Moita - Feliciano Dias, AMANGOLA Associação Moitense dos Amigos de Angola«Nós somos o elo de ligação da comunidade com a embaixada»

Por Jornal Rostos
Feliciano Dias, Presidente da Direcção da AMANGOLA – Associação Moitense dos Amigos de Angola, fundada em 2001, nasceu a partir de um grupo de amigos residentes na Baixa da Banheira, pessoas que estiveram em Angola, que se identificam como “amigos de angola”, tendo por finalidade – “promover os valores e cultura angolana” .
CONTA COM CERCA DE 300 ASSOCIADOS
“A associação apoia os jovens da freguesia do Vale da Amoreira ao nível da música, da arte, e promovemos diversas actividades direccionadas para os jovens do Vale da Amoreira. O nosso objectivo é trabalhar para a comunidade, quer para jovens angolanos, caboverdianos, e toda a comunidade” – sublinha Feliciano Dias.
A AMANGOLA conta actualmente com cerca de 300 associados, promove diversas actividades, muitas delas na rua, quer ao nível desportivo, quer ao nível cultural, mantém em actividade grupos de dança, hip hop, musica africana e dá apoio aos que pretendem explorar a vocação musical, disponibilizando um estúdio de música.
“Procuramos transmitir aos jovens uma mensagem positiva, a mensagem que queremos que saia da nossa associação passa por respeitar angolana e respeitar Portugal” – sublinha.
TRABALHAMOS COM A AUTARQUIA
O Presidente da AMANGOLA, sublinha as boas relações da associação com a Junta de Freguesia do Vale da Amoreira, e a vontade de colaborar – “trabalhamos com a autarquia e temos elementos da associação eleitos na Assembleia de Freguesia”.
Feliciano Dias, refere que muitos angolanos actualmente – “está a regressar às origens”. Ele próprio já partiu para Angola.
“Eu considero-me um angolano, apesar de ter nacionalidade portuguesa, o meu pai nasceu em angola, o meu avô viveu em angola. Eu nunca perdi o meu ideal por aquela terra, por isso nunca quis perder as minhas raízes.” – refere.
VOU REGRESSAR À MINHA TERRA
“Costumo vestir as cores da minha pátria. Angola deu uma volta muito grande e sei que Angola quer receber que souber estar em Angola” – salienta.
“Vou regressar à minha terra. E quero levar a mensagem de Portugal para Angola, espero criar uma associação de angolanos amigos da Moita. Quero dar o meu contributo, levar a minha experiência e dinamizar o associativismo em Angola. Vou para Luanda, para Cazeng, que é o meu bairro.” – sublinha.
Notam-se lágrimas nos seus olhos quando afirma – “Espero que o trabalho da Amangola tenha continuidade para manter viva a cultura de Angola” – refere.
Recorda que as dificuldades dos tempos actuais estão a criar problemas, situações que vão sendo superadas com o apoio da Junta de Freguesia do Vale da Amoreira e Câmara Municipal da Moita.
ASSOCIAÇÃO DÁ MUITA DIGNIDADE ÀS FESTAS
“Esta associação dá muita dignidade às Festas do Vale a Amoreira, espero que continue a marcar presença para divulgar a cultura angolana. Nós somos sempre um espaço visitado por todos os que vivem as Festas do Vale da Amoreira” – sublinha Feliciano Dias.
Recorda que Adriano – um jovem que participou nos Ídolos nasceu no seio do trabalho desenvolvido pela Amangola, sublinha o trabalho realizado por Pedro Pinhal, que através do projecto EDUCARTE, motiva os jovens para a arte do graffiti.
“O Kolman, que já era um jovem do grafiti, também desenvolveu trabalho aqui na Amangola” – refere.
JOGADORES DE GRANDES CLUBES
Ao nível desportivo refere a realização de Torneios de Futebol,o «AmaVerão» e «AmaNatal», que contribuem para receber imigrantes e integra-los nas vivências da comunidade.
Recorda nomes como Nunes, Jorge Plácido, Jorge Ferreira, Landec, jogadores de grandes clubes, que passaram pelo Vale da Amoreira – “costumam participar nos torneios e matar saudades, revendo amizades”.
RELAÇÃO MUITO POSITIVA COM A EMBAIXADA
“Mantemos uma relação muito positiva com a Embaixada de Angola. Nós somos o elo de ligação da comunidade com a embaixada. Procuramos que a embaixada saia para a rua e mantenha contactos com as comunidades.
Hoje o consulado de Angola costuma vir aos Bairros, normalmente, são acções que decorrem no Ginásio da Baixa da Banheira, para apoiar a legalização” – sublinha
IDENTIFICAMOS 20 PESSOAS SEM NACIONALIDADE
“Estamos a procurar identificar os angolanos que vieram na ponte área de 1975 que, infelizmente, ainda hoje, não têm nacionalidade nem angolana, nem portuguesa. Estamos a tratar destes problemas com o apoio da Igreja Bom Samaritano. Já identificamos 20 pessoas nestas condições” – sublinha Feliciano Dias
Refere, igualmente que com o apoio da Igreja Bom Samaritano é realizado um trabalho de apoio alimentar – “damos 150 sopas e distribuímos produtos como alfaces, fruta, para tentar remediar um pouco, porque há muitas pessoas carenciadas. Fazemos isto todas as sextas-feiras”.
PAPEL MUITO IMPORTANTE JUNTO DOS JOVENS
“Conversa no Quintal” é um espaço que promovemos regularmente, em torno daquilo que cada um trás, para comer e beber, mantemos conversas.
“Falamos desde as saudades que temos de angola, até conversas dos filhos que dizem eu quero conhecer a terra do meu pai” –
A Amangola promove uma rádio de rua que apoia as associações da comunidade na divulgação de actividades.
“A Amangola tem um papel muito importante junto dos jovens. Inserimos os jovens no mundo do trabalho” – sublinha Feliciano Dias.
Lamenta com tristeza que em projectos de recuperação do Vale da Amoreira não sejma criadas condições para que os jovens trabalhem nesses projectos – “eles sentiriam de outra forma o Bairro, porque com o trabalho sentiam que ajudavam a reconstriur. Tenho tristeza que isso não aconteça”.
SER PARCEIRO É IMPORTANTE
“É importante ser parceiro, não ser apenas parceiro no papel, porque ser parceiro é dar tudo para apoiar outras associações. Nós gostamos de todas as associações e vivemos isso dando a nossa parceria” – sublinha o presidente da Direcção da Amangola.
“Gostaria que todas as associações vivem-se essa frase com totalidade- assumindo esse ideal – Eu sou parceiro” – refere a finalizar.













