e como artista”.
Na sua intervenção Almeida Santos evocou diversos momentos da sua própria luta contra o regime colonial e pela conquista da democracia.

Um homem receado por Salazar

“Manuel Cabanas teve sempre ideais políticos, ele, era um produto do Barreiro, terra para onde veio viver com 20 anos. Foi um verdadeiro sindicalista, um homem receado por Salazar” – sublinhou Almeida Santos.
“Aqui no Barreiro, Manuel Cabanas, assumiu a plenitude da sua consciência politica, desenvolvendo uma actividade sindical com grande consciência e solidariedade” – referiu.
Recordou que Manuel Cabanas esteve envolvido no MUNAF, no MUD, na Campanha de Norton de Matos, na Campanha de Humberto Delgado ( tendo sido inicialmente um apoiante de Arlindo Vicente).
“Ele fazia parte do grupo que de vez em quando era preso. Eram os presos de costume” – sublinhou.

Foi considerado um fundador do PS

Almeida Santo, sublinhou o facto de Manuel Cabanas, ter vivido 40 anos sem passaporte, situação que o impedia de ir ao estrangeiro, e,, por essa razão não esteve presente na reunião, em 1973, que fundou o Partido Socialista.
“Não assistiu à criação do PS, mas foi considerado um fundador do PS, sendo o militante nº 55” – sublinhou Almeida Santos.
“Manuel Cabanas foi socialista toda a vida, um socialista de esquerda, um socialista combatente, um socialista de combate solidário” – sublinhou.

Um homem de uma cultura vastíssima

Manuel Cabanas foi um bom barreirense, salientou Almeida Santos, - “foi um combatente do regime ditatorial e um combatente pela liberdade.”
Recordou que em Monte Gordo, partilhou muitos momentos com Manuel Cabanas, com longas conversas – “ele era um sábio. frequentou a Universidade das suas próprias leituras, tinha a 4ª classe, mas era um homem de uma cultura vastíssima, ele sabia de história, de filosofia, de religião, de cultura politica”.
“Ele adquiriu uma cultura que era invulgar em qualquer licenciado, o que tornava o diálogo com ele encantador” – sublinhou Almeida Santos.
Em Monte Gordo, recordou – “descobri o artista e conheci o revolucionário”.
“Sua arte são verdadeiras obras primas” – referiu.

Chegaram a chamar-lhe fascista

Almeida Santos, salientou que a obra artística está em diversos pontos do país em Faro, Lagos, Vila Real de Santo António, Alpiarça, e, no Barreiro, porque – “ele foi um cidadão do Barreiro”.
Recordou que foi eleito deputado na Assembleia Constituinte, e, lamentou que no período tivesse sido mal tratado – “chegaram a chamar-lhe fascista, ele que foi um lutador pela liberdade”.
“O Barreiro deve muito a este homem, ele adorou o Barreiro e o amor também se paga” – sublinhou Almeida Santos.

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