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Perspectivas

Clube de Cinema de Setúbal- Uma resposta á pouca oferta cinematográfica da cidade

O Clube de Cinema de Setúbal nasceu no seio da associação Experimentáculo, segundo os responsáveis, devido à pouca oferta na cidade de Setúbal. O ambiente informal das sessões e os pedidos de um grupo seguidores fiéis tem feito com que continuem a manter esta actividade.

6 min de leitura
Clube de Cinema de Setúbal - Uma resposta á pouca oferta cinematográfica da cidade

Por Jornal Rostos

«A Experimentáculo é uma associação juvenil sem fins lucrativos que foi criada em 2006 aqui em Setúbal e por isso a sua área de intervenção é essencialmente nesta cidade. É uma associação cultural com missão na área das artes, do património, da cultura e do espectáculo» começou por explicar Pedro Soares que nos recebeu na casa da Experimentáculo no Largo da Misericórdia em Setúbal.
Ao Rostos, Pedro conta como a associação tem desenvolvido a ligação ao cinema «dentro da área da cultura acabamos por nos dedicarmos mais ao cinema e à música, pois como funcionamos em regime de voluntariado estamos sempre dependentes das tendências dos membros.
Na área do cinema fazemos diversas actividades, já fizemos produção de documentários e curtas-metragens de alguns jovens realizadores aqui de Setúbal mas principalmente fazemos ciclos temáticos, uma mostra de cinema de terror, ou seja, o cinema foi sempre uma área e intervenção desde o início.

Clube de Cinema - uma resposta á pouca oferta cinematográfica da cidade
«O clube de cinema acaba por ser uma plataforma mais autónoma dentro da Experimentáculo e nasceu em circunstâncias diferentes» referiu Pedro Soares que explicou «nasceu em 2008 por acharmos que havia pouca oferta cinematográfica na cidade. Na altura tínhamos uma sala de cinema e meia que eram o Charlot e o Luísa Todi que passava filmes à segunda e à terça, e sentimos então necessidade de fazer mais qualquer coisa e começámos então a fazer sessões regulares semanais, na altura em colaboração com o IPJ, todas as sextas e sábados e sempre dedicado a um tema e sempre que possível com uma programação diferente da que chega às salas e cinema».
Como explicou este responsável a ideia era ter filmes que não estreassem em Portugal ou filmes portugueses em que pudessem ter os realizadores presentes e potenciar esse lado informal, as tertúlias bem como debates no final das sessões com convidados que apresentassem o filme.

Esta experiência foi-se desenvolvendo durante um ano com sessões regulares ao final do qual interromperam a actividade que seria retomada em Novembro de 2010, mais uma vez pelas mesmas razões, «entretanto o Fórum Luísa Todi foi para obras e só havia o Carlot, que foi também para obras entretanto e também porque tínhamos o feed back das pessoas que nos perguntavam quando voltavamos a repetir. Uma vez que já tínhamos essa experiência e essa estrutura voltamos a repescar o Clube de cinema» afirmou Pedro Soares «a ideia era então ter essa oferta cinematográfica enquanto o Charlot estava fechado e começámos a fazer essas sessões no bar-galeria La Boheme todas as quartas-feiras com entrada gratuita. Continuámos nos mesmos moldes todos os meses com sessões temáticas dedicadas a um tema e se possível com convidados para falarem sobre o filme, ou filmes em que os próprios realizadores estivessem» sublinhou.
Entretanto mesmo após a reabertura do Auditório Municipal Charlot continuaram as sessões devido às muitas solicitações dos frequentadores habituais.

Escolha dos filmes é feita de forma informal e democrática
Durante a nossa conversa quisemos saber de que forma é feita a selecção dos filmes a exibir «até agora a programação é escolhida de mês para mês e é de forma informal através de conversas com o público e de conversas entre nós e é tudo muito democrático e arranjamos um pretexto e fazemos a escolha, outras vezes também surge a oportunidade de termos cá um filme especifico ou um convidado específico, não há uma regra» respondeu o nosso entrevistado que explicou ainda que a escolha «tem a ver também com as nossas experiências e aquilo que vamos consumindo. Escolhemos o tema do mês e depois fazemos as sugestões de títulos e depois escolhemos».

«a escolha dos filmes não tem a ver com conceitos “elitistas”»
Quisemos também saber se o facto de não escolherem filmes “convencionais” poderá afastar um publico mais alargado ao que Pedro responde «a escolha dos filmes não tem a ver com conceitos “elitistas” mas também não fazemos as escolhas a pensar se traz mais ou menos gente, até porque a entrada é gratuita por isso não fazemos nada com objectivos comerciais e não temos que ter a preocupação de ter gente ou não» refere «por outro lado a preocupação da quantidade não existe até porque o espaço não comporta muita gente mas todos são bem vindos e estão todos convidados» sublinhou.

Ir mais além do próprio filme
Ao promover as tertúlias o Clube de Cinema tenta que as sessões de cinema vão mais além do próprio filme «tentamos aproveitar o lado informal proporcionado pelo espaço, que não é uma sala de cinema convencional. A informalidade permite uma conversa e uma maior troca de experiências, quando há um convidado ou um realizador a falar sobre o filme melhor ainda porque permite estender essa troca de experiências e por isso tentamos que, sempre que possível, isso aconteça».
Pedro Soares referiu ao Rostos os mais mediáticos destes convidados «em Maio do ano passado tivemos cá o Sérgio Tréfaut que é um dos grandes documentaristas portugueses e que veio apresentar o seu documentário “Lisboestas” com que ganhou o IndieLisboa. Tivemos também o Filipe Melo que escreveu o primeiro filme de zombies português “I’ll See You in My Dreams”, e realizou a série de televisão o “Mundo Catita”, tivemos também o Ricardo Espírito Santo, também ele documentarista. Há mais tempo tivemos o José Barahona» referiu.

Vertente formativa
O gosto pelo cinema leva também à partilha de experiências e à formação da comunidade, no país e no estrangeiro como explicou ao Rostos Pedro Soares «no âmbito da Exprimentáculo desenvolvemos Workshop´s na área do cinema com escolas de Setúbal e também no estrangeiro onde somos convidados a estar na semana internacional do estudante em Belgrado, na Sérvia, onde somos responsáveis pelo Workshop de cinema.
A Exprimentáculo também é parceira da Câmara de Setúbal no festival “Curtas Sadinas”, que este ano está a apostar nesta vertente de formação pois não irá haver concurso» - sublinhou.

Brevemente…com o Clube de Cinema de Setúbal
A terminar a nossa conversa falou das próximas “estreias” sendo que a maior delas a mudança para novasinstalações «em Maio, a convite a CM vamos dedicar um ciclo, mais uma vez, ao diálogo intercultural. Em Junho a Experimentáculo organiza a 3ª edição do FUMO - Festival Urbano de Música e Outras Coisas em Setúbal, que apesar de ter o principal enfoque na música em espaços Históricos, o Clube de Cinema vai este ano associar-se à iniciativa dedicando o tema desse mês precisamente à música e às artes. Por fim, se tudo correr bem, a partir de Maio estaremos já na Casa da Cultura a convite da Câmara Municipal» referiu deixando uma mensagem «Queria convidar as pessoas a virem ver um filme num sitio diferente e aproveitarem o ambiente informal, para depois discutirem o filme ou simplesmente beberem um café».

Rui Nobre

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