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Perspectivas

Carvalho Rodrigues na Moita«Quando se tira o “s” da palavra crise, fica CRIE.»

. É possível produzir coisas sem dinheiro

. Cais da Moita é o cais de terra mais antigo do estuário do Tejo

“O que encontramos aqui no Centro Náutico Moitense é um exemplo daquilo que pode resolver qualquer crise.
O que os associados fazem aqui é tirar o “s” da crise. Quando se tira o “s” da palavra crise, fica CRIE.” – sublinhou Carvalho Rodrigues, na Moita.

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Carvalho Rodrigues na Moita «Quando se tira o “s” da palavra crise, fica CRIE.»

Por Jornal Rostos

“O que Centro Náutico Moitense tem vindo a fazer há trinta e tal anos, tem duas componentes que têm a ver com o rio: uma é a das artes da vela e das pessoas que sabem andar à vela, a outra é a celebração do trabalho do rio” – referiu Carvalho Rodrigues, conhecido como «pai do satélite Português», no decorrer da conferência de imprensa de apresentação da X regata Moita- Vila Franca – Moita.

Os nossos barcos são os coches do rio

“Nós temos hoje uma visão romântica do trabalho do rio, mas o trabalho no rio era uma vida muito dura.
As regatas que nós vamos fazer, nas quais participam alguns velejadores, que estão aqui e fazem-no mesmo a sério, que têm o privilégio de conduzir coches”- sublinhou.
“Noutro dia estiveram por aí uns barcos de fórmula 1, mas, o facto real, é este, alguém viu um rei andar num barco de fórmula 1. Não viram. O rei anda sempre em coches.
Os nossos barcos são os coches do rio.” – salientou.
“Nós queremos celebrar o trabalho e as pessoas do trabalho deste rio e perpetuar a sua memória” – referiu.

Exemplo daquilo que pode resolver qualquer crise

“O que encontramos aqui no Centro Náutico Moitense é um exemplo daquilo que pode resolver qualquer crise.
O que os associados fazem aqui é tirar o “s” da crise. Quando se tira o “s” da palavra crise, fica CRIE.” – sublinhou Carvalho Rodrigues.

As coisas fazem-se produzindo

“Estas paredes foram criadas por pessoas que andaram a por aqui argamassa, os tijolos.
Esse é um ensinamento que temos que passar aos mais pequeninitos e para todos à nossa volta, porque as coisas fazem-se com todos como um só e fazem-se todos juntos.
Não há processo de fazer as coisas sem as fazer produzindo. As coisas fazem-se produzindo” – sublinhou.

Aqui não há crise, há muito trabalho

“Deixem de andar assustados agora com o estupor da crise, porque a primeira coisa para a enfrentar é não ter medo, depois é tirar o “s” da crise, e criar que é para produzir.
É isso que tem sido feito aqui, com esta maneira de estar no mundo, e sendo um exemplo, de como se tira o “s” à crise, para criar e produzir. Aqui não há crise, há muito trabalho” –

Não é preciso fazer discursos de esperança

“Isto nem é esperança, é a realidade, não é preciso fazer discursos de esperança nenhuns, é preciso trabalho” –
Carvalho Rodrigues deu o exemplo da resistência que foi dada a uma Lei injusta – “ela acaba de ser um exemplo de como podem ser resolvidas as coisas”, concretizando a Assembleia da República propostas que foram desenvolvidas localmente pelos clubes e pelas autarquias.
“Com a acção do coordenador da Comissão, o deputado Bruno Vitorino, os deputados da nação chegaram à conclusão que era possível mudar uma Lei que era iníqua e injusta, fazendo-o por unanimidade” –
“A razão fundamental apontada foi esta, enquanto na maioria dos clubes náuticos foram construídos pagando, estes foram construídos com o suor e sangue das pessoas que ficou espalhado pelas paredes. Isso foi o suficiente para unir os portugueses” – salientou o cientista.

