Abril é passado, presente e futuroPor Andreia Gonçalves
Barreiro

Por Jornal Rostos
Agora já não chove. O tempo é para pensar que há tempo para tudo. E hoje o tempo é para pensar: “Seja agora!”. Porque “quem decide é a vontade”. Música e Palavras. Esta noite tem de ser assim. A fazer lembrar um outro tempo que aconteceu. O “dia inicial inteiro e limpo” foi há 41 anos. Nessa noite houve uma canção como primeiro sinal. Houve a coragem que rompeu o medo. Houve união. E houve o ‘rapaz do tanque’ que recusou disparar. No final, o “V” desenhava-se nos dedos e o cravo aparecia. O símbolo de uma revolução sem sangue. E um Portugal novo começava em 74. Hoje são essas e outras vozes. As mesmas palavras desenham-se nos lábios e outras. A “Parva Que Eu Sou” da “geração sem remuneração”. Diferenças. Semelhanças. Memórias. Histórias contadas e vividas e partilhadas. A vida de hoje. E continuam as vontades porque “o que tem de ser tem muita força”. Sem esquecer que houve conquistas. Mas também houve perdas. Vozes que se calaram. No final, todos clamam pela Liberdade.
Nesta noite é bom partilhar sorrisos, lado a lado, com o cravo apertado nas mãos, repetindo as palavras e vendo a esperança a desenhar-se nelas e com elas. Quando nasci, o 25 de Abril já tinha acontecido e sempre ouvi falar dessa data - que hoje ainda é Feriado Nacional -, como algo de sagrado. E para mim, Abril é poder ter tempo para olhar para o outro e dizer-lhe palavras e gestos. Abril é gritar: “Acordai”. São palavras de ordem, é força. Abril é democracia, é liberdade, liberdade de expressão, de reunião e de escolha. Abril é respeito pelo pluralismo, pela diferença. Abril é não conseguir perceber como pode estar para vingar uma lei de cobertura jornalística das eleições e referendos. Abril é acreditar que é possível hoje ter filhos para o amanhã. Abril é acreditar que é sempre possível. Abril é conseguir!
E depois de “Grândola Vila Morena”, a chuva ainda se quis fazer sentir. Na ocasião em que outros tempos era o tempo do fogo-de-artifício, pareceu ouvir-se um trovão. E as conversavas fluíram. Porque Abril é passado, presente e futuro.
Andreia Gonçalves














