TEB – Teatro de Ensaio do Barreiro«A Boda dos Pequenos Burgueses»…há teatro na cidade!
Uma sala repleta assistiu a um trabalho feito com muita dignidade, com momentos hilariantes, que, mais uma vez demonstrou que é possível manter viva uma sala de teatro no coração do Barreiro Velho.
A «Boda dos Pequenos Burgueses» é mais um exemplo de como vivemos no nosso burgo…fazemos o que gostamos, mas é difícil fazer como gostaríamos de fazer.

Por Jornal Rostos
Pode afirmar-se que a estreia da comédia "A Boda dos Pequenos Burgueses" foi vivida numa noite de grande entusiasmo e o resultado final sentiu-se na satisfação que os espectadores partilharam com aquele conjunto de jovens actores, enquadrados pelos veteranos do TEB.
Estão de facto de parabéns, por arriscarem em levar a cena este trabalho, por sentirem que vale a pena dedicar os dias a esta arte que nos faz rir, sonhar, pensar e abrir caminhos aos dias.
Para os que não assistiram à estreia deixo a sugestão para numa noite de sábado, deslocarem-se à Oficina de Teatro Mário Pereira e acreditem que vão divertir-se com esta comédia, bem interpretada e com a encenação do Mestre Graciano que, como sempre, deixa sempre pormenores, bem estruturados e enquadrados, como sendo pequenas pinceladas que nos emocionam e deixam aberto o caminho para a reflexão, assim como quem diz: «pense quem vê», como é o caso daquela queda final dos quadros e os pontos de luz que ficam como um sinal estético e ético a marcar o final do espectáculo.
Gostei de assistir ao espectáculo. Inicialmente pareceu-me que estava o ambiente um pouco tenso, talvez por ser noite de estreia, mas depois foram «soltando-se» agarrando o texto e as personagens.
Os noivos estiveram muito bem. Pareceu-nos que eram estreantes, se eram, de facto, têm nota positiva, mas se já estiveram em palco, na mesma, dizer que foram brilhantes.
Aquela encenação que nos dividia, interiormente, se estávamos assistir a uma «boda» ou à última ceia de Cristo, foi vivida com muita intensidade, com dinâmica, com pleno cruzamento dos discursos.
O avô esteve bem, embora, inicialmente, fale-se muito depressa e juntando às características do personagem, ficou um pouco difícil de entender o seu discurso, mas, depois, à medida que a peça avançou sentiu-se que já estava mais dominador do seu papel.
A «destruição» lenta do cenário ao longo da peça, foi muito bem estruturada, dando a dimensão pretendida com o texto, de quem quer viver mais no «parecer» do que «ser».
E, aqueles pudins e os queques, que alimentam os personagens são um «mimo», lembrando aquela velha história que “quem não tem cão caça com gato».
Estiveram todos muito bem. Foi uma noite divertida.
Hoje, que é Dia Mundial do Teatro, dou os parabéns ao TEB, que, de facto, com dificuldades, com paixão, com amor, mantém viva uma sala de espectaculos ali no Barreiro Velho, demonstrando que, por vezes, mais que dizer… o importante é fazer.
A «Boda dos Pequenos Burgueses» é mais um exemplo de como vivemos no nosso burgo…fazemos o que gostamos, mas é difícil fazer como gostaríamos de fazer.
Uma boa encenação. Um bom conjunto de actores. Uma sala acolhedora. Mas, ali, sente-se faltam recursos e se não fosse a imaginação, a vontade e o querer, dificilmente se concretizava o trabalho.
De certeza seria melhor e mais além se existissem recursos, porque, de facto, na essência está lá tudo – enquadramento no espaço cénico, marcações dos espaços das personagens, actores que vivem o papel, sentimento na encenação.
Ali há teatro e amor ao teatro.
S.P.
Em cena até 25 de Maio
A peça vai voltar no próximo dia 6 de Abril e vai ficar em cena até 25 de Maio, aos sábados, pelas 21,30 horas, na Oficina Teatro Mário Pereira
Não perca a oportunidade de ver e dar um abraço solidário ao TEB, que não desiste e insiste em fazer teatro e dar-nos momentos agradáveis de vivência da arte dramática.
Sobre o Autor
Bertolt Brecht nasceu a 10 de Fevereiro de 1898 na cidade alemã de Augsbourg, filho do diretor de uma fábrica de papel e de uma bávara natural da Floresta Negra.
