António Paiva, Director do Serviço de Psiquiatria do Hospital do Barreiro«As doenças do cérebro não se medem»
. Hoje as pessoas estão deprimidas e vão ao médico
No decorrer do jantar- palestra promovido pelo Rotary Clube do Barreiro, António Paiva, Director do Serviço de Psiquiatria do Hospital do Barreiro, alertou para o facto de a situação de crise que se vive no país gerar um aumento de situações ao nível da saúde mental e lamentou o facto de existirem menos recursos.
“Com mais pessoas doentes, há menos pessoas para tratar”, sublinhou.

Por Jornal Rostos
Recordou que as “doenças do cérebro não se medem, não existem nos TAC’s ou nas análises”.
Sublinhou que o corrente é tratar uma «Depressão» como uma situação de quem “não tem vontade”.
Por outro lado, sublinhou que existe na comunidade o “estigma da doença mental”, uma realidade que faz parte do “imaginário colectivo” que se desenvolveu ao longo de séculos, que associa a “doença mental” a “loucura”.
Com mais pessoas doentes, há menos pessoas para tratar
António Paiva, alertou para o facto de esta ser considerada uma “doença” que causa “vergonha”, e todos consideram que essa é uma realidade que “só acontece aos outros”.
O Director do Serviço de Psiquiatria do Hospital do Barreiro, alertou para o facto de a situação de crise que se vive no país gerar um aumento de situações ao nível da saúde mental e lamentou o facto de existirem menos recursos.
“Com mais pessoas doentes, há menos pessoas para tratar”, sublinhou.
Recordou que existiam nove médicos, na área da Saúde Mental, no Hospital do Barreiro e agora existem seis.
“Porque é que os políticos não olham para os números?”, interrogou.
“Hoje as pessoas estão deprimidas e vão ao médico”, referiu.
Não quero o internamento, porque não há pessoas para tratar
Um cidadão, presente na sala, referiu que tendo na sua família uma situação problemática ao nível da saúde mental - “fui ajudado durante anos pelo Hospital do Barreiro”, acrescentando – “agora tenho medo de recorrer ao Hospital do Barreiro”.
“Não quero o internamento, porque não há pessoas para tratar”, salientou.
“Há cinco anos que o Hospital do Barreiro tem vindo a perder qualidade”, acrescentou, falando de forma emocionada da sua situação familiar.














