Fernando Rosas no Congresso «Trabalho e Movimento Operário» - Barreiro«A incapacidade de ter um programa social mata a República»
A República considera que o movimento operário é igual aos monárquico-clericais.
“A República serviu-se dos operários e não tem nada para lhes dar” – salientou o historiador.

Por Jornal Rostos
Hoje , no Auditório Municipal Augusto Cabrita, no Congresso “Trabalho e Movimento Operário”, Fernando Rosas, proferiu a Conferência de Abertura subordinada ao tema: «A primeira República e o Movimento Operário. Roteiro político e social das Greves gerais».
Proletariado politicamente e socialmente segregado
Fernando Rosas começou por salientar que “o operariado em Portugal no período da República são ilhas de ruralidade” e “o resto do país era um mar de ruralidade”.
Referiu que no país existia “um grande domínio de Oficinas e de empresas manufactureiras”, a “excepção” é Lisboa e a Margem Sul, zonas onde se fixava “o proletariado moderno, aquele que vivia exclusivamente da sua força de trabalho”.
Recordou que a CUF no Barreiro surgiu no ano 1907, com predomínio de “um proletariado industrial” com “altos índices de analfabetismo”.
Referiu a existência de “uma elite de velhos artesãos e manufactureiros” que são “são operários que constroem o seu próprio saber”.
O historiador sublinhou o facto do operariado, por ser analfabeto, “não ter acesso ao voto” não teracesso à cultura, nem à segurança social e sem capacidade de intervenção politica.
“O proletariado era politicamente e socialmente segregado” – sublinhou.
Força social e politica do proletariado é superior ao seu balanço sociológico
Fernando Rosas salientou que o operariado “vive zonado”, como se existisse uma “comunidade operária á volta da cidade burguesa”.
Recordou que o carácter manufactureiro do operariado proporciona “o predomínio da cultura anarquista, que entra facilmente nesta base material e com predomínio sobre o socialismo”.
Por essa razão a comunidade operária desenvolve o radicalismo – “o poder operário junto ao poder politico é superior à sua força no país”.
Recordou que 40% da população de Lisboa era do proletariado fabril.
“A força social e politica do proletariado é superior ao seu balanço sociológico” – sublinhou.
Carbonária é que mobiliza os operários
Fernando Rosas referiu a fundação da Fraternidade Operária, no ano de1872, a Liga da Internacional Socialista, em 1873 – com a presença de Antero Quental e José Fontana, que conduziu à formação do Partido Socialista – o 1º partido da classe operária.
No ano de 1891 foram legalizados os Sindicatos de classe, e a partir de 1906 desenvolveu-se o sindicalismo revolucionário, ligado ao anarquismo.
“No início da República o Partido Socialista luta por manter influência contra o anarquismo, ambos são derrotados pelos Republicanos e pela Carbonária” – salientou.
“A Carbonária é que mobiliza os operários” – refere.
Corte do proletariado com a República
Fernando Rosas, na evolução das relações entre a República e os proletários, salienta três períodos: 1910/1913 – quando se regista a primeira ofensiva do Movimento Operário e a sua desilusão com a República. “Afonso Costa é o racha sindicalistas” – refere.
1917/1918 – a segunda ofensiva dos proletários durante a Guerra Mundial, período em que se registam baixos salários e a fome.
1919/ 1920 – quando se regista uma onda revolucionária do pós-guerra e fazem sentir-se os efeitos da Revolução Bolchevique na Rússia.
Sublinhou que este processo conduziu ao corte do proletariado com a República, que foi erguida com base num aliança histórica entre o proletariado e a esquerda dos republicanos.
Este corte foi o terreno para a implantação da ditadura.
República vai morrer nas barricadas de armas na mão
Fernando Rosas sublinhou que a “República não tem programa social” e que “serviu-se da classe operária para chegar ao Poder”.
A República considera que o movimento operário é igual aos monárquico-clericais.
“A República serviu-se dos operários e não tem nada para lhes dar” – refere o historiador.
“A República trata com brutalidade as greves dos trabalhadores rurais no Alentejo” – sublinha.
Refere que estes são anos de lutas duríssimas e que se registou – “a maior violência repressiva da história social portuguesa do século XX”.
“A República vai morrer nas barricadas de armas na mão com os operários. A República cai combatendo” – refere.
“A incapacidade de ter um programa social mata a República, esta é a principal causa da queda da República” – sublinhou Fernando Rosas.













