Manifestação dia 9 de Março contra a extinção das freguesias no concelho da MoitaBaixa da Banheira «uma freguesia nascida da luta»
“A Baixa da Banheira é uma terra que nunca baixou os braços e sempre lutou por um país melhor, que viria acontecer com o 25 de Abril de 1974, que também se deveu a muitos banheirenses” – sublinhou Nuno Cavaco, Presidente da Junta de Freguesia da Baixa da Banheira, ontem à tarde, no decorrer da Sessão solene evocativa do 46º aniversário da criação da freguesia.

Por Jornal Rostos
Nuno Cavaco, presidente da Junta de Freguesia da Baixa da Banheira, ontem à tarde, no decorrer da Sessão Solene Evocativa do 46º aniversário da criação da freguesia recordou que esta foi – “construída através da luta e da resistência, sitio da Banheira, lugar da Banheira, terras baixas da banheira do Tejo, são alguns dos nomes dados à nossa terra, com referências históricas desde o Século XIV”.
“A Baixa da Banheira foi construída por gente de trabalho, gente que ajudou a fazer um país melhor” – sublinhou o autarca.
Banheirenses foram perseguidos, passaram pela PIDE
Recordou que, na década de 60, muitos trabalhadores residentes na Baixa da Banheira contribuíram para desenvolver as empresas da cintura industrial de Setúbal – “contribuíram para desenvolver o país”.
Referiu que a Baixa da Banheira foi crescendo, transformando-se numa grande localidade que motivou ao desenvolvimento de um movimento social para a criação da freguesia.
Nuno Cavaco, sublinhou que os banheirenses que iniciaram este processo “foram perseguidos, passaram pela PIDE”.
“Com muito trabalho, com muita coragem” conseguiram alcançar o objectivo tendo sido criada a freguesia em 26 de Janeiro de 1967 – “uma freguesia nascida da luta”.
Uma terra que nunca baixou os braços
O Presidente da Junta de Freguesia da Baixa da Banheira recordou páginas da memória da resistência, uma grande manifestação realizada no ano de 1969, num protesto contra a Guerra Colonial e exigindo eleições livres.
“Uma terra que nunca baixou os braços e sempre lutou por um país melhor, que viria acontecer com o 25 de Abril de 1974, que também se deveu a muitos banheirenses” – sublinhou Nuno Cavaco.
Vila da Baixa da Banheira com duas freguesias
Recordou que em 1976 realizaram-se as primeiras eleições livres para os órgãos autárquicos do concelho, com a vitória da FEPU – “nasceu o Poder Local democrático”.
Referiu que em 16 de Maio de 1984 a Baixa da Banheira foi elevada a Vila, tendo sido criada em 11 de Março de 1988 a freguesia do Vale da Amoreira, separando-se da freguesia da Baixa da Banheira.
“É esta a Vila da Baixa da Banheira com duas freguesias” – sublinhou.
Decisão sem estudos, sem pareceres, apenas com maldade
O Governo e o Presidente da República, salientou Nuno Cavaco, decidiram extinguir as duas freguesias e criar uma nova a –“União das Freguesias da Baixa da Banheira e Vale da Amoreira, destruindo todo o processo histórico”.
Uma decisão, referiu o Presidente da Junta de Freguesia da Baixa da Banheira – “sem estudos, sem pareceres, apenas com maldade”.
Recordou que desde a primeira hora a Junta de Freguesia da Baixa da Banheira tem lutado contra a extinção das freguesias, participando nas mais diversas plataformas nacionais que – “lutam por um Portugal Democrático”.
Luta contra a extinção das freguesias
Nuno Cavaco lançou o apelo para que todos participem, no próximo dia 9 de Março, numa acção de luta contra a extinção das freguesias, que vai realizar-se no concelho da Moita.
“Não queremos freguesias maiores, queremos freguesias melhores” – sublinhou.
Ano de luta contra a destruição das freguesias
Jorge Silva, Presidente da Junta de Freguesia do Vale da Amoreira, referiu a importância do Poder Local Democrático e sublinhou que o ano 2013 será um “ano de luta contra a destruição das freguesias”.
Recordou que o Governo tomou decisões sem ouvir os órgãos autárquicos, e quer fazer voltar ao passado destruindo, no concelho da Moita, as freguesias que foram criadas – “pela sua luta e pela sua dignidade”.
É preciso travar esta politica, uma politica ideológica
Jorge Silva lançou o apelo para que todos participem em todas as lutas contra a extinção das freguesias.
“É preciso travar esta politica, uma politica ideológica, que é contra o Estado Social e quer destruir as freguesias” – sublinhou o autarca.
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