No Neolítico existia um bosque no Lavradio no BarreiroSítio arqueológico da Ponta da Passadeira onde a exploração do sal foi melhor documentada
“Na Ponta da Passadeira foi encontrado o 1º forno de cerâmica identificado em Portugal” - . sublinhou.

Por Jornal Rostos
O «Sítio Pré-histórico da Ponta da Passadeira», localizado na restinga da desembocadura contíguo à ETAR do Barreiro Moita, foi tema de uma palestra no âmbito das Jornadas Europeias do Património- 2012, realizada no Auditório da ETAR do Barreiro/ Moita.
Dimensão do património do Sitio da Ponta da Passadeira
Miguel Roquete, Administrador da Simarsul, sublinhou que a realização desta iniciativa no âmbito Jornadas Europeias do Património- 2012 tinha por objectivo “alertar a consciência das populações para a importância do Património”.
Referiu que desde a primeira hora a empresa reconheceu a dimensão do património do Sitio da Ponta da Passadeira, por essa razão foi assinado um protocolo de cooperação com o Museu de Setúbal.
O Administrador da Simarsul expressou a disponibilidade para continuar a promover acções que contribuam para valorizar este património.
Linha da frente da frente ambiente
Miguel Roquete salientou que num tempo de complexidade ambiental onde, hoje, existem muitos desafios, a Simarsul é uma empresa que está na “linha da frente da frente ambiente”.
Potenciar o património do concelho do Barreiro.
Sofia Martins, Vice Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, salientou o importante contributo que a Simarsul tem desenvolvido na melhoria do ambiente, sendo um parceiro indispensável para a autarquia.
A autarca sublinhou que com a realização deste evento a Simarsul está também a potenciar o património do concelho do Barreiro.
Falar do futuro da memória
Joaquina Soares, Diretora do MAEDS, começou por referir que a palestra «O Sítio Pré-histórico da Ponta da Passadeira. - A exploração de sal e o seu enquadramento na Pré-história europeia das zonas ribeirinhas», visava “falar do futuro da memória”.
Referindo que a Ponta da Passadeira está ligada ao Mar, também a essa presença do “domínio do Atlântico” pelos portugueses, sendo um exemplo como o “mar é a nossa vantagem” e que “temos que apostar no Mar”.
“A Pré-história indica-nos esse caminho” – sublinhou.
Apoio da Câmara Municipal do Barreiro
Recordou Joaquina Soares, que as escavações arqueológicas realizadas tiveram sempre o apoio da Câmara Municipal do Barreiro, saudando, particularmente, a presença de António Gonzalez que foi quem “identificou o sítio arqueológico da ponta da passadeira”.
Exploração do sal na Pré-história na Europa
Joaquina Soares, começou por referir que a “exploração do sal da importância ao sitio da passadeira” dada a Importância económica do sal e por ser um elemento essencial à vida humana.
Recordou as zonas com importância de exploração do sal na Pré-história no tecido territorial da Europa, sendo a Península de Setúbal uma das referências.
Sublinhou que a produção do sal na epóca resultava da evaporação de águas salgadas nas zonas de estuários, recordando que a extração de sal através de Marinhas só teve início na época romana.
Sitio arqueológico onde a exploração do sal foi melhor documentada
“Na técnica utilizada para obtenção do sal na pré-história era preciso muito combustível” – sublinhou.
Na Ponta da Passadeira “existia um bosque”, era “um bosque de pinheiros”, salientando que nas escavações arqueológicas foram descobertas raízes de pinheiros.
“Este é o sitio arqueológico onde a exploração do sal por via ígnea foi melhor documentado, relativamente ao IV milénio antes de Cristo” – salientou a Directora do Museu de Setúbal.
Um povoado ocupado ao longo de todo o ano
Joaquina Soares, referiu que numa análise do povoado ocupado do sitio da passadeira, foi possível concluir que era – “um povoado ocupado ao longo de todo o ano”.
