José Caro Proença, investigador do BarreiroViagem de Vasco da Gama foi o primeiro feito náutico da história da humanidade
“O feito de Vasco da Gama foi essencialmente o efeito económico, noticiado in loco, por Álvaro Velho do Barreiro” – sublinhou José Caro Proença, no decorrer da Sessão Cultural da Academia da Marinha, hoje à tarde, no Edifício da Marinha, em Lisboa.
O conferencista defendeu que o «mar» é “feito de Portugal» que através dele o país deve contrapor-se à “eurotendência económica e moral”, de forma a ter um “futuro soberano” e se transforme “numa pátria respeitada”.

Por Jornal Rostos
José Caro Proença, investigador do Barreiro, membro da Academia de Marinha, foi prelector da Sessão Cultural da Academia da Marinha, que decorreu, hoje à tarde, no Edifício da Marinha, em Lisboa.
Após a conferência, vários participantes expressaram a admiração pela intervenção de José Caro Proença, sublinhando a que “não sendo um historiador” a sua conferência traduz uma “lição erudita” fruto de um trabalho “pensado”, “critico” que tem base o “valor da leitura e reflexão”.
José Caro Proença agradeceu as referências ao seu trabalho, sublinhou a presença no Auditório de Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro e de Regina Janeiro, vereadora da Câmara Municipal do Barreiro, responsável pela área Cultural.
Símbolo “rupestre da língua portuguesa”
Sublinhou o seu apego a “valores morais e recordou, emocionado, a visita que fez à «Rocha Ielala» que considerou o símbolo “rupestre da língua portuguesa” no hemisfério sul.
Registe-se que na «Pedra Ielala», situada a 150 km a montante da foz do Rio Zaire, estão registadas inscrições feitas pelos marinheiros portugueses.
Feito e o efeito náutico noticiados
“O feito e o efeito náutico noticiados” foi o tema da Conferência proferida por José Carlos Proença, na Sessão Cultural da Academia da Marinha.
José Caro Proença procurou demonstrar como a obra de Álvaro Velho – Roteiro da Viagem de Vasco da Gama à India – pode ser interpretada a partir de uma análise jornalística, onde em registo diário é possível encontrar o “lead” da notícia.
A noticia que dá a conhecer o «feito», partindo para a análise do «efeito».
Noticia revela a tolerância religiosa
Uma das «noticias» referenciadas, datada de 10 de Março de 1498, sobre a realização de uma missa numa ilha, no decorrer da viagem, onde Álvaro Velho salienta que «os quisessem» podiam «comungar e confessar», é o ponto de partida para José Caro Proença salientar que esta «noticia revela a tolerância religiosa», porque a ida à missa “não se revestia de carácter obrigatório”.
Uma missão naval e comercial
Esta «noticia» para o conferencista exprime o sentimento de «liberdade religiosa» dos portugueses.
E, também, motivação para José Caro Proença salientar que a viagem à India não teve por objectivo “evangelizar o outro” mas sim que ela foi “uma missão naval e comercial”.
Economia do mundo do Oriente para Lisboa
Outras «noticias» são referenciadas, dando a Álvaro Velho o papel de “repórter da missão”.
José Caro Proença, defende, com base na análise dos «textos-noticia» de Álvaro Velho que a viagem de Vasco da Gama India contribui para “mudança da mentalidade comercial e marítima” sendo a afirmação do “alvor da Idade Moderna”.
“Álvaro Velho demonstra a importância do comércio do Oriente”, dos “negócios da china” e a mudança da “economia do mundo do Oriente para Lisboa”.
Primeiro feito náutico da história da humanidade
“Não há feito sem efeito” sublinhou José Caro Proença, acrescentando que a viagem de Vasco da Gama `India “é o primeiro feito náutico da história da humanidade”, marcada por um “positivismo económico” que se sobrepôs ao “sentir Cristão”.
“O feito de Vasco da Gama foi essencialmente o efeito económico, noticiado in loco, por Álvaro Velho do Barreiro” – sublinhou José Caro Proença.
Potência marítima mais poderosa no século XVI
José Caro Proença sublinhou que a “politica Atlântica Joanina era pragmática” tinha objectivo “económicos” e visava a “independência do reino”.
“Era um conceito revolucionário” – salientou, de tal forma que Portugal se tornou a “potência marítima mais poderosa no século XVI”.
“D. João II notabilizou Portugal”, promoveu estudos marítimos, contribuindo para que os portugueses se afirmassem como “um povo soberano e dono do seu destino” tendo o mar como caminho com “um saber de consciência”.
O «mar» é “feito de Portugal»
José Caro Proença, criticou “o estado colmatoso do Portugal actual”, onde os “políticos só pensam nos seus partidos” ou nos “votos”.
“Uma doença que degenerou em crise nacional” – referiu.
O conferencista defendeu que o «mar» é “feito de Portugal» que através dele o país deve contrapor-se à “eurotendência económica e moral”, de forma a ter um “futuro soberano” e se transforme “numa pátria respeitada”.
Houve deslumbramento de dinheiro fácil
No debate final, interrogado sobre as razões que levaram a Portugal perder a sua importância e papel económico que alcançou com os descobrimentos, José Caro Proença sublinhou que – “houve desvios e destemperos” e “houve deslumbramento de dinheiro fácil”.
“Como agora nos deslumbramos com o dinheiro fácil que veio dos outros” – referiu.
Barreiro é o local onde as pessoas mais acarinharam a celebração do Dia da Marinha
"O Barreiro é o local onde as pessoas mais acarinharam a celebração do Dia da Marinha" - sublinhou o Almirante, (cujo nome não registámos), que presidiu à apresentação da conferência de José Caro Proença, no final, dirigindo-se ao Presidente da Câmara Municipal do Barreiro.
"Continue a ser um exemplo de amor à nossa cultura e à nossa história, ao sentimento de ter orgulho de ser português" - salientou o Almirante, agradecendo a conferência realizada por José Caro Proença.













