Manter as oito freguesias no concelho do BarreiroLegislação apresentada pelo Governo é «geradora de insatisfações»
A manutenção das oito freguesias mereceu o voto favorável de todos os vereadores e o voto contra de Nuno Banza, PSD.

Por Jornal Rostos
Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, apresentou no decorrer da reunião pública, realizada nas instalações da Junta de Freguesia da Verderena, o «Parecer» sobre a «Reorganização Administrativa Territorial Autárquica do concelho do Barreiro.
Está a ser concretizado a «mata cavalos»
O Presidente da Câmara Municipal do Barreiro salientou que os aspectos financeiros referenciados na proposta do Governo sobre a reorganização autárquica no que diz respeito às freguesias “são residuais».
O autarca salientou que este processo de reorganização autárquica promovido pelo Governo está a ser concretizado a «mata cavalos» e «não tem em conta questões tão importantes como a identidade histórica e cultural das comunidades locais».
Sem mais valias para a reorganização territorial
O edil alertou para o facto de neste processo não estar a ser tomado em conta “a participação das autarquias” na definição dos seus territórios, nem “o respeito pela autonomia e o papel do Poder Local Democrático».
Sublinhou Carlos Humberto que a legislação apresentada pelo Governo é «geradora de insatisfações» e «sem mais valias para a reorganização territorial».
Não há Estado democrático sem democracia
O presidente da Câmara Municipal do Barreiro, sublinhou que –“não há Estado democrático sem democracia», que pressupõe a «descentralização territorial».
Recordou que com a revolução de 1974 registou-se a participação das populações na gestão da coisa pública, com “aumento significativo das competências das autarquias», tendo contribuído para o desenvolvimento.
Sublinhou que «por unanimidade» as forças politicas representadas na Assembleia Municipal do Barreiro, aprovaram em 1985, apresentaram uma proposta à Assembleia da República de criação de mais quatro freguesias no concelho do Barreiro – Coina, Santo António da Charneca, Alto do Seixalinho e Verderena.
Manutenção das actuais 8 freguesias.
Carlos Humberto, apresentou a proposta de «Parecer» da Câmara no sentido de se pronunciar favoravelmente quanto à manutenção das actuais 8 freguesias.
E, que autarquia devia suscitar junto das instâncias as suas dúvidas pela forma como tem vindo a ser implementada a reorganização administrativa.
No Parecer a Câmara Municipal do Barreiro exige a suspensão do processo de extinção de freguesias.
O autarca discordou daqueles que afirmam que com esta tomada de posição “está-se a perder uma oportunidade” de ter mais verbas para as freguesias, e uma oportunidade de em vez de 4 ficar o concelho com 5 freguesias.
“Há coisas mais importantes, a questão da autonomia do Poder Local é uma questão central. A questão do respeito pelos órgãos autárquicos é uma questão muito importante.” – sublinhou.
Reforçar politicas de proximidade
Nuno Santa Clara Gomes, vereador independente, manifestou a sua concordância com o parecer apresentado e sugeriu algumas alterações no texto de forma a reforçar as ideias expressas no que diz respeito à importância de se valorizar as politicas de proximidade.
Não contribui para a redução de custos financeiros
Amílcar Romano, PS, leu a Declaração de Voto dos vereadores socialistas, onde se expressa a discordância sobre a extinção das freguesias e apoiando a manutenção das 8 freguesias no concelho do Barreiro.
“Esta medida não contribui para a redução de custos financeiros” – sublinhou.
Reorganização assinada pelo Governo José Sócrates
Nuno Banza, PSD, também em declaração de voto, sublinhou que a proposta apresentada pelo Governo estava prevista no memorando subscrito com a «Troika» pelo Governo de José Sócrates.
O vereador social-democrata salientou que com a tomada de posição pela Câmara Municipal do Barreiro de manter as oito freguesias está a perder uma oportunidade.
Declaração de Voto de Nuno Banza - Vereador PSD
A reorganização Administrativa Territorial Autárquica prevista no memorando de entendimento com a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional, subscrito pelo Governo liderado por José Sócrates e corporizada pela legislação aprovada pelo atual Governo em Maio de 2012, prevê a reorganização dos limites das atuais freguesias por fusão e agregação das freguesias atualmente existentes, promovendo uma alteração na gestão politica do território das freguesias originais, reduzindo o número de eleitos e membros dos executivos das assembleias, permitindo uma maior racionalização da gestão, com eventuais reduções nos custos para os contribuintes, antevendo-se consequências positivas para o desempenho das competências e atribuições destes órgãos de poder local.
