Arteviva – Companhia de Teatro do Barreiro«Viemos todos de outro lado»- toca nos valores da cidadania
Dario Valente, demonstra como Teatro é de facto a criação de situações no palco que geram uma multiplicidade de sentimentos e afirmação de valores, beleza e humanismo.

Por Jornal Rostos
No dia 28 de Setembro, no Teatro Municipal do Barreiro, Arteviva – Companhia de Teatro do Barreiro estreou a peça “Viemos todos de outro lado”, com texto de Luís Mourão e encenação de Dário Valente.
As imagens do vídeo que transportam pela paisagem numa viagem de comboio que, pode ser a entrada em Portugal, ou noutro qualquer lugar, são a simbologia de um ponto de partida ou chegada a um lugar onde tudo pode começar de novo.
São talvez as imagens que um qualquer imigrante ou viajante grava na sua memória quando parte à procura de um lugar para recomeçar a vida.
Estamos enquadrados no espaço, ali, onde se projectam as cores a preto e branco, como indicando um caminho rumo ao infinito.
O cenário da peça é marcado pela simplicidade de elementos, colocados no espaço, com criatividade e flexibilidade, para marcar os lugares e as situações de acordo com as exigências do desenvolvimento dos contextos.
O texto nesta peça é um elemento fundamental, e, ganha mais força com a pureza das interpretações de Rui Martins e Vítor Nuno, com uma dicção viva que nos faz sentir o peso das palavras.
A luz da peça contribui de forma muito bela para criar dinâmica e caracteriza, com mais ou menos intensidade as marcações e o pulsar do próprio texto, gerando momentos de beleza estética de contraluz e de riqueza plástica.
A música, igualmente, é um elemento estruturante do ritmo do espectáculo.
Sente-se que a peça foi pensada nas suas diferentes dimensões, procurando fazer teatro com letra grande, onde – texto, luz, música, interpretação, têm que funcionar como elementos interrelacionados e construtores de arte.
Os actores principais Rui Martins e Vítor Nuno estão excelentes na dicção e na vivência emocional dos seus personagens.
A peça propõe-nos um tema para reflexão cheio de actualidade, um tema que faz parte da memória de muitos portugueses que durante gerações sentiram e viveram, quando partiram rumo a França ou Alemanha, por dentro estes dramas.
Este é um tema actual de muitos que hoje, aqui em Portugal, também sentem esse drama e por vezes são obrigados a viver situações sub-humanas para sobreviver e encontrarem um rumo para a vida.
Um texto muito forte. Um texto que toca nos valores da cidadania e no pensar esta “Europa de cidadãos”.
Esta, se não estou em erro, é a segunda peça que vejo encenada por Dario Valente, um homem que faz parte da história do Arteviva e que, com este trabalho, mais uma vez, demonstra o seu amor ao teatro, e se afirma como um encenador que expressa, objectivamente, como o teatro é uma arte que se constrói no espaço, e que encenar uma peça é algo indissociável de dar atenção à sua dimensão estética e à sua dimensão ética.
Dario Valente, demonstra como Teatro é de facto a criação de situações no palco que geram uma multiplicidade de sentimentos e afirmação de valores, beleza e humanismo, utilizando para tal, quer a plena expressão da sinceridade dos sentimentos vividos e projectados pelos actores, assim como, pela criatividade que se coloca nos estudos da luz ou da música.
Sente-se que há ali a vontade do encenador de criar um espectáculo teatral utilizando todas as «ferramentas» que fazem do teatro essa arte que se inscreve no espaço e no tempo – um estilo estético que se vive no ritmo do próprio espectáculo, na sua diversidade de movimentos plásticos e interpretativos.
António Sousa Pereira
Sinopse da Peça
“Dois irmãos – imigrantes – chegam ao país de acolhimento, deparando-se com dificuldades comuns a todo aquele que decide partir à procura de trabalho. Da observação atenta dos comportamentos dos que chegam, nasce este espetáculo onde se fala de máfias, empregos, casamentos, saudades e esperanças.” (Luís Mourão)
O AUTOR
Luís Mourão nasceu em 1958. É professor, mas trabalha no teatro desde 1977. Nas duas últimas décadas, o texto dramático ocupou toda a sua atividade nesta área. Trabalhou e escreveu para diversas companhias, entre as quais a ACTA, “Efémero” Companhia de Teatro de Aveiro, “O Nariz - Teatro de Grupo” ou o Teatro da Trindade do qual foi durante alguns anos dramaturgo residente.
Ficha Técnica
Encenação
Dário Valente
Assistência de Encenação
Cristina Leonor
Música Original
Miguel Félix
Cenografia e Figurinos
Criação Colectiva
Interpretação
Rui Martins
Vítor Nuno
Movimento
Rui Martins, Vítor Nuno, Sara Santinho, Susana Marques e Vanda Robalo
Desenho de Luz
Dário Valente
Design Gráfico
Rui Martins
Video
Sérgio Ventura e Dário Valente
Fotografia
Cláudio Ferreira
Produção e Promoção
Rita Conduto
Especial Agradecimento
Inês Valente e Nuno Paulino
BILHETEIRA
Preço único: 5 euros (desconto para grupos com mais de 10 pessoas: 3€).
Reservas e informações: arteviva.geral@gmail.com ou pelo facebook.com/ArteVivaCTB (até à quinta-feira anterior), telefone 212060860 ou 964787109, ou no Teatro, de quinta-feira a sábado das 18h00 às 22h00.













