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Perspectivas

Uma manhã com Jorge Silva, Presidente da Junta de Freguesia do Vale da AmoreiraUma freguesia criada em tempo de Liberdade quer continuar a ser uma freguesia em Liberdade

A propósito dos 25 anos da freguesia do Vale da Amoreira fomos visitar a freguesia, realizámos diversos trabalhos de reportagem, e durante uma manhã percorremos diversos espaços da freguesia acompanhados por Jorge Silva, que preside à Junta de Freguesia já lá vão 16 anos.

“A junção das duas freguesia numa só vai criar-nos grandes problemas. Eu considero isto um barril de pólvora, derivado às características da freguesia" - sublinha Jorge Silva.

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Uma manhã com Jorge Silva, Presidente da Junta de Freguesia do Vale da Amoreira Uma freguesia criada em tempo de Liberdade quer continuar a ser uma freguesia em Liberdade

Por Jornal Rostos

A freguesia do Vale da Amoreira foi criada em 1988, por desanexação das Freguesias da Baixa da Banheira e de Alhos Vedros.
A freguesia está a comemorar o seu 25º aniversário, como refere Jorge Silva, Presidente da Junta de Freguesia – “foi uma freguesia criada em tempo de Liberdade e quer continuar a ser uma freguesia em Liberdade”.
O Vale da Amoreira é a mais jovem Freguesia da concelho da Moita, contam com cerca de 15 mil habitantes, mas recenseados serão na ordem dos 9.800 habitantes. É a segunda freguesia do Concelho mais densamente povoada.

Programas de requalificação em Bairros Criticos nunca foram concluídos

A propósito dos seus 25 anos fomos visitar a freguesia, realizámos diversos trabalhos de reportagem, e durante uma manhã percorremos diversos espaços da freguesia acompanhados por Jorge Silva que preside à freguesia já lá vão 16 anos, a meio tempo, porque continua com a sua actividade profissional, sente orgulho do trabalho que tem sido realizado e das transformações que se registaram que, refere, não foram mais longe porque os programas anunciados por sucessivos governos, quer de requalificação, que de intervenção em Bairros Criticos nunca foram concluídos, deixando projectos e obras a meio caminho.
O autarca mexe-se como peixe na água. Todos, das mais diversas etnias o cumprimentam, e falam com ele sobre as mais diversas actividades recreativas e culturais, ou de problemas que estão por solucionar.

A Junta de Freguesia é uma escola
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O Salvador Miguel, de 20 anos, que tirou um Curso de Logística, está a dar apoio às Festas do Vale da Amoreira e prepara as comemorações do Dia Mundial da Criança.
O Vítor Nascimento, Técnico de Comunicação, Marketing e Relações Públicas, está como voluntário, num estágio dedicado às Festas Multiculturais.
Hadizatu Mané, natural da Guiné, num âmbito de um projecto de formação, é outra estagiária. João Ricardo, é outro jovem estagiário, no âmbito de um projecto da RUMO.
É com satisfação que Jorge Silva refere a presença de jovens estagiários na Junta de Freguesia – “a Junta é uma escola” – sublinha.

Protocolo CTT não paga os custos

Ali, na sede da Junta de Freguesia, funciona o único posto dos CTT da freguesia, um serviço público à comunidade – “um protocolo que não paga os custos”, sublinha Jorge Silva.
Igualmente, está disponível, de forma gratuita um posto de acesso à internet, que é mais regularmente utilizados por jovens estudantes.
Percorremos o espaço da Junta de Freguesia, numa sala a Drª Silvia, do CRIVA, está fazendo atendimento. Todas 3ª e 5ª feiras recebe pessoas que carecem de apoio social, ou solucionar os problemas de legalização.
“Há muitos problemas na freguesia e, de facto, é muito útil contarmos com este espaço na Junta para atendimento” – refere.
As instalações da Junta de Freguesia no centro do Vale da Amoreira, nasceram no âmbito do projecto de requalificação urbana e estão integradas no complexo do mercado, inaugurado em Fevereiro de 1999, ali, funciona uma Delegação da Câmara Municipal da Moita e uma farmácia.
“Este é o espaço novo que surgiu em sequência da reabilitação do Largo dos Cravos, onde funcionava o Mercado em barracas” – refere Jorge Silva.
Aponta o espaço em frente – “ali o Bairro das Descobertas também foi reabilitado”.