Ao contrário das mensagens amplamente divulgadas por várias forças políticas, não se trata de promover nenhuma redução da capacidade de intervenção das freguesias, nem a extinção de postos de trabalho com despedimento de trabalhadores, nem a extinção de competências ou serviços aos munícipes. Trata-se isso sim de uma alteração na forma como os políticos gerem o território, reduzindo o número de cargos políticos eleitos e agregando territórios contíguos, dando-lhes uma maior coerência na sua gestão! Adicionalmente a recusa expressa na promoção voluntária desta agregação implica a perda de um incentivo de 15% de majoração orçamental, que lesa indiscutível o interesse das populações!
A defesa da cultura, da história e do património locais faz-se através do apoio e incentivo à associação livre de cidadãos em organizações da sociedade civil independentes e não manietadas, que promovam a apropriação e promoção dos valores mais relevantes em cada comunidade! Por tudo isto, a defesa da comunidade e do interesse das populações não passa pelo imobilismo e pela negação da realidade, mas antes pela adaptação às novas realidades e a transformação de pontos fracos em pontos fortes e das ameaças em oportunidades. É esta a oportunidade que o Barreiro perde hoje com a aprovação deste parecer!
DECLARAÇÃO DE VOTO DOs VEREADORES DO PARTIDO SOCIALISTA
“PARECER DA CÂMARA MUNICIPAL DO BARREIRO SOBRE A REORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA TERRITORIAL AUTÁRQUICA DO CONCELHO DO BARREIRO”
Os eleitos locais do PS na CMB votaram favoravelmente a proposta deliberativa camarária incluída na ordem do dia da reunião ordinária pública de câmara de 19 de Setembro de 2012, no auditório da Junta de Freguesia da Verderena, com o título “Parecer da Câmara Municipal do Barreiro sobre a Reorganização Administrativa Territorial do Concelho do Barreiro (nos termos do artigo do nº 2 do artigo 11, da Lei nº22/2012 de 30 de Maio)”, pugnando pela afirmação da manutenção das oito freguesias do nosso Concelho: Alto do Seixalinho, Barreiro, Coina, Lavradio, Palhais, Santo André, Santo António da Charneca e Verderena.
A Lei n.º 22/2012 de 30 de Maio que aponta e determina a extinção de freguesias, pois que é da verdadeira extinção de que estamos a falar e não de uma agregação ou fusão, não tem em conta nem considera a realidade concreta, específica, singular e tantas vezes única e repetível de cada Concelho e de cada Freguesia, a sua historia, a sua
geografia, a sua cultura identitária, as suas dinâmicas. Esta lei estruturada a régua e esquadro e unicamente com base em critérios legais abstractos, fundados no conceito de lugar e na aplicação de percentagens, esquece o que é mais importante na política e na Democracia: as pessoas e a sua felicidade.
Ignora alguns princípios e direitos constitucionais, nomeadamente, os que consubstanciam a autonomia do Poder Local.
Esta lei, imposta de cima para baixo no desrespeito das pessoas e dos órgãos locais, representa uma violação objectiva das regras democráticas mais elementares.
Em concreto, não contribui para quaisquer ganhos ou vantagens de índole orçamental e financeira, de acordo com os princípios da redução da despesa pública, do endividamento público e da consolidação orçamental, resultantes da extinção destas freguesias.
E muito menos se vislumbram ainda vantagens ou ganhos na melhoria de prestação de serviço público às populações ou no incremento de eficácia e de eficiência dessa prestação.
Por outro lado, esta lei revela bem uma atitude preconceituosa em relação ao Poder Local Democrático, desconsiderando-o e lançando sobre ele um verdadeiro anátema, reveladora da política da actual maioria parlamentar e do actual Governo PPD-PSD/CDS-PP.
Não assume aspectos fundamentais e urgentes, como seja a definição rigorosa e coerente das competências a atribuir às Juntas de Freguesia, de acordo com práticas que têm vindo a desenvolver, de forma regular e sistemática, na gestão do seu território e no apoio objectivo e eficaz às populações; é condicionante pela lógica da sua implementação e de acordo com as orientações “do custe o que custar” em aspectos que urge resolver como uma mais eficaz
definição dos seus limites territoriais. Este aspecto complexo e sensível para as populações locais só é possível de encontrar as melhores soluções através de uma participação activa e empenhada das mesmas.
Como todos devemos reconhecer as freguesias, verdadeiro baluarte do Poder Local Democrático, constituem em tantos e tantos locais do País o único ponto de contacto entre o cidadão e o poder político e administrativo, consideramos que também por isto é preciso reflectir, agir e mudar de política e de políticas.
Barreiro, 19 de Setembro de 2012
Os Vereadores do Partido Socialista













