Saltar para o conteúdo
Perspectivas

“Quem não concorda com o PS é antidemocrático»afirmou Presidente da Câmara do Barreiro
. Reprovada proposta de Auditoria Financeira

“Eu conheço a situação do município. A Câmara conhece a situação do município. Sei que é preciso melhorar a gestão do município. Não tenho dúvidas” - salientou Carlos Humberto, no decorrer da discussão da proposta dos vereadores socialistas de realização de uma «Auditoria Financeira à Câmara Municipal do Barreiro».

“Se é só um número politico que o PS quer fazer, então não vai contar com o PSD” – salientou Bruno Vitorino, sugerindo que a proposta fosse retirada.

Luis Ferreira, salientou que os vereadores do PS ao proporem uma auditoria – “estavam à espera deste incómodo democrático que é legitimo”.

11 min de leitura
“Quem não concorda com o PS é antidemocrático» afirmou Presidente da Câmara do Barreiro . Reprovada proposta de Auditoria Financeira

Por Jornal Rostos

Na reunião pública da Câmara Municipal do Barreiro, realizada na 4ª feira, na Sala de Sessões, nos Paços do Concelho, o último ponto da ordem do dia foi a discussão sobre a proposta apresentada pelos vereadores do Partido Socialista de «Auditoria Financeira à Câmara Municipal do Barreiro».

O estado das contas municipais

Marcelo Moniz, PS, apresentou a proposta de realização de uma «auditoria financeira» por considerar que tal era um “imperativo”, por razões de “critérios de transparência” e “igualdade e rigor”.
O vereador socialista considerou essencial conhecer – “o estado das contas municipais” e que exista “transparência para os novos vereadores no exercício das suas funções”.

Nós não temos dúvidas do rigor

Sofia Martins, vice presidente da Câmara, referiu – “não consigo perceber o âmbito da proposta”.
Salientou que, se pretende que o executivo que tem gerido “se audite a si mesmo para verificar o rigor da sua gestão”.
“Nós, não temos dúvidas do rigor, não temos dúvida sobre as contas. Porque vamos auditar?” – sublinhou Sofia Martins.
Recordou que a autarquia tem sido auditada por diversas entidades e –“temos noção da transparência com que gerimos ”.
A autarca solicitou aos vereadores socialistas que expusessem as dúvidas – “digam, mostraremos tudo para que compreendam as contas”.
“Propor à Câmara uma auditoria é esquizofrénico, sim no mínimo é esquizofrénico” – sublinhou a autarca.
“Não posso estar de acordo com esta proposta” – afirmou.

Não quero achar que há um mau perder mau perder

Regina Janeiro, CDU, sublinhou que – “todos os dias tem que se aprender, como dizia Lenine – aprender, aprender sempre”.
“Isto é um caso inédito” – sublinhou, acrescentando – “se houvesse mudança de partido na liderança da autarquia” e fosse pedida uma auditoria, até entendia, mas “o povo do Barreiro votou CDU”.
“Já tinham tido tempo” – sublinhou, para que os vereadores socialistas percebessem que – “o povo do Barreiro confia na CDU, votou na continuidade da CDU”.
Regina Janeiro referiu o PS – “não quero achar que há um mau perder”.

Auditoria é um instrumento de gestão da autarquia.

Marcelo Moniz, PS, referiu que os eleitos da CDU – “estão afastados do mercado de trabalho”, onde as auditorias serão uma prática das empresas.
Sublinhou que uma auditoria – “não é uma questão de perder ou ganhar” e que “ninguém põe em causa o trabalho realizado”, a auditoria é “um instrumento de gestão da autarquia”.
O vereador do PS sublinhou que com a “mudança de elenco” devia ser efectuada a auditoria, e considerou como “preocupante” que os vereadores do PCP e “Os Verdes” parece que “estão aterrorizados”.

Estão a pôr em causa o rigor da gestão

Rui Lopo, CDU, salientou que trabalhou em diversas empresas – “auditoria financeira foi o que os senhores escreveram”, querem que este executivo faça – “uma auditoria financeira a ele próprio”.
“Estão a pôr em causa o rigor da gestão. É isso, e nestas coisas não basta ser sério”- sublinhou, recordando que – “as contas da Câmara vão aos órgãos”.
A ideia de auditoria, devia ser uma ideia que tinham para concretizar, caso tivessem ganho as eleições e agora apresentam, referiu Rui Lopo – “é interessante”.

