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Perspectivas

«Loucos por Amor» pelo Projéctor - BarreiroQuando o teatro nos dá a «loucura da vida»…com amor!

No Dia Mundial do Teatro, a Associação de Teatro Projéctor, do Barreiro, estreou a sua 19ª produção, a peça «Loucos por Amor», de Sam Shepard, com encenação de Luciano Barata.

Este espectáculo do Projéctor, com encenação de Luciano Barata, pareceu-me surgir como um desafio a si próprio numa procura de desbravar novos caminhos, na busca de um novo estilo.

5 min de leitura
«Loucos por Amor» pelo Projéctor - Barreiro Quando o teatro nos dá a «loucura da vida»…com amor!

Por Jornal Rostos

A peça «Loucos por Amor», de Sam Shepard, com encenação de Luciano Barata, num só acto, desenvolve-se em torno do psico-drama de amor incestuoso que existe entre Mia ( Filipa Domingos), Eddie(João Santos), num confronto de diálogos que são «cortados», com a «presença» do pai/velho (Luciano Barata) que se «projecta» como evocação da memória, e, também, o registo de Martin (João Capitão Mor) um personagem apaixonado por Mia, que pela sua modéstia e simplicidade proporciona momentos de humor.
O conflito entre as duas principais personagens Mia e Eddie marca todo o ritmo do espectáculo. Um texto difícil de interpretar que exige dos actores uma grande disciplina de domínio dos personagens, dadas as sucessivas e “esquizofrénicas” mudanças de comportamentos, que marcam aquela relação divida entre o amor e ódio.

Filipa Domingos uma veterana ( que já é tempo de superar alguns tiques – puxa para cima, puxa para baixo – que a desviam da personagem e nos transportam para a Filipa). Tem uma boa interpretação e mais uma vez foi cinco estrelas.
Filipa vive de forma intensa o seu papel, agarra com garra a sua personagem, com momentos vibrantes, e deixa respirar João Santos, que, sendo a primeira vez que sobe ao palco, está perfeito.
Ambos conseguem manter os registos dos personagens de forma plena e soberba.
Luciano Barata, também, está muito bem como actor e, sublinhe-se, é uma participação de referência, porque faz lembrar aqueles treinadores de futebol que entram em campo a jogar e a enquadrar a equipa.

João Capitão Mor, tem uma boa interpretação, assumindo a ingenuidade do personagem, quer na linguagem dita, quer na sua expressão corporal, proporcionando momentos de humor.
Acho que no conjunto os actores estão todos muito bem e dignificaram o teatro.

A encenação é sóbria. Luciano Barata, encenador e actor, consegue com muita beleza, colocar em cena o personagem do pai/velho, em permanente, num jogo dialéctico de luz e sombra, que permite de forma sintomática ser a consciência que abre o caminho para um encontro com o outro lado do texto no contexto.
A palavra «motel» sempre presente, antes do início do espectáculo e durante todo o espectáculo é um elemento que procura levar o espectador a sentir o espaço cénico de forma explicita, mas, não sei se a manteria de forma total no antes, durante de depois, como presença contextualizadora, ou, se em determinados momentos não a apagava, principalmente durante os discursos do velho. Não sei, é uma mera dúvida estética. É que por vezes, aquela luz ali a piscar parece-me um ruído, um acessório com alguma inutilidade, podendo ser utilizada de forma criativa. Repito, é uma mera dúvida estética.

Este espectáculo do Projéctor, com encenação de Luciano Barata, pareceu-me surgir como um desafio a si próprio numa procura de desbravar novos caminhos, na busca de um novo estilo.
E, de facto, este espectáculo, pelas exigências do texto, pela sua dimensão sentimental, a exigir dos actores um trabalho de excelência, está muito bem conseguido, sem exageros nas tensões psicológicas, com encantamento nas relações de proximidade amorosa, fazendo rir nos momentos hilariantes, dando todos os actores uma interpretação positiva.
Apesar das condições do espaço não serem as melhores, Luciano Barata consegue erguer um trabalho notável do qual certamente se orgulha e com o qual marcou de forma digna, com a sua estreia, o Dia Mundial do Teatro.

Gostava de ver este espectáculo encenado no Teatro Municipal, acho que ganhava, quer dando mais energia aos actores pela proximidade ao público, quer dando outras condições aos espectadores, para sentirem de forma intensa a totalidade do espaço cénico e as expressões corporais e tensões entre os personagens. Este é um espectáculo para uma sala estúdio e perde, ali, na SIRB, pelo distanciamento do palco, pela altura do palco e pela frieza da sala.
Mas, mesmo com estas notas marginais, aqui deixo o convite, a todos que gostam de teatro para não perderem a oportunidade de ver este bom trabalho do Projéctor.

António Sousa Pereira

Sinopse

Peça com uma história intensa e comovente, num acto relativamente breve, mas cheio de paixão, e recordações, cuja acção ocorre dentro dos limites dum quarto de hotel decadente, onde uma mulher e um homem revisitam a sua história, partilhada de emoções pungentes, as quais vão provocando reacções, que parecem poder explodir, como um barril de pólvora a qualquer momento. Relação que define de forma visceral o limite de uma ligação condenada e incestuosa, mas real, entre o amor e o ódio.

«Loucos por Amor», de Sam Shepard, com encenação de Luciano Barata, vai estar em cena no palco da SIRB “Os Penicheiros” aos sábados, às 21h30, até 28 de abril e no domingo, 29 de abril, pelas 17h00.

O bilhete duplo para esta peça do Projéctor – Companhia de Teatro do Barreiro tem o valor de 5 euros.
Mais informações através do telefone 93 64 10 429 ou 91 78 05 048.

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