Referiu que na “organização do povoamento humano” foi possível concluir que se dedicavam à pesca, à apanha de moluscos, à agricultura e à exploração do sal.
Sublinhou que o sal era a componente económica do sistema utilizado na troca.
No sitio da Passadeira, segundo a Directora do Museu de Setúbal, existia “trabalho interdisciplinar”
Reconstituição da paisagem vegetal
Joaquina Soares, salientou que através das pesquisas realizadas na Ponta da Passadeira foi possível efectuar a “reconstituição da paisagem vegetal”.
Foram desenvolvidos estudos dos carvões, da fauna, da cerâmica, permitindo conhecer o eco-sistema.
Recordou que a área das escavações estava debaixo de água e foi possível encontrar a “floresta fóssil” e determinar a “zona de sapal”.
Pelos elementos recolhidos no “bosque submerso” foi possível identificar as espécies de pinheiros.
Ocupação relativa ao Neolitico
Joaquina Soares, salientou que a floresta foi data como referente ao período 5240 – 481 antes de Cristo.
A ocupação humana do Sitio da Passadeira foi datada no período 4.700 a 4460 antes de Cristo, relativa ao 1º Neolitico.
Sublinhou que nas escavações, apenas nas margens do povoado, foi possível en contrar registos relativos ao Neolitico final, 4330 AC.
Foram encontrados registos de Paleosapal, porque a vegetação encontrada na zona permitia concluir que a água era muito salgada.
Recordou que o Sapal era de grande importância económica, nomeadamente para a actividade de cerâmica e de produção olaria.
Existia um bosque no Lavradio
“A Ponta da Passadeira há cinco mil anos era um extenso bosque, com pinheiro e carvalho. Existia um bosque no Lavradio.
A ocupação humana abriu clareiras para estabelecer um povoado e desenvolver a exploração do sal” – sublinhou Joaquina Soares.
Nos estudos realizados referiu que foi possível efectuar uma análise do “tempo económico”, do “tempo social” e do “tempo ambiental”.
Recordou que a zona das escavações estava repleta de fosseis, e dado que as populações pré-históricas tinham preocupações de salubridade, verificáveis pela forma como tratavam os seus lixos, foi possível concluir que na Ponta da Passadeira – “existia uma fileira produtiva integral – bosques, sal, cerâmica, pesca”.
A economia do povoado da Ponta da Passadeira tinha por base a pesca, a caça, a pastorícia, a agricultura e a apanha de moluscos estuarinos.
Gado na agricultura um feito revolucionário
Foram recolhidos fragmentos de cerâmica e peças que são referências à “celebração da força do touro”.
“Aplicar a força do gado à agricultura era um feito revolucionário, porque até aí eram as mulheres que faziam os trabalhos agrícolas” – referiu.
Joaquina Soares, salientou que em algumas peças de cerâmica existe uma “linguagem simbólica” que espelham a expressão de forma de “arte esquemática”.
“Na Ponta da Passadeira foi encontrado o 1º forno de cerâmica identificado em Portugal” - . sublinhou.
Uma economia agro-maritima
Joaquina Soares, referiu que a economia do povoado da Ponta da Passadeira tinha “uma dimensão regional”, e mantinha relações económica com o mundo de então, um mundo que se desenvolvia nas franjas litorais e com base nas economias ribeirinhas, daí a importância dos estuários do Tejo e Sado.
Salientou que neste povoado existia uma especialização numa economia agro-maritima.
Joaquina Soares referiu que nestas economias encontramos as raízes de Portugal, apontando como sendo esse o caminho do futuro, “reencontramos a nossa vocação marítima”.
Exposição de um vestígio arqueológico
Na ETAR Barreiro/ Moita está patente uma exposição permanente com um vestígio arqueológico do bosque neolítico submerso do Sítio Pré-histórico da Ponta da Passadeira.













