Afirmar o Barreiro como uma referência na área da SaúdeHospital do Barreiro tem que ter valências que o tornem diferente na região
. Há carências graves de Médicos de Família no concelho do Barreiro
Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro defende que a Saúde pode ser um elemento de grande importância no desenvolvimento do concelho do Barreiro e contribuir para afirmar o Barreiro como uma referência na Área Metropolitana de Lisboa.
“Há um ataque sistemático ao nosso Hospital e pretendem retirar-lhe valências” – salientou o Presidente da Assembleia Municipal do Barreiro.

Por Jornal Rostos
A Associação Clínica Frater promoveu, ontem à noite, uma sessão/debate sobre "A Saúde no Barreiro. Situação atual e perspetivas futuras".
Maria Isabel Pinotes, Vice Presidente da Direcção da FRATER, moderou a sessão, referindo na abertura a ausência de Mário Durval, Director da Delegação de Saúde do Barreiro. por razões de saúde, também de Manuela Marques, do ACES, que justificou a ausência por se encontrar na situação «gestão corrente desde Fevereiro» e “não se sentir legitimada» para participar num debate desta natureza, por fim, Isabel Pinto Monteiro, Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Barreiro, não justificou a ausência, e, foi salientado sempre participou em iniciativas desta natureza promovidas pela FRATER.
Na sessão marcaram presença, Frederico Pereira, Presidente da Assembleia Municipal do Barreiro e Carlos Humberto, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro.
Carências graves de Médicos de Família no concelho do Barreiro
Maria Isabel Pinotes, Vice Presidente da Direcção da FRATER, salientou que apesar de continuarem a sentir-se «carências graves de Médicos de Família» no concelho do Barreiro, mas – “a situação está melhor com a criação das Unidades de Saúde Familiar” dado que aumentou o número de utentes por Médico de 1500 para 1800 utentes.
Referiu que no Centro de Saúde da Avenida do Bocage continuam sem Médico de Família cerca de 6 mil utentes, no Centro de Saúde da Quinta da Lomba, são cerca de 3000 utentes, por outro lado, no novo Centro de Saúde Ribeirinho, na Verderena, existem cerca de 500 vagas por preencher.
A dirigente da FRATER salientou que no concelho da Moita a situação é mais grave, só na Baixa da Banheira, existem mais de 10 mil utentes sem Médico de Família.
Um ano à espera de consultas de Oftalmologia
Por outro lado, Maria Isabel Pinotes, referiu que já existe alguma articulação entre os Cuidados Primários de Saúde e o Hospital do Barreiro, continuando a existir listas de espera prolongadas, tendo dado o exemplo das consultas de Oftalmologia que atingem um ano de espera.
“É grave que pessoas com cerca de 80 anos que carecem de intervenções ao nível das cataratas que estão um ano à espera de intervenção” – sublinhou.
Há um ataque sistemático ao nosso Hospital
Frederico Pereira, Presidente da Assembleia Municipal do Barreiro, criticou a visão economicista que existe actualmente em relação ao Serviço Nacional de Saúde.
Sublinhou que ter Médico de Familia é um direito, porque – “somos nós que pagamos” e lamentou a falta de Médicos no concelho do Barreiro.
Por outro lado, comentou as condições inadequadas das instalações, dando o exemplo do Centro de Saúde da Avenida dp Bocage, uma situação que devia ser resolvida – “esta é uma reivindicação muito antiga da população”.
Sobre o Hospital do Barreiro o autarca alertou para as dificuldades crescentes de prestar serviços à população devido “aos cortes sistemáticos dos orçamentos”.
“Há um ataque sistemático ao nosso Hospital e pretendem retirar-lhe valências” – salientou o Presidente da Assembleia Municipal do Barreiro.
Defender os interesses da população
Carlos Humberto, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, recordou que a área da Saúde não é uma competência da Câmara, mas, acrescentou, é competência da Câmara estar atenta à qualidade de prestação dos serviços de Saúde – “trata-se de defender os interesses da população”.
O autarca sublinhou que vivemos tempos muitos difíceis, que influenciam a actividade da autarquia e das diversas instituições – “é uma situação explosiva”.
“Os problemas são graves, não estão todos diagnosticados, mas, estou convicto que a terapêutica em vez de ajudar a resolver os problemas, está a desenvolver os problemas” – sublinhou o Presidente da Câmara Municipal do Barreiro.
“Os pequenos e grandes dramas das pessoas são crescentes e aumentam os problemas de carácter psicológico e emocional” – referiu.
Carlos Humberto, sublinhou que aumentam as dificuldades de acesso à Saúde – “a Saúde é um direito que está a ser afectado”.
Afirmar o Barreiro como uma referência na área da Saúde
O autarca referiu que a Saúde pode ser um elemento de grande importância no desenvolvimento do concelho do Barreiro e contribuir para afirmar o Barreiro como uma referência na Área Metropolitana de Lisboa, salientando a importância do Hospital do Barreiro afirmou – “temos que fazer tudo para que o Hospital do Barreiro não perca a sua importância, tem que ter valências que o tornem diferente na região”.
“A Saúde pode ser um elemento diferenciador que contribui para o desenvolvimento do Barreiro” – referiu.
“O Serviço de Oncologia do Hospital do Barreiro é um elemento diferenciador” – sublinhou.
Urgente construção da Ponte Barreiro- Seixal
O presidente da Câmara Municipal do Barreiro defendeu que os três Hospitais da Península de Setúbal – Garcia da Orta em Almada, Setúbal e Barreiro – devem cada um ter valências próprias e entre eles devem funcionar articuladamente.
“O essencial é criar novas valências diferenciadoras” – sublinhou.
O autarca defendeu a urgência da construção da Ponte Barreiro- Seixal de forma que o Hospital do Barreiro também possa servir a população daquele concelho.
“O Hospital de Almada está muito carregado” – referiu.
O autarca recordando o artigo 21º da Constituição defendeu o envolvimento da população na defesa dos equipamentos de Saúde e deu o exemplo dos utentes do Serviço de Oncologia do Hospital do Barreiro – “não há força maior que a dos utentes”.