Trabalho e a produção podem levar muito longe

“O trabalho e a produção podem levar muito longe. Os meus avós eram trabalhadores do campo de um lado, e operários do outro, e, eu continuo a ser um operário, embora mais qualificado, não deixo de vender as minhas horas de trabalho, com os outros, posso é levar um pouco mais dinheiro, que eles pagam” –
“O Centro Náutico é uma grande escola, para se aprender a velejar e a navegar, é uma escola para se aprender a não ter medo de ousar produzir. Este Centro é uma grande escola: a escola de produzir. A escola do fazer sem pedir licença, fazer o que é preciso fazer, trabalhando como um só, todos juntos. Por isso não posso deixar de fazer parte deste esforço” – destacou Carvalho Rodrigues-

É possível produzir coisas sem dinheiro

“Nesta hora que atravessamos é preciso dar este exemplo a toda a gente, demonstrar que nós juntos, podemos fazer coisas, é possível produzir, ao contrário do que dizem continuadamente na televisão.
Aqui prova-se que é possível produzir coisas sem dinheiro. É possível.
O capital tem uma virtude quando é capitalismo, mas, o que estamos a agora a viver não é uma crise do capitalismo, é o fim do capitalismo” – salientou.

Capital é para tudo menos para produção

“O capital tem uma função interessante, nós temos uma ideia, arranjamos o dinheiro para juntar gente à nossa volta para dar corpo à mesma ideia, para trabalhar naquela ideia e depois todos têm que acrescentar valor produzindo, para que possa ser distribuído esse valor.
Mas, o que tem acontecido nos últimos anos, nesta parte do mundo não é nada disso, agora, o capital é para tudo menos para produção. É um conto do vigário.” – referiu.

A mentira da crise é essa mentira dos bancos

“Por isso, quando dizem que os bancos estão em crise, isso não é verdade. Eles estão sempre bem, o que inventaram foi entre eles uma mentira.
A mentira é inflaccionária, quando se diz uma peta, depois é preciso dizer uma mentira maior, depois outra maior, até outra maior. A mentira da crise é essa mentira dos bancos. São mentiras sucessivas.
Eles que digam a verdade, é impossível eles dizerem a verdade, porque tem que existir sempre uma mentira crescente.” – afirmou Carvalho Rodrigues.

Uma grande escola na Moita

“Aqui, nesta casa. mercê do exemplo daqueles que estão cá todos os dias, e daqueles que ousaram dar destino ao rio, celebrando-o, como vai ser feito nesta regata que liga a Moita a Vila Franca de Xira, demonstram que é possível fazer e produzir.
Nós temos que começar a produzir ao nível do que fazemos aqui no Centro Náutico da Moita – fazendo todos juntos.
Podem, no país, por os impostos a 100% porque por esse método o país não paga a divida. Mas, este método, aqui do Centro, paga a divida, paga qualquer divida, porque é baseado em trabalho.
Esta é uma grande escola que na Moita nasceu e cresceu aqui à beira Tejo.” – sublinhou.

Produção de CO2 de uma canoa é zero

Carvalho Rodrigues, sublinhou que – “quando a gente recupera, faz e persiste, em andar com embarcações típicas, agora que se fala muito no equilíbrio do ambiente, num tempo que toda a gente protege as bicicletas, faço lembrar que as canoas a produção de CO2 de uma canoa é zero, andam com a energia das marés e com a energia solar que é o vento.
A bicicleta para a produzir faz muito mais poluição, e, quando começa uma subida, o tipo produz muito mais CO2, e se a subida for muito acentuada até presumivelmente outros gases são produzidos.
Até no equilíbrio com a natureza as nossas embarcações, geradas no espirito deste centro náutico, são mais eficazes.” – sublinhou.
“Este é o espirito que perdura. Não é preciso falar em esperança, é preciso produzir, é preciso mais que ser português é preciso ser patriota. e, aqui pela nossa acção e não pelo que dizemos somos uma escola de patriotismo” - acrescentou.

Cais de terra mais antigo do estuário do Tejo

Recordou que o cais da Moita – “é o cais de terra mais antigo do estuário do Tejo”, reforçando que é o cais mais antigo que continua a ter utilização.
O cientista sublinhou a importância do rio e dos fragateiros – “homens que trabalham no rio com uma vida muito dura”, uma memória que é preciso preservar como exemplos de vida.

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