Facultar os espaços para associações

Naquele que era um espaço comercial de lojas, de mercado e de pulsar da vida da freguesia, hoje, a crise e as dificuldades levaram ao sucessivo encerramento doas espaços comerciais.
“A opção foi facultar os espaços para associações” – sublinha o Presidente das Junta de Freguesia.
Do comércio existente, resiste uma Loja da D. Arminda, que sublinha como “os fiados” dificultam a sua vida. Ela é a comerciante mais antiga daquela zona da freguesia. O café da D. Maria mantém as portas abertas, mas, também ela comenta - “tenho muitas dificuldades em continuar a manter este espaço”.
Eduardo Monteiro, da Associação Guineense, convida-nos a visitar o «Banco de Bens Doados», são roupas, detergentes, produtos de higiene, produtos alimentares, destinados a apoiar as famílias carenciadas.
“Há também a oferta de mobílias, mas estão noutro espaço” - salienta Eduardo Monteiro.
Marie Claire, jovem voluntária, escolhe roupas de bebé, para serem doadas a uma família.
Ajudar, apoiar, foi uma das palavras que mais escutámos nas diferentes instituições.

Área católica desempenha um papel fundamental

Continuamos a nossa visita, no Jardim Infantil Giroflé, da responsabilidade do Centro Paroquial da Baixa da Banheira, mais de 50 crianças, entre a 7 e as 19 horas, são acompanhadas em actividades de pré-escolar.
“A área católica desempenha um papel fundamental na freguesia” – sublinha Jorge Silva.
No ATL “Os Pintainhos, estão cerca de 70 crianças, rccebem apoio escolar e alimentar.
Alice Teixeira, que já lá vão 29 anos de dedicação a esta actividade social, recorda que para além desta actividade também é promovido o apoio domiciliário a idosos, para além do apoio a jovens mães (que refira-se são muitas na freguesia).
“O trabalho com crianças é criativo e um grande estímulo” – refere Alice Teixeira.

Envolvimento dos parceiros sociais

Jorge Silva sublinha que todo o trabalho social desenvolvido na freguesia conta com o envolvimento dos “parceiros sociais” e “todos conseguem trabalhar em conjunto” de acordo com as diferentes valências.
Passamos peto do campo de futebol “uma obra que não acabou” – recorda o presidente da Junta de Freguesia, era integrada na Operação de Reabilitação Urbana – “ficou por concluir a 2ª fase de construção do Pavilhão e do Bar”.

CLAII nos primeiros lugares do país

O CLAII – Centro Local de Apoio ao Imigrante, que funciona desde 2006, Andreia Lourenço faz atendimento, o seu trabalho que passa pelo atendimento cerca de 170 pessoas por mês visa o prestar apoio na documentação, de legalizar os que estão ilegais.
Recorda que o CLAII do Vale da Amoreira está nos primeiros lugares ao nível nacional no apoio que presta a imigrantes.
No mesmo espaço existem salas de formação, presta-se apoio a desempregados, projectos desenvolvidos no âmbito da Rede de Empregabilidade, com o apoio da RUMO.
O CEPE _ Centro de Entre Ajuda para procura de Emprego, funciona todas as 3ª feiras, entre as 10 e as 11 horas.
O CATL – Centro de Actividades Temporárias, é dinamizado pelo CRIVA, um projecto que nasceu dos programas de combate à pobreza.
No local está a decorrer uma acçao de formação para cozinheiros, promovida pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional.

Integrar na comunidade

São diversos espaços na freguesia direccionados para “integrar na comunidade”, promover a valorização humana e a ocupação dos tempos livres.
O Projecto Escolhas também está no terreno, presta apoio indirecto a 264 jovens e acompanha directamente 24 jovens, entre os 11 e 24 anos.
“O objectivo é o apoio à insercção na vida escolar” – refere Alexandra.
“A integração dos jovens tem alcançado bons resultados concretizando-se através do sucesso escolar” – refere.

Jorge Silva, vai-nos proporcionando estes contactos com diferentes instituições, onde é sempre recebido com muita simpatia e como sendo “um homem da casa”.

