Raquel Varela no do «Congresso Trabalho e Movimento Operário» Barreiro«Sopa dos Pobres tem uma designação moderna são Cantinas Sociais»
. Pessoas que vivem do seu trabalho ronda os 5,5 milhões
“O conceito proletário é mais que classe trabalhadora” – referiu Raquel Varela, na A Conferência de Encerramento do «Congresso Trabalho e Movimento Operário», acrescentando que “Proletário é aquele que não tem mais nada para vender se não a sua força de trabalho”.
“Portugal está a passar um processo de pauperização e proletarização da força do trabalho” – sublinhou.

Por Jornal Rostos
A Conferência de Encerramento do «Congresso Trabalho e Movimento Operário», teve como tema: “A proletarização dos Trabalhadores no Portugal Contemporâneo”, sendo prelectora Raquel Varela.
A investigadora começou por sublinhar a importância do “ressurgimento das questões sociais em Portugal”.
Referiu que – “não há uma história da proletarização em Portugal”, existindo apenas “notas e contributos” que podem ajudar a compreender a história dos proletários, acrescentando que – “nunca houve historicamente tantos proletários como há hoje em Portugal”.
Pessoas que vivem do seu trabalho ronda os 5,5 milhões
Raquel Varela, considerou necessário aprofundar a análise do conceito “classe trabalhadora”, uma classe que “deixou de ter trabalho certo”.
Recordou que a proletarização em Portugal, com raízes no século XIX, desenvolve-se a partir da implementação de «programas assistencialistas», que nada têm a ver com «estado social» e “geram o fenómeno da proletarização”.
Referiu que “nunca a população activa em Portugal foi tão grande”, fenómeno que se intensificou, a partir dos anos 60, com a entrada da mulher no mundo do trabalho.
A população activa – “pessoas que vivem do seu trabalho” ronda os 5,5 milhões.
“O conceito proletário é mais que classe trabalhadora” – salientou, acrescentando que – “proletário é aquele que não tem mais nada para vender se não a sua força de trabalho”.
Raquel Varela referiu que “não sabemos exactamente qual a dimensão da classe trabalhadora”, porque não há dados sobre a dimensão do “trabalho infantil”ou “trabalho ao domicilio”.
Proletarização não é escravatura
Na sua intervenção referiu que “proletarização não é precarização” e que “proletarização também não é escravatura”.
“O trabalhador vende a sua força de trabalho para sobreviver” – referiu.
Recordou que a proletarização típica “é a proletarização por expropriação” resultante da “expropriação dos camponeses e sua transformação em proletários”.
Em Portugal viveu-se um processo de “semi-proletarização”, referindo os efeitos da Lei do Morgadio e a importância da Revolta da Maria da Fonte.
Proletarização é a expropriação dos meios de vida
No contexto actual “Portugal está a passar um processo de pauperização e proletarização da força do trabalho” – sublinhou Raquel Varela.
“Proletarização é a expropriação dos meios de vida das pessoas que tinham alguns meios para sobreviver” – referiu.
“O estrangulamento fiscal foi sempre uma forma de proletarização” – acrescentando ainda “o estrangulamento de crédito”.
“Um Médico é um proletário. Um Médico com uma Clinica Privada é um pequeno empresário” – salientou.
Sopa dos Pobres tem uma designação moderna são Cantinas Sociais
“A proletarização conduz ao desemprego” – salientou Raquel Varela, acrescentando que – “o processo de criação massiva de desemprego tem uma acção na proletarização”.
“A proletarização dá-se a para da criação de práticas assistencialistas. Um Estado Social forte não cria acção assistencialista” – referiu a investigadora.
“A Sopa dos Pobres tem uma designação moderna são Cantinas Sociais” – afirmou Raquel Varela.
Recordou que o Estado Novo manteve os regimes assistencialistas e nos anos 80 o processo de pré-reformas massivas foi um programa assistencialista – “o Estado criou o desemprego”.













