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Perspectivas

João Lobo Antunes no BarreiroInvestigação biomédica em Portugal está ao nível da Europa

A Associação Clínica Frater integrada no Ciclo de Conferências de Referência em Saúde, promoveu um debate tendo como tema «A Nova Medicina», sendo prelector convidado João Lobo Antunes.

“Nós não temos condições, em Portugal, para suportar os custos da saúde, nem Portugal, nem os outros países da Europa e do mundo”- sublinhou João Lobo Antunes.

“Veladamente em Portugal está-se a fazer uma eutanásia às pessoas, os idosos não Tem dinheiro para comprar os medicamentos” – salientou Nelson Carvalho, presidente da Direcção da Associação Clínica Frater.

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João Lobo Antunes no Barreiro Investigação biomédica em Portugal está ao nível da Europa

Por Jornal Rostos

No Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro, numa iniciativa da Associação Clínica Frater, com o apoio da Ordem dos Médicos, João Lobo Antunes, falou sobre «A Nova Medicina».
Nuno Feijão, da Associaçao Frater, recordou que João Lobo Antunes é “uma figura ímpar na sociedade portuguesa”, sendo “um médico prestigiado” que foi reconhecido com o Prémio Pessoa e tem se afirmado com uma “cidadania não partidária”.
“É um privilégio o Barreiro contar hoje aqui com a sua presença” – sublinhou.

Saúde factor indispensável ao desenvolvimento

Carlos Humberto, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, saudou a FRATER por ter uma actividade de “permanente intervenção social e de reflexão na sua área”.
“A saúde é parte integrante do desenvolvimento e do futuro que queremos para o concelho do Barreiro, é um factor de desenvolvimento” – sublinhou o autarca.
O Presidente da Câmara Municipal do Barreiro expressou as suas preocupações sobre os caminhos que estão a ser percorridos na área da saúde no concelho – “é preciso continuarmos a intervir na área da saúde”.
O autarca alertou para a importância do Serviço Nacional de Saúde que – “só pode ter como objectivo estar ao serviço das pessoas”.
“”A saúde é um factor indispensável ao desenvolvimento da nossa terra” – sublinhou Carlos Humberto.

A saúde se mede por cifrões

Nelson Carvalho, Presidente da Direcção da Associação Clínica Frater, sublinhou a importância da medicina moderna e os eu contributo para a descoberta de doenças genéticas.
Referiu que ao nível da “nanotecnologia pouco se investiga”, referindo que “os nossos investigadores vão para o estrangeiro”.
“Estamos a perder dia-a-dia potenciais investigadores” – sublinhou, porque, referiu – “há uma politica economicista”.
“Veladamente em Portugal está-se a fazer uma eutanásia às pessoas, os idosos não Tem dinheiro para comprar os medicamentos” – salientou Nelson Carvalho.
“A medicina actual pode fazer o quê, quando a saúde se mede por cifrões?” – interrogou.

Barreiro terra onde as pessoas trabalham

João Lobo Antunes, na sua intervenção, começou por recordar que visitou o Barreiro, em criança, com 8 anos, para assistir ao jogo de futebol entre o Sporting e o Futebol Clube Barreirense.
“Para mim, o Barreiro foi sempre a terra onde as pessoas trabalham” – é essa a recordação da minha infância.

A ciência na área da Saúde é das mais pujantes

Seguidamente, começou por dirigir-se a Nelson Carvalho, Presidente da FRATER, para lhe dizer que – “disse coisas inexactas”.
“A ciência na área da Saúde, em Portugal, é das mais pujantes”, recordando que o ano 2012, foi dos mais importantes ao nível da investigação.
“A investigação biomédica em Portugal está ao nível da Europa, é das mais avançadas” – sublinhou.
“Querer persistir nesses lamentos, não é correcto, nem é verdadeiro” – referiu João Lobo Antunes.

A saúde tem preço e é caríssima

João Lobo Antunes, afirmou que o Serviço Nacional de Saúde é “a essência da sociedade”, referindo que “é lá que eu me realizo, onde sou mais profundamente médico”.
Sublinhando que para analisar este tema - “não pretendo entrar em querelas partidárias”, recordou que – “a saúde tem preço e é caríssima”.
“Nós não temos condições, em Portugal, para suportar os custos da saúde, nem Portugal, nem os outros países da Europa e do mundo”- sublinhou.
Referiu que sobre esta matéria “não vale a pena grande debate ideológico”, é sim “necessário resolver este problema”.
“Temos que defender o Serviço Nacional de Saúde” – referiu, tomando consciência que existe o “problema do envelhecimento” da população e que “o doente idoso é muito mais caro”.
João Lobo Antunes considerou necessário combater os desperdícios que existem ao nível do Serviço Nacional de Saúde e recordou as dificuldades que existem “na sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde”.
“As pessoas não têm ideia do custo da Saúde” – referiu, dando diversos exemplos dos custos de tratamento de um doente, referindo um caso que rondou 1 milhão de euros.
Recordou que para se “garantir a saúde” é necessário – “tornar isto possível do ponto de vista financeiro”.
“Isto passa pelo dever dos cidadãos em relação à própria saúde” – sublinhou.

Tender para uma medicina personalizada

“A alma da Medicina não pode ser perdida” – referiu, recordando que é essencial tratar os doentes, olhando – “a pessoa no seu conjunto no seu comportamento, bem estar fisico, mental e social”.
Referiu três dimensões da medicina – a curativa, a preventiva e a predectiva – “a nova dimensão” que “permite prever” a partir do “que temos no nosso código genético”.
“Está-se a tender para uma medicina personalizada, uma medicina adaptada à pessoa, aos riscos, um medicina de melhoramento” – referiu.
“Esta é uma dimensão completamente nova, diferente e perigosa da medicina” – salientou João Lobo Antunes.

Morrem mais portugueses do que os que nascem

João Lobo Antunes deu vários exemplos de mudanças que se estão a registar, referiu que, em Portugal, as “mulheres estão a morrer mais de cancro de pulmão”, a mortalidade infantil onde tivemos das taxas mais baixas do mundo, após o 25 de Abril, hoje, piorou – “porque estão a nascer mais prematuros”, e “as mulheres estão a ter os filhos mais tarde”.
“Não piorou por razões económicas, sim porque houve alterações nos padrões de natalidade”.
“Morrem mais portuguese do que os que nascem” – sublinhou, referindo que – “este é um dos grandes problemas sociais”.
João Lobo Antunes, recordou que hoje, em Portugal, “morre-se menos de doenças infecciosas”, porque, hoje, morre-se de doenças cardio-vasculares, de doenças pulmonares.
Referiu que, por efeitos da crise, reduziram o número de mortes por acidentes de viação, dificultando a doação de órgãos.

Fundamental para o sistema a figura do Médico de Família

“É fundamental para o sistema a figura do Médico de Família” – defendeu João Lobo Antunes, apontando a importância dos Centros de Saúde como estruturantes.
Por outro lado, defendeu também a sensibilização dos portugueses para que afirmem a “cidadania da saúde”.
“Não se pode ter tudo é impossível. A escolha não pode ser feita pelos políticos, pelos médicos, tem que se feita pelos cidadãos” – sublinhou, porque – “a boa Medicina e de qualidade é mais barata”.

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