Eleições não suspendem a democracia

Luis Ferreira, PS, sublinhou que “concepção de democracia” dos eleitos da CDU, indicia que as “eleições não suspendem a democracia”.
Referiu que no executivo há cinco eleitos novos e auditoria visa uma análise de “procedimentos de gestão” e “um conhecimento real da situação financeira do município”.

Nós gerimos e acompanhamos ao tostão

Sofia Martins, Vice presidente, interrogou: “Quais os documentos que necessitam conhecer com rigor? Solicitem a documentação”.
“Nós gerimos e acompanhamos ao tostão e ao milímetro” referiu.
“Estou completamente disponível para vos informar o que entenderem” – afirmou.
A autarca considerou a proposta de auditoria “despropositada” e sem “critérios”.
“Não tem nada a ver com vontade de votar a proposta, não tem nada a ver com isso, digo-o com franqueza” – sublinhou Sofia Martins, de querer ou não a auditoria – “é aflitivo, é que não consigo entender a intenção da vossa proposta”.
“Auditoria à Câmara não percebo para quê, nem percebo o que está por trás da proposta. Têm que me explicar o que querem”- referiu, a vice presidente da Câmara.
“Ser mais transparente que a Câmara já é, não percebo” – salientou.

Auditoria serve para melhorar a gestão da autarquia

Luis Ferreira, PS, referiu que auditoria serve para melhorar a gestão da autarquia, sobre informação, vai saber dos “requerimentos sem resposta” feitos pelos eleitos do PS no mandato anterior.
O autarca defendeu que “as organizações são auditadas” para melhorarem as suas áreas de actividade.
Sofia Martins, recordou que a proposta apresentada o que refere é auditoria das “questões financeiras” e não apresenta propostas sobre outras matérias.

Se é número politico o PS não vai contar com o PSD

Bruno Vitorino, sublinhou que – “o PSD não está contra este tipo de auditorias”, não só sobre questões financeiras –“íamos mais além” .
“Se há questões graves, concretas, que origina este tipo de proposta, caso existam deve ser denunciada essa situação” - referiu.
“Se não é isso, se é só um número politico que o PS quer fazer, então não vai contar com o PSD” – salientou.
O autarca defendeu que uma auditoria pode “elevar o debate” procurando contribuir para – “uma lógica de boas práticas”, de “melhoria da gestão”, da “eficiência de boas práticas”, nesse sentido o PSD estava disponível para apreciar a proposta.
“Nesse caso não é uma auditoria financeira” – salientou.
Recordou que as finanças da Câmara passam pelo crivo do Executivo, da Assembleia Municipal do Barreiro, do Tribunal de Contas e -“todos os trimestres os resultados são públicos, são auditáveis, e estão disponíveis aos cidadãos”.
“Qual é a vossa lógica?” – interrogou e sugeriu que a proposta fosse retirada, e ser apresentada noutra reunião com critérios que possam contribuir para “melhorar a gestão do município” e que vai para além “da proposta que é apresentada”.
“Percebo a argumentação da CDU, a proposta como esta apresentada não encontra consensos” – sublinhou – “Estou disponível, assim não, porque é um número politico”.

No distrito de Setúbal apresenta a pior das situações

Luis Ferreira, PS, sublinhou que – “a auditoria financeira pressupõe abordagem de elementos de gestão”.
Referiu, que num estudo divulgado na comunicação social, no dia de hoje, sobre transparência nas autarquias, o Barreiro tem 34 pontos, e está na posição 142 ao nível nacional.
“No distrito de Setúbal apresenta a pior das situações” – salientou.
Nesse sentido sublinhou que é necessário “mudar práticas “ e “alterar a gestão do município”, defendendo que há – “alternativa a este modelo de gestão”.

Democracia não são auditorias

Rui Lopo, CDU, recordou que o “modelo de gestão” teve como resultado que os barreirenses deram a “confiança à CDU em mais um novo mandato ora gerir os destinos da autarquia ”.
O autarca sugeriu que Luis Ferreira fala-se da “experiência profícua do PS” e seus “excelentes projectos de gestão”.
Salientou, em resposta a Luis Ferreira, que – “a democracia não foi suspensa com as eleições”, mas, salientou que a democracia “não são novos modelos de gestão”, “nem são auditorias”.

Parece que há alguém com receio

Marcelo Moniz, PS; considerou que este é “um debate politico”, e, “não é um debate técnico”.
Referiu que a auditoria é “um instrumento” para avaliar, prevenir e encontrar instrumentos para melhorar.
“Parece que há alguém com receio” – sublinhou.
“Uma auditoria financeira ajuda a boas práticas, é isso que nós procuramos.” - referiu.

