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Perspectivas

Politica no Feminino em debate no BarreiroExiste correlação entre posicionamento ideológico à esquerda e presença da mulher na politica

. Aumento de mulheres na Assembleia da República coincidiu com ciclo de governação do Partido Socialista

. PCP deixou de ser o partido com mais mulheres na sua bancada parlamentar

. Partido que menos mulheres elegeu foi o CDS/PP

. BE com posicionamento mais claro em termos de paridade

Realizou-se no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro a Conferência – Debate, tendo como tema: « Homens e Mulheres na politica, representações nos media».
No estudo apresentado sublinha-se que - “Há um domínio dos homens na Assembleia da República.

4 min de leitura
Politica no Feminino em debate no Barreiro Existe correlação entre posicionamento ideológico à esquerda e presença da mulher na politica

Por Jornal Rostos

Numa iniciativa conjunta entre a Comissão Concelhia do Barreiro do Partido Socialista e Departamento Federativo de Setúbal das Mulheres Socialistas, no âmbito das comemorações do Dia Internacional da Mulher, realizou-se no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro a Conferência – Debate, tendo como tema: « Homens e Mulheres na politica, representações nos media».
A sessão contou com a participação de um grupo de investigadoras ligado ao Centro de Investigação Media e Jornalismo, coordenado por Ana Cabrera, e, no essencial, incidiu sobra a apresentação dos casos de estudo desenvolvidos no âmbito da investigação que o grupo desenvolveu.

Uma visão da presença da mulher no Parlamento

Ana Carrera, do Centro de Investigação Media e Jornalismo, sublinhou que o estudo realizado teve como objectivo uma abordagem de género “muito centrado na actividade politica” e “na forma como a actividade politica é vista pelos meios de comunicação social”
Recordou que a análise incidiu sobre as deputadas eleitas, desde 1975 até 2002, procurando saber donde vinham, que faziam antes de serem deputadas, incidindo sobre todos os partido políticos.
Sobre a análise imprensa foi efectuado um estúdio da análise dos conteúdos dos órgãos de comunicação social e também uma análise discursiva das intervenções na Assembleia da República.
Como metodologia do trabalho de investigação foi desenvolvido um estudo ao longo de quatro períodos – Assembleia Constituinte (175/1976), tendo como referência a abordagem do tema «estatuto da mulher»; Bloco Central ( 1983/1985), tendo como tema central o debate sobre a temática do Aborto; Cavaquismo (1985/1995) tendo como referência as reflexões sobre o Parlamento Paritário; o Guterrismo (1995/ 2002) tendo como pano de fundo o debate sobre a Lei da Interrupção Voluntária da Gravidez.

O 25 de Abril foi um marco

Carla Martins, da ERC, sublinhou que o 25 de Abril foi um marco na evolução da participação da mulher na vida politica.
Sublinhou-se que desenvolveu-se – “uma gramática da igualdade a partir de 1974”.
Referiu que o estudo realizado incidiu sobre 511 registos – “uma base de trabalho exaustiva e inédita”.
Recordou que na Assembleia Constituinte foram eleitas 19 mulheres, correspondendo a 7,6% dos eleitos, e, passaram pela Assembleia da República neste período 27 mulheres.

Domínio dos homens na Assembleia da República

Carla Martins, salientou que entre 1975 e 2011, na Assembleia da República foram eleitos 2777 homens e 393 mulheres.
Na sua intervenção salientou que as mulheres foram relegadas – “para lugares não elegíveis”, existindo da parte dos partidos políticos – “pouco para capitalização das mulheres”.
“Há um domínio dos homens na Assembleia da República” – sublinhou.

A partir de 1995 ultrapassou os 10% das mulheres eleitas

Recordou Carla Martins, que o aumento de presença de mulheres na Assembleia da República começou a verificar-se a partir de 1995 - “ultrapassou os 10% das mulheres eleitas”.
Salientou que após 1995 este valor cresceu, atingindo os 20% em 1999 e os 30% no ano 2005, coincidindo com o ciclo de governação do Partido Socialista.

BE o partido com um posicionamento mais claro em termos de paridade

Carla Martins, salientou que nas primeiras legislativas – “o PCP levou mais mulheres”, mas em 1999 o PS torna-se o partido com mais mulheres eleitas, sendo o BE o partido com um posicionamento mais claro em termos de paridade, reflectindo os estatutos do partido.
O partido que menos mulheres elegeu foi o CDS/PP.
No que diz respeito ao PSD registou um crescimento de participação das mulheres a partir de 2002 – “sofreu o efeito de contágio do grupo parlamentar do PS”.

PSD teve uma curva de crescimento coerente

Recordou que – “o PSD teve uma curva de crescimento coerente”, enquanto o CDS/PP tem um nível de participação de mulheres muito baixo.
Quanto ao PCP, salientou que deixou de ser o partido com mais mulheres na sua bancada parlamentar.
Segundo Carla Martins o posicionamento ideológico é um factor que influencia a participação da mulher.
“Existe uma correlação entre o posicionamento ideológico mais à esquerda e a presença da mulher” – sublinhou.

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