De 1904 a 1916 frequentou a escola primária no liceu de Augsbourg, recebeu educação burguesa. É desse período este poema:
“Eu sou filho de gente abastada
Os meus pais puseram-me um colarinho
Ao pescoço e ensinaram-me duas coisas:
O hábito de ser servido e a arte de mandar
Quando eu cresci, olhei à minha volta
E já não gostava das pessoas da minha classe
Nem de comandar. Nem tão pouco de ser servido
E assim, deixei a minha classe, juntei-me aos oprimidos”
Em 1921 escreve “A Boda”, só mais tarde com o seu título atual “A Boda dos pequenos Burgueses”. Em 1922 publica-se “Baal” (primeira obre de Brecht). Só a 11 de Dezembro de 1926 se estreia “A Boda” em Frankfurt.
Depois da morte de seu pai em 1939, Brecht, em plena 2ª guerra mundial, refugia-se na Finlândia. Em 1941 Brecht instala-se perto de Hollywood e conhece pessoalmente Chaplin.
Em 1949, Brecht e Helena Weigll, fundam o seu teatro – “Berliner Ensemble”. Em 1950, Brecht pede nacionalidade austríaca.
A 14 de Agosto de 1956 morre “o bicho de teatro mais importante do século XX”: Bertolt Eugen Friedricht Brecht.
Nos 58 anos da sua existência Brecht escreveu, entre outras, as seguintes obras:
. Homenagem ao Soldado Morto
. Baal
. Tambores na Noite
. A Mãe
. Terror e Miséria do III Reich
. A Vida de Galileu
. Mãe Coragem
. A Boa Alma de Se-Tchouan
. O Círculo de Giz Caucasiano
. A Exceção e a Regra
. As Espingardas da Mãe Carrar
Excerto da tradução da edição francesa “Teatro de todos os tempos “ dedicada a Brecht
Sobre a Peça
A Boda dos Pequenos Burgueses é…por assim dizer, um jantar de casamento familiar.
Um jantar caseiro feito totalmente pela mãe do noivo (com esta crise não há verba para restaurantes) e com o mínimo de convidados.
Outra forma de combater a dita (crise) foi o noivo ter construído, com as suas próprias mãos, toda a mobília, desde as cadeiras até à cama de casal. Foram cinco longos meses a lutar contra o tempo e com outra realidade, cada vez mais visível…Enfim, casamento e mobília foram realizados na data social e moralmente aceitáveis.
Mas é claro, cinco meses é muito tempo para umas “coisas” e pouco tempo para “outras”. As costuras podem rebentar de um momento para o outro. As costuras do vestido de noiva e as “costuras” de toda a mobília feita pelo noivo com todo o amor e carinho.
Agora é tempo de assistir a esta boda! Não pudemos convidá-lo, como era nossa vontade, para o jantar (por razões obvias, é claro!) mas temos todo o gosto em vê-lo sentado na plateia da Oficina de Teatro Mário Pereira.
Obrigada pela sua presença!
Ficha Artística
Noiva – Patricia Lino
Noivo – Nuno Antunes
Avô – António Jorge
Mãe – Graciete Pereira
Irmã – Débora Ferreira
Amigo – Pedro Fona
Jovem – Nelson Mota
Senhora – Tina Santos
Senhor – João Moreira
Fotógrafo – Ocasional
Ficha Técnica
Autor – Bertolt Brecht
Encenador – Graciano Simões
Contra Regra – António Jorge dos Santos
Cenografia – Graciano Simões
Executado por - José Brito, Fernando Santos e António Jorge dos Santos
Decor – Fernando Santos, António Jorge dos Santos, Graciano Simões e Graciete Pereira
Projeto de Luz e Som – Graciano Simões
Operadores de Luz e Som – Susana Santos, José Guerra e Carolina Alberto
Guarda Roupa – Maria Teresa Simões e Elizabete Santos
Eletricista – António Jorge dos Santos
Caraterização – Tina Santos e Celeste Ricardo
Ponto – Fernando Santos
Publicidade e marketing - João Santos
Apoio à Divulgação – CMB
Produção – TEB 2013
Oficina de Teatro Mário Pereira -Rua Joaquim António de Aguiar, 337.
Informações e reservas podem ser efetuadas pelos telefones 212 074 685 / 919 250 550, sendo o valor dos ingressos de 3 euros (individual) e 5 euros (duplo).













