Barreiro - Kira expõe «Azuis e Rosas» no Hall do HospitalDez trabalhos onde o Barreiro respira ternura
A exposição que tem como tema «Azuis e Rosas», pode ser visitada até ao próximo dia 15 de Março.
Kira com esta exposição, vai para além da memória do presente dá-nos um legado que se eterniza como memória de futuro.

Por Jornal Rostos
KIRA é o pseudónimo de António J. Pereira Gama, que nasceu em Avis, Alentejo, em 1945. Vive no Barreiro há décadas, terra que se cruza com a sua obra e seu olhar sobre o mundo. Uma obra que teve início no ano de 1960, com a sua participação no I Salão de “Artes dos Novos”, na Galeria A Trave, em Évora.
Ao longo da sua prestigiada carreira marcou presença em dezenas de exposições, tendo trabalhos seus em inúmeras colecções particulares e oficiais.
Kira está representado em diversos Museus em Portugal e no mundo, sendo citado no dicionário “Portuguese 20th Century Artists,” de Michael Tannock.
Sensibilidade no sentir esta terra
Os trabalhos de Kira expostos no Hall do Hospital do Barreiro, são acrílicos sobre tela, com as dimensões 60X70.
Um conjunto de quadros onde, a ternura da cor, a sensibilidade no sentir esta terra que abraçou como sua, sente-se de forma alegre e de cores vivas, nas obras «A Barraca do Tobias»», ou a «A Barraca do Tica» e , como sempre, ele dá a beleza ao ex-libris do Barreiro, na obra «Moinhos do Barreiro».
Um destaque especial para o quadro intitulado «Aviso»
No conjunto dos trabalhos intitulados «Cor de Rosa» kira faz-nos mergulhar nas memórias de um espaço que ele, com os seus trabalhos eternizou , seja a «Torralta», seja «Alburrica», com aquela sua permanente ligação ao rio, com as marcas da «pesca do cerco» e neste conjunto, um destaque especial para o quadro intitulado «Aviso».
Uma obra que emerge, no contexto da exposição, afinal, como o seu grito de alerta, ali, vemos as cores de Portugal, da Alemanha e desta Europa, que nos sufoca e prende a incertezas.
Um trabalho de uma grande beleza, imensa subtileza, marcado de emoção, dramático e triste. Um mundo que é uma bolha de água, no limite e... talvez, prestes a rebentar.
Kira escreve poesia, pintando. Kira escreve crónicas, pintando. Kira grita com as cores azuis e rosas e sorri…
Um espaço museológico
Kira, só por si, merecia ter no Barreiro um espaço museológico, porque acima da sua criatividade, da sua sensibilidade criativa, no seu trabalho está expresso um sentimento profundo pelos espaços e lugares desta cidade.
Este seria um enorme leit-motiv para a estratégia de visitação que tanto se fala no Plano Estratégico do Turismo.
Proporcionando aos visitantes um olhar sobre os lugares, pessoas e vivências de uma comunidade, de forma colorida e irreverente.
Talvez um dia, qualquer dia, qualquer dia…porque não na zona da Quinta da Braamcamp!
Kira pinta Alburrica com as cores de todos os sonhos, com uma liberdade criativa única e intemporal.
Cores lindas nos espaços da cidade
Nesta exposição que tem como tema "AZUIS E ROSAS", estão patentes também os trabalhos: «Iniciação», que brota de dentro de si a energia da vida, uma paleta que marca o começo de uma obra,fecundada e gerada no interior do artista, sendo, afinal, a obra de um artista que está sempre por completar, mais não seja no olhar de quem vê e de quem sente.
Kira veio mais uma vez dizer-nos que está vivo, que continua a amar esta terra, que continua a ver cores lindas nos espaços da cidade, aquelas cores que só os poetas sentem, porque só os poetas são capazes de sentir, através da subtileza das cores, a magia dos sentimentos, e esses, estão sempre presentes, para quem os quiser sentir, na luz, nas cores e nos sons de Alburrica.
Kira com esta exposição, vai para além da memória do presente dá-nos um legado que se eterniza como memória de futuro.
Obrigado poeta das cores azuis e rosas!
António Sousa Pereira
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