Augusto Cabrita era um humanista«O Barreiro era mais que a terra dele, era a casa dele»
O fotografo salientou que conjuntamente com Augusto Cabrita editou a obra «Cozinha Portuguesa», a qual é “o livro mais vendido em Portugal depois da Biblia”.
“Augusto Cabrita é uma referência na nossa história e uma referência de futuro” – sublinhou Carlos Humberto, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro.
“Transmitiu-nos confiança e que a amizade é transversal” – sublinhou Manuela Cabrita.

Por Jornal Rostos
Um Concerto de Jazz “Revisitar Augusto Cabrita”, pelo grupo de alunos da Escola de Jazz do Barreiro, formado por Hélder Vicente, no trombone, Nuno Santos, na guitarra, Nuno Faria, no contrabaixo e Ricardo Leitão, na bateria, foi o ponto de partida na sessão que marcou o encerramento da exposição “Retrospetiva de Augusto Cabrita”.
“Esta é a nossa homenagem a Augusto Cabrita, que nós sabemos gostava muito de jazz” – sublinhou Helder Vicente.
Um homem com muita “ética e moral”
Numa segunda parte decorreu a Conferência com o fotógrafo António Homem Cardoso sobre a obra do mestre.
Homem Cardoso, recordou que Augusto Cabrita foi um homem com muita “ética e moral” que teve – “uma importância decisiva na minha vida”.
Recordou histórias vividas com Augusto Cabrita, episódios hilariantes, como andar com Augusto Cabrita na procura do carro nas ruas de Lisboa e depois telefonar para o Barreiro e obter a informação que o carro tinha ficado parado à porta de casa.
“Era um homem muito distraído” – sublinhou.
“A minha relação com Augusto Cabrita foi uma relação de pai para filho. Ele gostou de mim e aperfilhou-me” – referiu Homem Cardoso
Um homem de uma grande simplicidade
Homem Cardoso, salientou que conjuntamente com Augusto Cabrita editou a obra «Cozinha Portuguesa», a qual é “o livro mais vendido em Portugal depois da Biblia”.
Referiu que Augusto Cabrita “recusou os direitos de autor“ acrescentando que o Mestre era “um homem de uma grande simplicidade”.
“O Augusto dava com a generosidade com que pedia” – afirmou.
“Ele era um humanista” – salientou Homem Cardoso.
Ele foi sempre uma figura amada de todos
“Augusto Cabrita fotografava com tanta paixão que para ele não havia horas” – recordou Homem Cardoso
Recordou que Augusto Cabrita era um amante da Serra da Arrábida e um apaixonado de Sebastião da Gama.
Referiu que visitou o Barreiro e fotografou Augusto Cabrita, em Alburrica.
“O Barreiro era mais que a terra dele, era a casa dele” – sublinhou.
Esse retrato, salientou, está na sua casa e no seu estúdio –“é o patrono da minha casa”.
“É uma veneração e um agradecimento por aquilo que ele me deu” – afirmou o fotógrafo.
“Ele foi sempre uma figura amada de todos” – referiu.
Transmitiu-nos confiança e que a amizade é transversal
Manuela Cabrita, filha do Mestre, recordou que apesar de seu pai passar muitas horas fora de casa, não ter horas para entrar.
“Era um pai ausente, mas estava sempre presente” – referiu.
“Transmitiu-nos confiança e que a amizade é transversal” – sublinhou Manuela Cabrita.
Recordou que muitas das histórias contadas por Homem Cardoso, ele também as partilhava em casa com a família.
“Gostava muito de conversar” – referiu, e, sobre esta sua disponibilidade para o diálogo e encontro com amigos, recordou que uma viagem de Portimão ao Barreiro, que se fazia em 3 horas, demorava 12 horas, porque eram muitas as paragens, ora para contar as histórias dos lugares, ora para encontrar um velho amigo.
Uma referência na nossa história
Carlos Humberto, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, referiu que Augusto Cabrita era “uma pessoa culta”, recordando que foi uma das pessoas que marcou a sua juventude.
“No momento em que vivemos é essencial erguer as nossas referências, é fundamental recuperar o que nos marca”.
“Augusto Cabrita é uma referência na nossa história e uma referência de futuro” – sublinhou o autarca.
Mensagem de Araújo Lopes
A sessão encerrou com a exibição de curtas-metragens da Cinemateca Portuguesa e RTP: Amália Canta “Oiça Lá ó Senhor Vinho”, “O Mar Transporta a Cidade” e “Açores, Ilhas Encantadoras”, marcaram o encerramento da Exposição “Retrospetiva de Augusto Cabrita”.
Na abertura., escutou-se uma mensagem de Araújo Lopes, da RTP, que recordou o profissional e a importância da obra do Mestre Augusto Cabrita.
Uma obra marcada pelo humanismo
A curta metragem ”, “O Mar Transporta a Cidade” , com texto de Alexandre O’Neill, é de uma grande beleza, marcada pela força e humanismo da fotografia de Augusto Cabrita, com imagens que mergulham elas mesmas na força das palavras.
Um obra marcada de grande actualidade, neste tempo que tanto se fala de Portugal e do Mar.
A fechar Amália Canta “Oiça Lá ó Senhor Vinho”, uma delicia, a força de uma “câmara” que dança, que filma na distância, em grande plano, fechando de forma sincopada, ao sabor dos ritmos, da voz e da melodia. LINDO!
Uma delicia, uma obra onde sentimos a ternura do Mestre Augusto Cabrita, sua paixão e amor pela criação de imagens com ritmo e com vida.