Suspensão da democracia “deve ser comigo”.

Gerou-se uma troca de “piropos” sobre democracia, suspensão de democracia, entre os eleitos do PS e CDU, sobre receios da auditoria e o disparate de propor a auditoria.
Na troca de “piropos”, Bruno Vitorino, que afinal essa coisa da suspensão da democracia – “deve ser comigo”.

Retirem a proposta, poderem melhor

Regina Janeiro, CDU, comentou o “ar catedrático” dos vereadores socialistas, na forma como argumentavam, como que classificando os vereadores da CDU – “uma cambada”, “vocês não sabem nada” e colocando-se num “pedestal acima”.
“Isso incomoda-me” – referiu.
A autarca referiu que são estas atitudes que contribuem para que exista – “o sentimento de descrédito da actividade política”, quando se coloca em causa o rigor da gestão.
“Retirem a proposta, poderem melhor” - afirmou.

A ideia não é incomodar, é melhorar

Luis Ferreira, salientou que os vereadores do PS ao proporem uma auditoria – “estavam à espera deste incómodo democrático que é legitimo”
“A ideia não é incomodar, é melhorar” – referiu.
Voltou a referir o estudo onde o concelho do Barreiro não tem resultados satisfatórios, no que diz respeito a transparência.
Regina Janeiro, salientou que a base de análise da investigação, referida por Luis Ferreira, era a partir da informação recolhida pelos investigadores, que está disponível nos sites das autarquias.

Eu conheço a situação do município

Carlos Humberto, presidente da Câmara, referiu estar de acordo que este é “um debate politico”.
Sublinhou que os vereadores socialistas no decorrer da discussão da proposta – “afirmaram que a auditoria não é contra ninguém”, e salientou que no texto da proposta acusam o executivo de “imparcialidade” e que “é preciso conhecer a situação real do município”.
“Eu conheço a situação do município. A Câmara conhece a situação do município. Sei que é preciso melhorar a gestão do município. Não tenho dúvidas” - salientou.
Mas quero dizer que “não corresponde à verdade” que eu não conheço a situação real do município.
“É inaceitável do ponto de vista político e do ponto de vista pessoal, e até do ponto de vista ético, que se faça esta acusação” – sublinhou Carlos Humberto.
Não aceito que se coloque em causa o “rigor e a transparência”.

Isto é um perigo real para a democracia

O presidente da Câmara Municipal do Barreiro referiu que do ponto de vista politico e democrático, os vereadores socialistas pretendem com esta proposta, no âmbito de toda a argumentação, querem “suspender os resultados eleitorais”, e querem “transformar uma maioria absoluta da CDU, numa maioria do PS que quer aplicar o seu programa eleitoral. Isto é inaceitável”.
“Quem é o Presidente da Câmara sou eu, se há algum programa eleitoral a ser aplicado é o da CDU, não o do Partido Socialista” – salientou.
Referiu que o PS, tem “todo o direito de fazer as propostas que entender”, não pode é dizer que por não defendermos a sua proposta “é medo”, “é suspender a democracia”, isto é “o funcionamento democrático das instituições”, porque pelo que vocês dizem – “quem não concorda com o PS é antidemocrático”.
“Só somos democráticos se fizermos aquilo que vocês querem, se não o fizermos somos antidemocráticos.” – referiu.
“Isto é um perigo real para a democracia” – afirmou Carlos Humberto.
“O Barreiro precisa de todos nós” – referiu e não deve ser como vocês fazem – que se consideram “os melhores” e que são “os democráticos”.
Luis Ferreira, comentou que da parte do presidente – “há alguma dramatização” e “uma fuga à questão de fundo”.

Nem caça às bruxas nem número mediático

Bruno Vitorino, voltou de novo sugerir que a proposta fosse retirada – “embora concordando com algumas preocupações” – e expressando que se o objectivo da proposta fosse de outro âmbito e não “uma caça às bruxas”.
“Gostava de estar convosco numa proposta construtiva” e com “um modelo de trabalho”– sublinhou o vereador PSD,
“Se querem é fazer o tal número político, não vou estar convosco”- referiu.
Luis Ferreira, salientou que a preocupação “é saber que os dinheiros públicos são bem utilizados”, que a finalidade da proposta não é – “nem a caça às bruxas”, nem “um número mediático”.
A proposta de auditoria foi votada, tendo os votos favoráveis dos três vereadores socialistas, a abstenção do vereado social democrata e o voto contra dos cinco eleitos da CDU.

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção