Saltar para o conteúdo
Perspectivas

Reservas Museológicas do BarreiroUm espaço que preserva muito do que resta da nossa memória colectiva

A necessidade de concentrar o amplo acervo museológico da Câmara Municipal do Barreiro levou há cerca de 10 anos a criação das «Reservas Museológicas» com o objectivo de tratar, guardar, e divulgar todo o espólio da autarquia.
Foi essa realidade que conduziu aos contactos com a então Quimiparque através da cedência de antigos Armazéns no interior do Parque Empresarial.

7 min de leitura
Reservas Museológicas do Barreiro Um espaço que preserva muito do que resta da nossa memória colectiva

Por Jornal Rostos

As Reservas Museológicas localizadas no Parque Empresarial da Baía Tejo constituem um espaço de memória histórico.
No local pode ser visitada uma exposição permanente, uma exposição cronológica, que começa com os artefactos da Ponta da Passadeira até à CUF, dando uma ideia da cronologia da ocupação do território.
A exposição é regularmente visitada por alunos das escolas, mas também são recebidas visitas de grupos que podem previamente ser marcadas.
No local estão, também, regularmente exposições temporárias, para além das exposições relacionadas com as memórias da CUF do Barreiro e da Mata da Machada.
Nas Reservas Museológicas existem diversos espólios que não estão permanentes ao público.
“Os diferentes espólios quando estão completos são sempre motivo para a realização de exposições, como foi o caso da exposição de canoaria” – refere Rosário Gil.
A Reservas Museológicas do Barreiro ao longo dos anos têm vindo a receber oferta de diversos materiais, desde relojoaria, dos Rancho Etnográfico do Barreiro, do Sporting Lavradiense que ofereceu materiais da área do cinema.

Triplicou o espólio em dez anos

O espólio da Mata da Machada existente tem sido ao longo dos anos objecto de estudo por parte de alunos do ensino superior da área de arqueologia.
Regina Janeiro, vereadora responsável pela área da Cultura da Câmara Municipal do Barreiro, recorda que as Reservas Museológicas quando abriram as suas portas contavam apenas com quatro espólios – Naval, com várias miniaturas de barcos tradicionais, os artefactos dos Fornos de Cerâmica da Mata da Machada e também da Real Fábrica do Vidro de Coina, ainda coleções de pesos e mediadas da antiga Casa da Aferição.
“Nestes dez anos triplicamos os espólios das Reservas” – sublinha a autarca.
Regina Janeiro, sublinha que as pessoas “acreditam” na autarquia, por essa razão são muitos os materiais que têm sido doados de alfaitarias, de sapatarias, de coleções pessoais.

Preservar as memórias do Barreiro

Nas Reservas Museológicas também têm sido organizadas exposições tendo por base referências temáticas – os 150 anos dos Caminhos de Ferro, o centenário da República, são alguns dos temas.
Lurdes Lopes, refere que, por vezes para destacar temas específicos também têm sido organizadas recolhas de materiais, recorda o caso da exposição dedicada à actriz Raquel Maria, que permitiu realizar a exposição e enriqueceu o município no que diz respeito ao seu património da actividade teatral no concelho.
“A família doou o seu espólio, e isso foi muito importante. Este é um exemplo. Mas há mais pessoas que querem doar materiais.” – refere Lurdes Lopes, lançando um repto aos barreirenses para que contactem as Reservas Museológicas porque, muitas coisas que possuem e por vezes não sabem o que faze, podem ser elementos essenciais para preservar as memórias do Barreiro.
Regina Janeiro, salienta que também há pessoas que possuem papeis ou fotografias que podem entregar pois – “essa é documentação que ajuda a reconstruir a memória”.

Regina Janeiro, salienta que o mais importante das Reservas Museológicas é, ali, estar a funcionar uma equipa de técnicos da área do Património, que permite dar vida ao espaço, e desenvolverem de forma organizada dos diversos projectos.

Exposições itinerantes sobre diversos temas

Rosário Gil, salienta que as Reservas Museológicas possuem um conjunto amplo de Exposições Itinerantes que podem ser utilizadas, em iniciativas culturais, por escolas ou instituições.
António Camarão recorda que as exposições são “modelares” e permitem divulgar diversos aspectos da vida local, desde Manuel Cabanas, a Greve de 1943, ou outros temas da vida local.

Estágios de estudantes Universitários

António Camarão, sublinha que nas Reservas Museológicas também existe um fundo documental que, muitas vezes, é utilizado por alunos do Ensino Superior para a realização de teses de Mestrado.
“Os alunos fazem estágios aqui nas Reservas, estudam peças, ou tipologias de peças em particular, esse também é um documento, e, como é evidente só pode ser estudado aqui nas Reservas. Há muitas pessoas que nos procuram para recolher informação sobre a história da CUF ou dos Caminhos de Ferro, sendo matérias estudadas, nós abrimos o caminho para terem acesso a informação ” – refere António Camarão.

Recolha e divulgação de informação

Lurdes Lopes, salienta, que ao nível do Património imaterial, está em desenvolvimento um projecto de recolha de depoimentos, quer em áudio, quer em vídeo, com a finalidade de serem feitos registos sobre as memórias do século XX barreirense.
Temas como as mulheres do Barreiro, a Guerra Colonial, têm vindo a ser tratados com o objectivo de disponibilizar informação em DVD’s.
“Os testemunhos não são apenas para registar as memórias das pessoas, irão ser tratados no âmbito de tratamentos temáticos. Porque a história oral permite chegar àqueles que foram sempre subalternizados na história dita oficial, com este trabalho queremos chegar às memórias das pessoas comuns” – sublinha Vanessa de Almeida.
Rosário Gil, salienta que neste trabalho de recolha de memórias para além da preocupação em registar depoimentos sobre o mundo laboral, também estão a ser efectuadas recolhas de pessoas que são importantes em diversas áreas de actividades do concelho do Barreiro.
“Hoje, para além da recolha de depoimentos temáticos também optamos pela recolha de histórias de vida, abrangendo as vivências locais” – sublinha Vanessa de Almeida.

A importância da Cortiça no concelho do Barreiro

De referir que neste momento as Reservas Museológicas estão a desenvolver um trabalho mais aprofundado sobre a indústria da Cortiça e seu contributo no desenvolvimento do concelho do Barreiro, que trouxe a Cortiça para o Barreiro .
A curto prazo vai realizar-se uma conferência cujo objectivo será efectuar uma abordagem da implantação das fábricas de Cortiça no território do concelho e a influência que exerceram sobre o seu desenvolvimento urbano – “é importante conhecer como a cortiça moldou o espaço da cidade” – refere António Camarão.
“A área da Cortiça, é uma área que pretendemos trabalhar, esta vai ser uma área mais difícil, dado que não temos os mesmo parceiros no terreno como tivemos para os 150 anos dos Caminhos de Ferro, ou para o centenário da CUF, mas vamos aprofundar esta temática.” – sublinha Regina Janeiro.

«Rota do Trabalho e da Indústria»

“Todo este conjunto de projectos que estamos a desenvolver vão apontar para o desenvolvimento de um projecto mais ambicioso que é a criação da «Rota do Trabalho e da Indústria» que pretendemos lançar este ano.
Acreditamos que este ano este projecto ganhará visibilidade, para começarmos a trabalhar. Este não será um projecto só da Câmara, será um projecto de responsabilidade colectiva, com a participação de diferentes parceiros quer colectivos, quer individuais, que passa pelo património material, mas também pelo património imaterial” – sublinha Regina Janeiro.
“A criação da Rota do Trabalho e da Indústria vai contribuir para consolidar muito do trabalho que está feito, sobre a Fábrica do Vidro, dos Fornos da Mata da Machada, da CUF e Caminhos de Ferro, depois pode ser consolidado tudo isso numa Rota, numa estratégia” – sublinha António Camarão.
“O Barreiro cresceu por sucessivas vagas demográficas de pessoas que vieram para cá pelo trabalho” – salienta Lurdes Lopes.
“No Barreiro, não podemos esquecer a indústria do sal que existiu no Lavradio. Eu sou família de salineiros, o meu avô era salineiro e agricultor” - recorda António Camarão.

Fica pois, aqui o convite, visite as Reservas Museológicas da Câmara Municipal do Barreiro, no Parque Empresarial Baía Tejo, onde para além do contacto directo com espólio de referência do desenvolvimento do concelho do Barreiro, e contactar uma equipa que sonha, trabalha e luta por preservar muito daquilo que no futuro vai restar da nossa memória colectiva.

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção