Humberto Candeias, candidato do Bloco de Esquerda«Barreiro tem uma democracia pobre na participação»
. Barreiro do ponto de vista do património está abandonado
“No Barreiro há uma ficção de participação que não dá oportunidade às pessoas de decidirem.
Não podemos viver uma ficção de participação, ou uma participação que se fica pelo ouvir as pessoas, isso é importante, ouvir, essa proximidade é positiva, mas não chega” – sublinhou Humberto Candeias, candidato do Bloco de Esquerda à presidência da Câmara Municipal do Barreiro, ontem à noite, no ciclo de «Conversas sobre as eleições autárquicas».

Por Jornal Rostos
Humberto Candeias, candidato do Bloco de Esquerda à presidência da Câmara Municipal do Barreiro, participou, ontem à noite, no ciclo de «Conversas sobre as eleições autárquicas» que estão a realizar-se por iniciativa da SFAL.
Divulgar as nossas ideias e o nosso projecto
Humberto Candeias, começou por referir que esta iniciativa é “uma oportunidade importante para divulgar as nossas ideias e o nosso projecto para o Barreiro”.
“Numa sociedade, como o Barreiro, com poucos meios de comunicação, esta acção é valiosa e o jornal «Rostos tem importância nesta iniciativa” – sublinhou.
Coesão social é determinante
“O nosso compromisso visa contribuir para a construção de uma estratégia de desenvolvimento sustentada. Mais que propor 100 medidas, neste mercado do marketing politico, o que é necessário é que se adquira a consciência de um rumo para uma melhor comunidade” – salientou Humberto Candeias.
O candidato do Bloco de Esquerda referiu que no âmbito da estratégia que contribua para melhor qualidade de vida “a coesão social é determinante”.
“Estamos a assistir a uma regressão nesta área, com o crescimento da pobreza infantil” – sublinhou.
Salvaguarda do ponto de vista ambiental
Humberto Candeias, referiu que a “dimensão da valorização ambiental” é outro vector da estratégia defendida pelo Bloco de Esquerda.
“Não há desenvolvimento, não há futuro sem que exista uma salvaguarda destas condições” – sublinhou.
“O Barreiro está a sofrer as consequências de um passado que era um modelo de desenvolvimento não sustentável, hipotecamos o território, hipotecamos o rio, não valorizamos os nossos recursos naturais. Por isso, hoje, temos que aprender com a história. Não podemos partir para o futuro sem a salvaguarda do ponto de vista ambiental” – salientou o candidato do BE.
Património está abandonado
Por outro lado, perspectivou a importância da “dimensão cultural”, referindo que é preciso por de lado – “essa ideia que a cultura é acessório, que é para entretenimento”.
“O desenvolvimento do Barreiro só tem futuro se a vida cultural se alicerçar na sua identidade” – sublinhou.
“Preservar o património e a história, valorizar a especificidade cultural para se projectar no futuro” – sublinhou, acrescentando que a realidade cultural tem que ser interpretada como “valor acrescentado em termos económicos”.
“O Barreiro do ponto de vista do património está abandonado” – sublinhou.
“O Barreiro é uma terra que não tem um único Moinho de Maré ou de vento reabilitado que possa ser aproveitado pela comunidade” – acrescentou Humberto Candeias.
Defesa do Orçamento Participativo
O candidato do Bloco de Esquerda defendeu o “aprofundamento da democracia, na sua dimensão politica, a maneira como as cidades são governadas são determinantes para o futuro dos territórios”.
“As formas de intervir e participar, a maneira como se partilha o poder da cidade, o envolvimento da comunidade, o que acontece no Barreiro é um pouco do que acontece no país, temos médias inferiores à media dos países da OCDE” – sublinhou Humberto Candeias.
Recordou que as eleições autárquicas atingem abstenções na ordem dos 50% - “não é possível desenvolver um território onde metade das pessoas se alheiam, onde há um envolvimento reduzido no viver os direitos e deveres da população”.
“É preciso estimular as pessoas a participar nos actos eleitorais” – referiu.
“As chamadas Opções Participadas são encontros com a população para ouvir, mas as pessoas não decidem nada, no nosso Programa faz parte o Orçamento Participativo” – salientou o candidato do BE.
