171 fábricas de cortiça no concelho do Barreirochegaram a existir em laboração
Na sua intervenção sublinhou que “a estrutura urbana” do Barreiro, desde os finais do século XIX “vai crescendo ao redor das fábricas de cortiça”.

Por Jornal Rostos
António Camarão, Técnico da Câmara Municipal do Barreiro, ontem à tarde, no decorrer da Conferência «A Indústria Corticeira no Barreiro, Seixal e Moita» sublinhou que a indústria da Cortiça, no Barreiro, “teve um peso superior a todos os concelhos à volta”, e defendeu que “a estrutura urbana” do Barreiro, desde os finais do século XIX “vai crescendo ao redor das fábricas de cortiça”.
Fábricas da Cortiça do Barreiro para a Moita
Segundo António Camarão, o inicio do declínio da indústria da cortiça no concelho do Barreiro, nos anos 50 e 60, teve origem na “pressão enorme” que era feita para que “as fábricas deixassem o Barreiro Velho” e fossem “corridas para a Verderena”, quer devido ao “avanço urbano”, quer ao “crescimento demográfico”.
“O urbanismo pressionou as fábricas da cortiça” – sublinhou, referindo que foi o concelho da Moita, Alhos Vedros que beneficiou com este facto, para onde se registou a deslocalização de fábricas do Barreiro.
Um concelho agrícola e piscatório
António Camarão, recordou que é “uma construção de espaço” que é “perceptível ao longo do tempo”, sendo “produto de muitos construtores”, e “contínua sucessão de fases”.
Referiu que o Barreiro, nos fins do século XIX, princípios do século XX era – “um concelho agrícola e piscatório”.
Recordou que em 1878, com a implantação da linha de Caminho de Ferro esta – “dividiu a vila”.
Empresas de dimensão nacional e internacional
No que diz respeito à implantação da indústria corticeira no Barreiro, que beneficiou da linha de caminho de ferro, que trazia a matéria prima do Alentejo e Algarve, e de cais na Rua Miguel Pais, que permitia o transporte para Lisboa, esta começa a desenvolver- no Barreiro no ano 1865, com investimento de empresários alemães e ingleses.
Em 1898 já existia “a grande fábrica” do Herold, que beneficiava do “ramal das lezírias”, estava localizada perto de um cais de acostagem, sendo uma referência nacional e internacional.
Recordou António Camarão, que entre 1900 e 1920 continuaram a desenvolver-se empresas corticeiras no concelho do Barreiro, sendo empresa de referência a “Teodoro Rúbio”, que atingiu o 1º lugar nacional ao nível da produção de rolha, sendo das principais empresas a nível mundial, para além de outras empresas de referência como a “Granadeiro” ou a “Barreiras”.
Estrutura urbana vai crescendo ao redor das fábricas
Segundo António Camarão, a instalação de empresas de cortiça no concelho do Barreiro prosseguiu ao longo dos anos 30, 40 e 50, uma marca que influenciava e marcava o tecido urbano do centro do Barreiro.
“A estrutura urbana vai crescendo ao redor das fábricas de cortiça” – sublinha.
Segundo referiu o técnico da Câmara Municipal do Barreiro – “chegaram a existir 171 fábricas de cortiça” no concelho do Barreiro.
António Camarão, recordou que Alfredo da Silva, em 1907, para instalar a CUF, comprou terrenos onde estavam instaladas fábricas de cortiça.
Rota do Trabalho e da Indústria
Refira-se que a intervenção de António Camarão teve como tema:«A Cortiça nas Ruas do Barreiro - Factor Condicionante do Urbanismo», um trabalho que, segundo referiu Regina Janeiro, vereadora responsável pela área cultural, se insere na investigação sobre a área da cortiça no concelho do Barreiro, que vem na sequência dos trabalhos realizados em torno do centenário da CUF e dos 150 anos dos Caminhos de Ferro, cujo objectivo visa a implementação da Rota do Trabalho e da Indústria.













