Vale da Amoreira - MoitaLaura Teixeira, Enfermeira de Saúde da Comunidade
«No dia-a-dia encontramos hoje muitas famílias com carência económica e com fome»
São situações muito graves que nós profissionais de saúde não podemos resolver ” – sublinha.

Por Jornal Rostos
Laura Teixeira, Enfermeira Especialista de Saúde da Comunidade, no Centro de Saúde do Vale da Amoreira, salienta que os níveis de saúde na zona de intervenção do Centro “são variáveis tem a ver com as origens dos utentes, se já permanecem há muitos anos são situações estáveis”, mas, refere se são “imigrantes recentes, com redes de família frágeis, debatemo-nos com problemáticas diversas”.
“Essas pessoas que chegam à procura de uma vida melhor, eles não sentem a necessidade de tratar da saúde como nós sentimos” – refere – “a problemática da saúde tem a ver com a cultura, sendo necessário fazer negociação, fazer alguma diluição de saberes, entrar na cultura deles, dá-nos trabalho de forma a saber como entrarmos na família”.
Agrava muito o grupo de doenças mentais
Recordou que na zona encontra-se situações resultantes das carências económicas, o desemprego dos jovens, situações geradoras que mexem muito com as famílias – “as situações sócio-económicas mexem muito com as famílias, gerando situações de deliquência juvenil”.
“Há neste meio muito tráfico de substâncias psicoactivas e comportamentos sexuais de risco, são situações com as quais nos debatemos no dia-a-dia, para além de outras patologias que existem de forma transversal na comunidade, que têm a ver com situações de desemprego, gerando problemas do foro mental, dependências do álcool, que agrava muito o grupo de doenças mentais” – sublinha.
Refere que como preocupações são estes dois grupos de doentes de foro mental e dependências do álcool.
Trabalhos na rua com as famílias
“Não é fácil trabalhar com famílias, porque não é muito fácil mudar conceitos. Temos que fazer um trabalho com as famílias para que eles percebam os riscos” – refere.
São realizadas acções na comunidade, num trabalho de parceria com diversas instituições, promovendo formação em questões de saúde, alimentação e educação sexual, para além de visitas às famílias.
“Trabalhos na rua com as famílias, na prevenção de doença e na promoção de saúde. Vamos ter com as famílias a casa, um trabalho que realizamos há anos. O nosso objectivo é que eles entrem no processo de saúde” – salienta.
Acção em três frentes
A Unidade de Saúde na Comunidade desenvolve a sua acção em três frentes – ao nível da escola, ao dos cuidados continuados e saúde na comunidade.
Ao nível dos cuidados continuados são prestados apoios de enfermagem a utentes acamados, com apoio domiciliário – “temos muitas pessoas, aqui no Vale da Amoreira e na Baixa da Banheira, que são as nossas duas população alvo”.
Projecto de Unidade móvel
Ao nível de intervenção da comunidade, o trabalho realizado com parceiros, junto a famílias de risco, através do Programa Escolhas – este é um parceiro que trabalha com jovens em unidade escolar, acompanham igualmente as famílias abrangidas pelo RSI – Rendimento Social de Inserção.
“Temos uma unidade móvel, esse é o nosso grande projecto, que deve arrancar dentro de semanas” – sublinha.
Famílias com fome
Recorda que existem muitas situações de jovens a recorrer à interrupção voluntária da gravidez – “há um aumento e situações que se repetem e muitas jovens a recorrer à pílula do dia seguinte e a solicitar apoio ao nível da gravidez ”.
“No dia- a-dia encontramos hoje muitas famílias com carência económica e com fome. Esse é um grande dilema que vivemos todos os dias” – salienta.
Divulgar o «cheque dentista»
A enfermeira Laura Teixeira sublinha o trabalho que é realizado com os idosos em colaboração com o CRIVA, são acções de sensibilização sobre diversas temáticas da saúde, estão igualmente a promover intervenção ao nível da saúde oral, procurando divulgar o «cheque dentista» junto de todas as instituições que dão apoio a idosos.
Referenciadas 200 famílias
A intervenção realizada ao longo de anos, refere tem dado os seus frutos – “hoje sentimos que há famílias que aderem ao sistema de saúde”.
Na intervenção comunitária estão referenciadas 200 famílias, com uma média de mil tendimentos/anuais.
Preocupações com os sem abrigo
“Temos preocupações com os sem abrigo, há muitas situações de pessoas que estão em casa, sem água, sem luz. Há mais de 20 pessoas sem abrigo. Têm casa mas vivem como se fossem sem abrigo. Há imigrantes que não estão legais, mesmo estando cá há muitos anos, não estão documentados.” – refere.
Há situações que conduzem ao suicídio
“Há situações que conduzem ao suicídio. Pessoas que nos dizem que estão fartas de viver nesta situação” – sublinha Laura Ferreira.
“São pessoas sem suporte social que ficam num beco sem saída, não tem dinheiro para nada e recorrem ao dinheiro fácil. São situações muito graves que nós profissionais de saúde não podemos resolver ” – sublinha Laura Ferreira.













