A CartaPor Ana Isabel Castro
Barreiro

Por Jornal Rostos
Nessa folha não vias o passar do tempo, nem lias a dureza da distância. Contudo, se a tivesses olhado perceberias que tudo isso é uma ilusão. O tempo não se desenha em retas ou em curvas e a distância, por maior que seja, não se escreve com marcador ou com lápis, nem se diminui com uma borracha. Os minutos que contas ao ver dançar as agulhas de um relógio não são reais, uma vez que esse tempo já passou enquanto procuravas o ponteiro dos segundos, que se movia mais rápido do que a tua visão. E é nesse instante em que o tempo passa, que és convidado a fazer escolhas. Tens que optar pela simplicidade de um envelope adornado de carinho ou pela coragem de revelar o seu interior, ao desvendar a simbologia de uma folha aparentemente modesta. Preferiste não abrir a carta e continuar a trocar o que a tua alma te incita pelo conformismo que a vida oferece ou pelo medo de progredir, que te abraça de forma sufocante.
Suponho que neste momento já estejas livre do falso carinho do abraço que recebias inocentemente e que hoje penses nas linhas curvas e retilíneas que queres traçar na tua folha. Além disso, talvez agora percebas que no interior do envelope que te parecia vazio ias ler-te a ti, do mesmo modo que eu li a tua decisão de não desvendar o seu interior.
Ana Isabel Castro














