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Perspectivas

Célia Figueira encenadora e dramaturga do Barreiro«Tempo de Mágoa» - um mergulho ao passado, um grito no presente

. Dia 4 de Novembro, pelas 16 horas na 13ª edição da Mostra de Teatro do Lavradio

Assistir à peça «Tempo de Mágoa», do Grupo «Ensaiarte», é mergulhar no tempo, percorrer a memória de um país, que, ainda, nos dias de hoje, está marcado por essa mágoa do tempo – 40 anos de repressão, de perseguições, de prisões, de desconfiança, de dor e mágoa, muita mágoa.

4 min de leitura
Célia Figueira encenadora e dramaturga do Barreiro «Tempo de Mágoa» - um mergulho ao passado, um grito no presente

Por Jornal Rostos

No Fórum José Manuel Figueiredo, na Baixa da Banheira, concelho da Moita, foi levada a cena pelo Grupo «Ensaiarte», a peça «Tempo de Mágoa», com texto e encenação de Célia Figueira.

Dia 4 de Novembro na 13ª edição da Mostra de Teatro do Lavradio

A peça estreou em Abril, no Auditório do Pinhal Novo, Palmela, e tem vindo a percorrer diverso espaços.
No próximo dia 4 de Novembro, na 13ª edição da Mostra de Teatro do Lavradio, na SFAL – Sociedade Filarmónica Agrícola Lavradiense, concelho do Barreiro, vai estar presente, pelas 16 horas .

Memória de factos reais de uma amiga

Assistir à peça do Grupo «Ensaiarte» é mergulhar no tempo, percorrer a memória de um país, ainda, nos dias de hoje está marcado por essa mágoa do tempo – 40 anos de repressão, de perseguições, de prisões, de desconfiança, de dor e mágoa muita mágoa.
Célia Figueira, no final do espectáculo, recordou que a «história» contada era a memória de factos reais de uma amiga que vive em Coimbra.
E, com emoção, lançou o repto aos espectadores: “Não aceitemos que isto volte a acontecer”.

Sons poéticos de luta e esperança

A peça é vivida no contexto das lutas estudantis, nas evocações de lutas operárias, do ambiente familiar de silêncio e medo, das lutas do Alentejo, recordando Catarina Eufémia, da Guerra Colonial. A utilização de imagens projectadas ao longo do espectáculo, são verdadeiros ícones que nos permitem reviver factos e situações de um país sitiado.
José Afonso é uma presença quase permanente, com os seus sons poéticos de luta e esperança que abriam o caminho ao sonho da Liberdade.

Viver num mergulho ao passado

Um cenário marcado pela simplicidade. Uma encenação onde o jogo de luz e sombras obrigam-nos a mergulhar por dentro das palavras e a sentir o peso das palavras.
Momentos de ternura e amor. Momentos dramáticos de violência gratuita infligidos pela PIDE – policia politica.
Uma peça que nos faz sentir de súbito, psicologicamente, viver num mergulho ao passado recente de um país que cantava - «Acordai!»

Espectáculo sem quebras ou momentos mortos

Os jovens actores dão intensidade aos seus papeis, vivem-nos com emoção, com ritmo na representação.
Aliás, é importante salientar que a peça é marcada por um desenvolvimento da acção de forma intensa, obrigando o espectador a viver todos os momentos. As mudanças de cena são enriquecidas com breves coreografias, onde se sente a criatividade e a dinâmica do espectáculo sem quebras ou momentos mortos.

“Tempo de Mágoa” dá-nos autenticidade

Uma peça que nos faz sentir que este país não pode perder a memória, e, a finalizar, recordando o medo de outrora, alerta para que evitemos o medo dos tempos de hoje.
“Tempo de Mágoa” dá-nos autenticidade, faz-nos pensar o tempo e sentir que há um país que continua por (re)construir, naquela mensagem final que volta a trazer-nos o grito do poeta: «Acordai!» .
Um país que, afinal, vive marcado por esse «tempo de mágoa»…porque a «mágoa» deixa cicatrizes no pensamento.
Parabéns ao Ensaiarte. Parabéns a Célia Figueira.

S.P.

Sinopse

Tempo de Mágoa, anos de uma República Portuguesa esquecida, onde repousa a «Pátria de Salazar», país de medo e da guerra, da repressão e da censura, mdos delitos de opinião e prisões politicas com torturas tão mecanicamente perfeitas infligidas nos seres humanos em farrapos, do analfabetismo e da miséria, dos «pés descalços» massacrados pelas pedras e gelo, das crianças sem pão e sem nome suporte da abastança burguesa. Anos de uma República Portuguesa, com um povo expectante em silêncios de medo, com trabalho escravo pomposamente chamado bolseiro, estagiário, colaborador e cooperante, de conflitos sociais e insegurança permanentes, com "se faz favor emigre porque aqui já nada há para fazer".
Acordai!

Ficha Técnica

Texto e Encenação
. Célia Figueira

Elenco

. Adriano
. Aninha
. Ana Monteiro
. Ana Teresa
. Carlos Alves
. Irene.
. Mara
. Mauro
. Pedro
. Rodolfo
. Joana
. Liliana

Som e Imagem
. Laiane

Luminotécnico
.Tiago Fonseca

Coreografia
. Célia Figueira

Guarda Roupa
. Irene Varela

Composição e Cenário´
. Laiane
. Ana Teresa
. Ana Monteiro

Cenografia
. Célia Figueira

Banda Sonora ( compilação)
. Célia Figueira

Composição Gráfica
. Tiago Fonseca

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