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Da minha janelaPor Ana Isabel Henriques de Castro
Barreiro

Aproveito agora que os meus pensamentos finalmente adormeceram, para te convidar a comprovar as estranhezas da vida, ao propor-te apenas que suponhas que o teu coração é o mar, que encares os pensamentos que percorrem as tuas veias como se fossem o sol e que os deixes dissolver na profundidade do teu ser.

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Da minha janela Por Ana Isabel Henriques de Castro Barreiro

Por Jornal Rostos

Como é estranho ver o sol derramar-se num mar imenso e no dia seguinte admirar a cor mágica desse paraíso sem fim ao amanhecer. E que estranho é, pensar de que forma as suaves gotas da chuva fazem tanto barulho quando roçam no chão… Ainda mais estranho é termos uma cabeça com mil pensamentos que quase lutam entre si e um coração tão preenchido que empata sempre a conclusão a que pensávamos já ter chegado.
Meditei sobre isto, quando olhei pela janela que tenho à minha disposição. Ela permite-me ver o sol a dissipar-se, sempre que ele assim o decida. Hoje fui eu quem decidiu que não o veria perder-se no mar, mas por entre as pequenas grades da minha janela. Diluiu-se com tanta rapidez, que senti a chegada do silêncio de um sol que dorme.
Não me deixa ver a lua, mas todas as noites a minha janela fica iluminada por um candeeiro repleto da minha confiança, mas desprovido de interesse para quem vê a luz da lua como algo que sempre projetará brilho. Depois de tanto pensar na utilidade que o candeeiro tem para mim, o coração sobrepõe-se e eu passo a acreditar que também esse objeto sente a dor da rejeição.
Aproveito agora que os meus pensamentos finalmente adormeceram, para te convidar a comprovar as estranhezas da vida, ao propor-te apenas que suponhas que o teu coração é o mar, que encares os pensamentos que percorrem as tuas veias como se fossem o sol e que os deixes dissolver na profundidade do teu ser.

Ana Isabel Henriques de Castro
Aluna da ESSA, 12ºG

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