Encerramento da EMEF/ Barreiro no 1º trimestre de 2013contestado em moção aprovada pela Assembleia Municipal do Barreiro
A Moção foi aprovada com os votos favoráveis do PCP/CDU e BE, tendo sido registado o voto contra do PS e PSD.

Por Jornal Rostos
Filipe Marques, da CDU, apresentou na reunião da Assembleia Municipal do Barreiro uma moção sobre «O Pólo Ferroviário do Barreiro», alertando para a possibilidade de encerramento da EMEF/ Barreiro no 1º trimestre de 2013 e contestando as politicas que têm conduzido ao desmantelamento do pólo ferroviário do Barreiro.
Sublinhou que a politica do Governo quer abrir caminho à privatização e criticou que sistematicamente tenha vindo a ser reduzido o número de trabalhadores no Barreiro.
PDM prevê construção de edificação naquele espaço
Luis Pedro Cerqueira, PS, comentando esta moção referiu que – “não deixa de ser curioso” que o “desmantelamento” do pólo ferroviário do Barreiro é “corroborado” pela CDU, porque propõe no Plano Director Municipal a construção de edificação naquele espaço.
Referiu que, igualmente, no Plano da Qumiparque e Zonas envolventes também se propõe a urbanização daquele espaço – “persiste com ideias de urbanização”.
“Há responsabilidades da CDU no desmantelamento” – sublinhou.
Oficinas da EMEF são para ficar no sitio onde estão
José Paleta, PCP/CDU, defendeu que a posição do PCP é claramente de defesa da Oficinas da EMEF e que elas fiquem no sitío onde estão localizadas.
Lamentou que o PS queira transformar a CDU de acusador a acusado, e disponibilizou-se para marcar presença o tempo que for necessário, na Avenida da República, para defender as Oficinas da EMEF no Barreiro.
Fecho das Oficinas no Barreiro o melhor resultado financeiro
Luis Pedro Cerqueira, comentou que a EMEF tem várias Oficinas no país, e se opta pelo fecho no Barreiro é “por ser aquele que tem melhores resultados financeiros” em resultado do previsto no PDM e no Plano de Urbanização da Quimiparque e zonas envolventes, que prevê “ a suspensão de 3Km de via férrea”.
PDM não mudou localização das Oficinas da EMEF
Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, expressou a sua discordância das posições expressas por Luis Pedro Cerqueira, recordou que o PDM foi aprovado há 20 anos e as Oficinas da EMEF continua a funcionar no mesmo local onde estão agora.
A Moção foi aprovada com os votos favoráveis do PCP/CDU e BE, tendo sido registado o voto contra do PS e PSD.
Divulgamos o texto da Moção apresentada pela CDU:
O PÓLO FERROVIÁRIO DO BARREIRO
Como resultado de 3 décadas de políticas semelhantes levadas a cabo por Ps, PSD e CDS, seguidas escrupulosamente pelas administrações da Emef, CP, Cp-Carga e Refer, os trabalhadores do PóIo Ferroviário do Barreiro têm sofrido com o sucessivo desmembramento do sector, que prima pela ausência de soluções estratégicas que possam garantir o seu desenvolvimento sustentado e o contributo que pode dar à economia do concelho, da região e do país.
A perspectiva de encerramento da Emef até ao 1º trimestre de 2013, é inaceitável quando justificado pela falta de trabalho. Desde logo as opções politicas influenciam diretamente tal facto, por exemplo, como é possível que os “bogies” do equipamento ferroviário da Fertagus, retirados nas oficinas em Coina a 13 km das oficinas da Emef/ Barreiro, percorram mais de 600 km para fazer a sua manutenção e reparação em Espanha.
Após a eletrificação da Linha do Sado também é hoje incompreensível a não eletrificação de 300m da linha de acesso às oficinas da Emef/Barreiro, sendo esse um obstáculo decisivo à entrada de material circulante elétrico nas oficinas. É tanto mais injustificável tal opção quando ali existe mão-de-obra qualificada e experimentada para a manutenção e reparação de equipamento ferroviário, quer para a vertente diesel mas também para a elétrica, que não se encontra devidamente potenciada.
O modelo de gestão deve também ter em conta a vertente da construção, por um lado porque inevitavelmente a frota nacional terá um tempo de vida, que em alguns casos já se encontra no limite, e por outro lado porque em relação aos PALOP’s que se encontram a investir no desenvolvimento ferroviário, casos de Angola e Moçambique, devia existir uma estratégia de cooperação que constituísse uma verdadeira aposta.
Importa que futuras soluções decididas pelo Governo tenham em conta o universo do património ferroviário nacional, com garantia de trabalho para a EMEF. A Cp, principal acionista da EMEF, quando contratualiza ou faz aquisiçào de material circulante não salvaguarda a EMEF como principal cliente, optando por multinacionais para o efeito, pondo desta forma em causa a ocupação efetiva dos trabalhadores, o próprio desenvolvimento da Empresa e gastando mais dinheiro, como por exemplo no caso do aluguer das “espanholas” de 30 miIhões euros/5 anos, quando a remotorização das UQE’s 600 custaria 1 7 milhões de euros e garantiria trabalho para a Emef.
Os eleitos da CDU