“Queremos colocar na ordem do dia o uma estratégia integrada de desenvolvimento do concelho que passa por todas estas dimensões” – referiu.
Criar emprego no Movimento Associativo e Cooperativo
“O Barreiro tem um Movimento Associativo importante, é extenso, com grandes tradições, que tem valor acrescentado na área social, mas não tem na área económica, onde o sector cooperativo é muito limitado” – referiu Humberto Candeias.
“Há espaço no Barreiro para o desenvolvimento de cooperativas, há espaço para criar emprego no Movimento Associativo e Cooperativo, este é um caminho alternativo” – sublinhou.
“A autarquia de esquerda tem um papel nesta dimensão, devia procurar obter resultados.” – referiu.
Recordou que não há cooperativas na área da Habitação e valorizou a implementação de politicas de desenvolvimento de projectos cooperativos.
A cidade está em degradação e ao abandono
Humberto Candeias lamentou a extinção de freguesias – “esta lei que acabou com as freguesias limita as questões de proximidade”.
“As pessoas envolvem-se mais quando se responsabilizam. O Barreiro precisa que exista uma relação diferente com a cidade” – sublinhou.
“A cidade está em degradação e ao abandono, o Barreiro velho é um ex-libris” – referiu.
“Nos contactos com a população que tenho vindo a efectuar são constantes as criticas ao estado de sujidade dos espaços públicos” – salientou.
“A Câmara não tem que resolver todos os problemas do território, não é realista pensar isso, porque a Câmara não tem capacidade, por isso tem que existir um modelo de governança da cidade em que os cidadãos assumam direitos e deveres” – sublinhou Humberto Candeias.
É preciso inovar na democracia
“É preciso inovar na democracia e isso não tem acontecido no Barreiro. A democracia tem que se renovas todos os dias. Hoje, as pessoas estão traumatizadas com os políticos, estão afectadas pela maneira brutal e pelo modelo politico do Governo central” – sublinhou.
“Não são os funcionários públicos, são as politicas do PS, PSD e CDS e de grandes grupos económicos que estão a abocanhar o Estado” – referiu.
“Estamos 40 anos depois do 25 de Abril com uma democracia muito empobrecida. Acredito que podemos mudar” – salientou.
Barreiro tem uma democracia pobre na participação
“As eleições autárquicas são muito difíceis para o Bloco de Esquerda e para os independentes. É uma batalha muito desigual, mas isso não nos faz pensar que não é possível. Temos obrigação de criar oportunidades de democracia” – referiu.
“Também no Barreiro, porque o Barreiro tem uma democracia pobre na participação” - sublinhou .
“No Barreiro há uma ficção de participação que não dá oportunidade às pessoas de decidirem.
Não podemos viver uma ficção de participação, ou uma participação que se fica pelo ouvir as pessoas, isso é importante, ouvir, essa proximidade é positiva mas não chega” – sublinhou Humberto Candeias.
Não se deu prioridade a politicas de regeneração urbana
O candidato do Bloco de Esquerda lamentou que não se avance no concelho do Barreiro com projectos de Hortas Comunitárias e sobre o Barreiro Velho referiu – “não se faz nada”.
“No Barreiro Velho é preciso recurso exógenos e nisto o Barreiro chegou muito tarde e perdeu candidaturas aos fundos dos Quadro Comunitários” – referiu.
“Não se deu prioridade a politicas de regeneração urbana” – sublinhou Humberto Candeias.
“A candidatura Barreiro Vivo, importante, de alguns milhões, foi perdida porque não tinha no plano de acção participado pela população. Foi penalizada. Existe o Conselho de Reabilitação do Barreiro Velho que não foi ouvido para este projecto” – referiu o candidato do BE.
É preciso evitar o abandono dos prédios
Humberto Candeias sobre a situação dos prédios degradados e devolutos no Barreiro Velho, recordou que há legislação que devia ser aplicada pela autarquia porque -“a situação do Barreiro Velho é insustentável”.
“É preciso evitar o abandono dos prédios, são privados, mas tem que haver vontade politica de alterar estas situações, tem que existir uma estratégia integrada” – sublinhou.
Recordou que BE, apresentou na Assembleia Municipal uma proposta de aplicação de taxas superiores no IMI aos prédios devolutos.
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