Uma escola de todas as cores

Na Escola do Ensino Básico Jardim de Infância nº 2, frequentada por 240 alunos, mais 45 do Pré-escolar e 80 do Jardim de Infância.
Carla Figueiredo, que veio de Angola, conhece o Vale da Amoreira como as próprias mãos, recorda que houve muita evolução.
A escola é frequentada por crianças de diferentes etnias, num ambiente saudável e de partilha.
“Esta é uma escola de todas as cores, os alunos estão todos envolvidos nas salas de aula” - refere
“Tem sido feita uma grande envolvência e ligação das famílias à escola”- sublinha. A Oficina dos Pais tem precisamente essa finalidade – “ligação da comunidade à escola”.
Bertolina Durão, psicóloga, recorda que há 14 anos que trabalha com esta escola – “há mudanças significativas” refere, recordando que em tempos as crianças da etnia cigana não queriam aprender, mas, nos dias de hoje dedicam-se à escola e acrescenta – “as famílias participam na escola”, acrescentando – “as crianças não acabavam o 1º ciclo, hoje já chegam ao 9º ano”.
Bertolina Durão, fala da sua actividade com um brilho nos olhos.
“Aqui faço risoterapia, conto histórias” – refere, sublinhando que – “a psicologia tem que ter trabalho social”.
“Os alunos ganham simpatia e afectos com escola” – salienta.
Na conversa a situação social de muitas famílias dá para entender que muitas famílias contam com a alimentação da escola – “nós temos cuidado com a alimentação dos alunos”.

Gente que vive com paixão

Fomos percorrendo as ruas do Vale da Amoreira, descobrindo recantos de associações, os espaços de acção social, as escolas, e sentimos que há uma intensa actividade para além das ruas um pouco desertas. Há uma vida que pulsa. Crianças que sorriem. Profissionais que desenvolvem as suas actividades com uma grande paixão, procurando dar um contributo para dar sorrisos aos dias.
Como dizia Bertolina Durão – “eu faço risoterapia”.

Junção das duas freguesias numa só é um barril de pólvora

No final da visita Jorge Silva, expressou-nos as suas preocupações com a decisão do Governo de acabar com a Junta de Freguesia do Vale da Amoreira.
“A junção das duas freguesia numa só vai criar-nos grandes problemas. Eu considero isto um barril de pólvora, derivado ás características da freguesia. A identidade da freguesia, a forma de trabalhar com os parceiros, a ligação que existe com a comunidade, é muito mau que isso possa perder-se. Nós temos uma filosofia de colmatar os problemas da crise, atenuando-os através de projectos de âmbito social e com parcerias” – refere o autarca.
Sublinha a necessidade de manter as acções de requalificação dos espaços públicos.

Uma identidade muito própria

Recorda o apoio que a Junta de Freguesia através do ECO LAR, que apoia as famílias em pequenas obras nas casas, dado o aumento de dificuldades das famílias, assim como mantém um Banco de Mobílias que dá apoio a muitas famílias – “não esqueçamos as muitas dificuldades das famílias que estão em crescendo”.
“Tenho esperança que cai este Governo e que depois voltemos de novo a ter eleições e a criação da freguesia do Vale da Amoreira, que tem uma identidade muito própria” – sublinha Jorge Silva.
“Não há ligação entre as pessoas da Baixa da Banheira e do Vale da Amoreira, são realidades muito diferentes” – refere.

Junta de Freguesia é o colchão da freguesia

O autarca salienta que a freguesia nos últimos anos tem sido muito penalizada com a distribuição de verbas do Orçamento de Estado, situação que dificulta manter as dinâmicas de acção social na freguesia.
Fazemos mais porque contamos com muito trabalho voluntário dos eleitos e com a dinâmica das associações e colaboração dos parceiros.
“A Junta de Freguesia é o colchão da freguesia, nós fazemos tudo para apoiar os projectos de todos os parceiros da freguesia. A nossa grande opção é apostar no trabalho ao nível social” – sublinha Jorge Silva.
“Se não fosse a Câmara que descentraliza competências e verbas, de facto, esta dinâmica para estarmos mais próximo das populações seria muito difícil concretizar” – refere.

S.P.

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