«Barreiro, uma Terra de Trabalho, Resistência e Luta» de Armado TeixeiraUma cronologia pelas raízes e génese do Movimento Operário do Barreiro
Armando Teixeira, recordou que a sua obra contribui para o reconhecimento do Barreiro como “terra singular e incontornável do século XX em Portugal”, ali, encontram-se as “raízes e génese do Movimento Operário do Barreiro”.
O autor sublinhou que essas raízes remontam à “tradição ancestral da pesca”, na faina dos “pescadores barreiros” no típico barco da muleta, onde, referiu, poderá estar a génese do topónimo «Barreiro».
Recordou que no ano de 1917, ano da revolução russa, dois acontecimentos registaram-se em Portugal: a aparição de Nª Srª de Fátima e “a inauguração do Mercado do Barreiro, uma antiga reivindicação”.

Por Jornal Rostos
A obra «A I República e o Movimento Operário no Barreiro - Barreiro, uma Terra de Trabalho, Resistência e Luta - 1910/1926 - Parte V», de Armando Teixeira, foi apresentada no Barreiro, no dia 5 de Outubro, na Cooperativa Operária Barreirense «Os Corticeiros», num evento que contou com a participação do Coro e Tuna da UTIB e Grupo de Teatro da UTIB.
A sessão começou com o do Coro e Tuna da UTIB cantando o Hino da Maria da Fonte.
Raízes e génese do Movimento Operário do Barreiro
Armando Teixeira, recordou que a sua obra contribui para o reconhecimento do Barreiro como “terra singular e incontornável do século XX em Portugal”, ali, encontram-se as “raízes e génese do Movimento Operário do Barreiro”.
O autor sublinhou que essas raízes remontam à “tradição ancestral da pesca”, na faina dos “pescadores barreiros” no típico barco da muleta, onde, referiu, poderá estar a génese do topónimo «Barreiro».
Armando Teixeira salientou a importância do «paradigma ferroviário» com a chegada dos Caminhos de Ferro ao Barreiro no ano de 1855, a inauguração das Oficinas da CP em 1861, seguindo-se depois a instalação das fábricas de cortiça, a partir de 1865.
Gestão paternalista de Alfredo da Silva
Referiu que a importância da “consciência colectiva” que se traduziu num “associativismo de classe” e a implementação de associações, com a fundação em 1848, da Sociedade Filarmónica Barreirense.
Recordou que a SIRB«Os Penicheiros» nasceu ligada ao Partido dos Progressistas, e a SDUB «Os Franceses» ligada ao Partido dos Regeneradores.
Referiu a implementação da Escola Régia Conde Ferreira, em 1870, e a criação do primeiro jornal no Barreiro, em 1893, ano em que foi criada a primeira Loja Maçonica, no Barreiro.
Salientou a implementação da indústria e a “gestão paternalista de Alfredo da Silva”.
Ligações do Barreiro ao Alentejo
António José da Costa, num depoimento, evocou a memória de seu avô, carpinteiro que veio de Èvora para o Barreiro, lembrou a acção de seu pai, ferroviário, que integrou o movimento anarquista- revolucionário.
Sublinhou as ligações do Barreiro ao Alentejo, com raízes “fraternas e solidárias”.
Nem só de pão vive o homem
Olavo Silva, noutro depoimento, recordou que o Barreiro foi sempre uma terra com uma consciência que “nem só de pão vive o homem”, por essa razão sempre existiu uma intensa actividade cultural.
Recordou os dias de repressão- “a força dos cavalos a entrar nas ruas e nas casas”.
Evocou seus pais que sempre viveram em Santo António da Charneca, sendo o seu avô proprietário da Quinta das Canas e da Quinta do Conde.
Recordou Alfredo da Silva, que quando existiam situações de crise vinha para o Barreiro e afirmava: “Estou mais seguro de noite no Barreiro, que de dia nas ruas de Lisboa”.
Após os depoimentos seguiu-se um momento musical, recordando fados da República, com Luís Reis
e Manuel Manços.
Obra merece um justo reconhecimento
Silvia Batista, sublinhou que a obra de Armando Teixeira, dá a conhecer “as verdadeiras personagens da nossa história”, o papel das “classes trabalhadoras” e a sua “solidariedade com outras classes”.
Recordou que a obra de Armando Teixeira permite conhecer o movimento operário - anarquista, republicano, as memórias da Guerra Civil de Espanha e a resistência ao fascismo.
Sublinhou as memórias da República, de gente “antes quebrar que torcer”, as emoções, o espanto, a revolta que conduz a pensar se “a história não se repete”.
Referiu a importância dos “grupos sociais”, a “linguagem” e a “natureza ideológica” desses corpos sociais, que se reflectem em “consciência politica” e também “em preocupações culturais”.
Recordou que o Barreiro, foi uma terra com “taxas de analfabetismo mais baixa”, fruto da sua realidade social.
Silvia Batista, sublinhou que Armando Teixeira, com a sua obra merece um “justo reconhecimento” pelo trabalho que produziu ao longo de 7 livros, percorrendo 6 décadas.
Inauguração do Mercado do Barreiro
Armando Teixeira, numa segunda intervenção, recordou o papel dos socialistas e anarquistas no concelho do Barreiro.
Referiu a importância dos “ecos da revolução soviética”, quando estes “chegaram a Portugal”.
Recordou que no ano de 1917, ano da revolução russa, dois acontecimentos registaram-se em Portugal: a aparição de Nª Srª de Fátima e “a inauguração do Mercado do Barreiro, uma antiga reivindicação”.
Sublinhou, Armando Teixeira que, na Europa os Partido Comunistas, “nasceram dos Partidos Socialistas”, mas em Portugal, o PCP, nasceu dos revolucionários.
Armando Teixeira, referiu que o “regime republicano, escolheu a burguesia e voltou as costas ao povo”.
“Os povos nunca deixam cair sem luta os regimes que amam”- salientou, acrescentado que só deixam cair – “os que lhe são adversos e indiferentes”.
Chefe de Redacção do jornal «O Vigilante»
Nidia Malacão, num depoimento, recordou o seu avô, operário corticeiro, ligado ao movimento socialista e anarquista, que viveu o dia da implantação da República na Rotunda, em Lisboa.
Recordou as lutas do povo do Barreiro e de seu avô, na “exigência de farinha para o pão”, as suas fugas à policia e a prisão em Caxias.
Sublinhou que seu avô foi um “autodidacta”, assumiu as funções de Chefe de Redacção do jornal «O Vigilante», entre 1925 e 1926.
Largo Casal conhecido como Praça Vermelha
Manuel Revés, noutro depoimento, recordou que nasceu em Castro Verde, no Alentejo, tendo vindo viver para o Barreiro, com 13 anos, onde começou a trabalhar na Construção Civil, tendo posteriormente ingressado na CUF.
Recordou a importância do «Largo Casal, conhecido como Praça Vermelha” e as suas ligações a José Nobre Madeira, anarco-sindicalista, avô de Helder Madeira.
Foi o primeiro presidente do Sindicato da Construção Civil, após o 25 de Abril.
No decorrer da sessão o Grupo de Teatro da UTIB, com encenação de Luciano Barata, apresentou um momento teatral, evocando as lutas do povo do Barreiro, pelo pão e contra o açambarcamento de mercadorias.
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